06 Julho, 2009

Évora Clássica - Os Orientais Regressam ao Alentejo


O Festival Évora Clássica, promovido pela Casa do Cadaval, volta a encher Évora de música, cinema e tradições do Oriente. De amanhã, dia 7, e até 11 de Julho, com música que viaja da Índia para os Europa dos Balcãs, com passagem pelo Tibete e pela música klezmer dos judeus, sem fronteiras culturais, religiosas ou linguísticas. O programa completo e os artistas:

«CONCERTOS/CINEMA


Terça-feira dia 7 de Julho

Abertura do Festival

Gypsy night (Noite cigana)

22h - Palácio Cadaval – Jardim de Paço

Primeira Parte

Conjunto Jag Virag da aldeia de Nyirmihalydi

Região de Szabolcs-Szatmar-Bereg – Hungria

Segunda Parte

Conjunto Sentimento Gipsy Paganini

dirigido por Gyuszia Horvath - Hungria



Quarta-feira dia 8 de Julho

22h - Palácio Cadaval - Jardim do Paço

Bambu e cordas da Índia

Duo de mestres

Shashank, flauta «bansuri» e Pandit. Vishwa Mohan Bhatt, «mohan veena»
Parupalli Phalgun, «mridangam», Pandit. Ramkumar Mishra, «tabla»

- Karnataka and Rajasthan

Quinta-feira dia 9 de Julho

18h30 - Palácio Cadaval – Salão de Música

Ashar Khan Manghaniyar

Música popular do Rajastão e duplo clarinete «pungi» – Índia do Norte

22h - Palácio Cadaval - Jardim do Paço

Yom
Música «klezmer»

Yom, clarinete, Denis Cuniot, piano, Benoît Giffard, tuba, Alexandre Giffard, taban


Sexta-feira dia 10 de Julho

20h - Palácio Cadaval - Igreja dos Lóios

Lobsang Chonzor (na foto)

Cânticos do tecto do mundo – Tibete

22h - Palácio Cadaval - Jardim do Paço

Ciné-concerto criação «Les Orientales»

A Luz da Ásia (Prem Sanyas) - Filme mudo de Franz Osten - (Índe/Alemanha, 1925, 1h37mn, VOSTF) - Realização : Niranjan Pal, a aprtir do poema de Edwin Arnoldmusicado pelos músicos Manghaniyars do Rajastão, Gazi Kahn Barna and party



Sábado dia 11 de Julho

20h - Palácio Cadaval - Igreja dos Lóios

Wang Li

berimbaus da China e de algures e flautas de cabaça

22h - Palácio Cadaval - Jardim do Paço

Magic India

Mágicos e músicos do Rajastão com o grupo Divana

- Rajastão

CINEMA



CINE RAMA

A descoberta do cinema indiano

Palácio Cadaval – Salão de Música

De Quarta a Sabado

Quarta-feira dia 8 de Julho

16h00 - Palácio Cadaval

Mangal Pandey – The rising

Ballad of Mangal Pandey de Ketan Mehta –
Música : A.R Rahman, 2h30 – Índia - 2005

VO Legendado em português

Publico: Para todos


Quinta-feira dia 9 de Julho

16h00- Palácio Cadaval

Dashavatar

Cada Era tem um herói – Desenho animado realizado por Bhavik, 2h – Índia – 2008

VO Legendado em inglês

Publico: Crianças e adultos


Sexta-feira dia 10 de Julho

15h00- Palácio Cadaval

Lagaan

Era uma vez na Índia – Escrito e realizado por Ashutosh Gowariker, 3h40 – Índia - 2002

Música : A.R Rahman

VO Legendado em português

Publico: Para todos


Sábado dia 11 de Julho

15h00- Palácio Cadaval

India magica

Jodhaa Akbar d' Ashutosh Gowariker – com Hrithik Roshan e Aishwarya Rai, 3h33 - Índia – 2007
VO Legendado em inglês
Publico: Para todos

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Ashar Khan Manghaniyar:

Os instrumentos de sopro do Rajastão, «satârâ» e «muralî»
Os músicos Manghaniyars, contráriamente à casta dos «Langas» não utilizam, ou utilizam pouco, aerofones. Ashar Khan Manghaniyar faz assim figura de excepção no seio desta comunidade. Praticando a técnica do sopro contínuo (nàksãsì), ele é capaz de tocar a sua dupla flauta pastoral, «satârâ», e o duplo clarinete «muralî». O «satârâ», dupla flauta de bico e de madeira de origem pastoral possui dois tubos separados, um destinado ao bordão e o outro à melodia. A suavidade aérea que o «satârâ» emana contrasta com a rudeza das notas agudas e cortantes do «muralî».
O termo «muralî» aplica-se a diferentes aerofones na Índia, desde a flauta transversal até á flauta «vamsa» em bambu que encontramos nas mãos do deus Krishna.
Mas na tradição popular do Rajastão e do Paquistão, trata-se de um duplo clarinete enfeitado por um recipiente de madeira ou de cabaça vazia e seca e de dois tubos juntos, colados com cera.

Divana:

Actualmente habituados a calcorrear o mundo, a casta dos Manghanyars é, pela sua arte, a ligação entre o antigo refinamento poético e musical das cortes e do mundo tradicional, rural e nómada, onde ela vive actualmente.
Estas castas, que pisaram com os seus pés tanto as pedras do deserto como as lajes de mármore dos palácios dos seus antigos mestres Rajput, fascinam por esta capacidade de ter sabido conservar a extraordinária riqueza de uma herança medieval, quando estes senhores viviam ainda nas suas cidadelas suspensas no cimo de colinas escarpadas.
A rudeza das vozes que, como o oleiro e a sua argila, modelam subtis ornamentos é, à imagem desta característica das mais ricas tradições do nosso planeta – as dessas sociedades rurais e nómadas que possuem ainda um elevado refinamento poético, vestígio de um rico passado.
Nesse paraíso poético que é o antigo país dos rájás (Rajastão : palavra em sânscrito que significa "País dos Príncipes"), país antigamente composto de pequenos reinos e dinastias de guerreiros orgulhosos, a poesia é de uma alucinante beleza. Entre sagrado e profano, Islão precário e hinduismo, esta poesia conta e descreve os deuses e deusas, emanações do mundo sobrenatural, a ausência do amante, mas também a tristeza da jovem noiva longe da sua família, as boas e más colheitas, os sonhos de chuva que virá, os nascimentos e as mortes, os bandidos e salteadores do deserto.
Uma miríade de poesias, hoje ainda, em perfeita osmose com a kamanchiya (a sanfona dos Manghaniyars) ou o sarangui (a sanfona dos Langas eleva-se sinuosa e tórrida e os versos do poeta iluminam a nossa alma « como o firmamento de estrelas na noite ».


Jag Virag Ensemble:

Conjunto Jag Virag da aldeia de Nyírmihálydi – Região de Szabolcs-Szatmár-Bereg
“Ouve, minha bonita senhorinha,
Dança para mim com doçura e graça.
Dança para mim e canta para mim,
Para que os Ciganos fiquem apaixonados!
Se danças ou te divertes até de manhã,
Os Ciganos também vão alegrar-se.
Tu danças, tu danças,
Tu bates palmas,
Para que os Ciganos se apaixonem!”
Os Ciganos chamados «Oláh » ou «Valaques», correspondem aos últimos ciganos da Europa central a se sedentarizarem nos anos cinquenta e sessenta, no final das várias vagas de emigração da Rússia, da Ucrãnia e da Roménia. Os «Roms Valaques» eram aquilo que se pode considerar como autênticos cânticos «roms» : os «loki ģili'» e «khelimashi ģili'».
Tratava-se antigamente de cânticos despojados e profundos sem acompanhamento instrumental, apenas uma bilha a servir de percussão. Actualmente, este repertório impregando de influências russa, ucraniana, búlgara e bacânica, foi reabilitado, agora acompanhado pela guitarra.
É através destes magníficos cânticos épicos, nostálgicos, desesperados ou festivos que, longe dos restaurantes e dos cabarés, os Ciganos cantavam à lareira, nos acampamentos ou nas famílias da aldeia. O povo «rom» pôde assim, durante séculos, exprimir no quotidiano o lugar onde coabitam liberdade e constrangimento.


Lobsang Chonzor:

Cânticos do tecto do mundo
« Na idade em que eu era um peixinho, não fui apanhado. Como peixe grande, apesar das nassas, ninguém me domou. ... Agora, vagabundeio no oceano imenso».
Brug-pa Kun_legs, (Século XV), poeta místico tibetano
Para além das liturgias e danças rituais budistas, existem no Tibete vários estilos profanos simultaneamente clássicos e populares.
Os « Nangma », cânticos clássicos ouvidos pelos notáveis e pelos nobres da sociedade tibetana, estão sempre muito em voga nas comunidades no exílio.
Os « Teuché », do Tibete do Oeste, esses cânticos populares ligados à dança, evocam o amor, a grandiosidade da natureza, a beleza das paisagens e prestam também homenagem aos grandes mestres religiosos.
Tshering, bardo luminoso e alegre, canta acompanhando-se ao alaúde « danyen » , com a cítara « yangqin » ou toca flauta « limbu » . Aborda também o repertório da ópera tibetana nascida no Século XV que é chamada « lha mo », o que significa « rapariga, a fada ».


Sentimento Gipsy Paganini:

Conjunto Sentimento Gipsy Paganini dirigido por Gyuszia Horváth
“Canta-me Cigana, Canta-me a tua canção
até que as cordas se partam em mil direcções”
Extrato da opereta «A Condessa Marica» de Kalman Imre.
Designa-se pelo termo «romungro», os «Roms» da Hungria sedentarizados durante as primeiras migrações do Século XV. Foram eles que alimentaram em qualidade, músicos profissionais em Budapeste e nas cidades de província, desenvolvendo uma música dita cigana. Tornaram-se mestres do repertório tradicional húngaro, como o das «palotas», «csardas» ou «verbunkos», os estilos musicais mais correntes.
Os «Romungro», mais integrados que as outras comunidades «roms», reivindicam uma verdadeira educação e no domínio musical estudaram todos, depois da queda da monarquia, nos conservatórios mais prestigiados da Hungria. A sua grande cultura musical permite-lhes assim passar, à sua maneira, do grande repertório clássico (de Litsz a Bartók,) ao ainda muito em voga actualmente, das operetas, ao mesmo tempo que interpretam um grande repertório dito «cigano» que vai da Rússia à Hungria, incluindo todas as regiões balcânicas.
As «csardas» (de «tcharda», «albergue») nasceram no Século XIX e impõem-se enquanto músicas de dança de albergue, praticadas antigamente em casal. Em conformidade com um alinhamento clássico, a «csárdás» compreende uma introdução lenta «lassú», depois uma parte ritmada «friss» ou «friska». Existem também as «csardas» próprias para diferentes instrumentos tais como o clarinete, inventadas por Janos Bihari (1764 - 1827). As «csardas» são inspiradas da «palotas», outra dança nobre muito corrente no início do Século XIX. Esta última influenciará nomeadamente Liszt nas suas Rapsódias húngaras.
No final do Século XVIII e até ao início do XIX, o «verbunkos» (no plural «verbounkoche» de «werbung», «recrutamento» em alemão) representavam estas danças masculinas improvisadas destinadas a alistar os jovens aldeãos para lutar contra o poder do império austro-húngaro. Esta iniciativa tinha por única finalidade aliciar um máximo de jovens proscritos aturdindo-os com música e vinho. Assim, os hussardos dançavam o «verbunkós» de cidade em cidade acompanhados por um ou dois violinos, um címbalo, instrumentos de sopro tais como o clarinete ou a gaita de foles (gajda).
Os Ciganos criaram, a partir desta prática, um estilo musical de pleno direito. Por extensão, esta dança espalhou-se no seio da população em geral para se tornar numa espécie de dança nacional; aliás, no início do Século XVIII, era conhecida muito simplesmente por «magyar», ou seja, «húngara». Inúmeros compositores experimentarão mais tarde este estilo, por entre os quais o famoso compositor e músico cigano Janos Bihari (1764 - 1827) que, compondo oralmente, fazia transcrever por outros a sua música.
É todo este repertório de que o conjunto se inspirará durante este concerto por intermédio das composições que fazem a ligação entre uma tradição musical local e a música clássica através da sua fama europeia, dos «verbunkos», «csardasmagyarnota», «nóta» e «hallgato», essas melodias lentas à moda em meados do Século XIX até às obras de compositores como Janos Bihari, Pista Dankóo (858 - 1903), até Frank Liszt depois Zoltan Kodaly, Bela Bartok e Laszlo Lajtha.


Shashank:

Bambu e cordas da Índia
Este encontro entre dois grandes mestres da música «carnatique» e do hindostão representa um acontecimento único.
Neste magnífico confronto, as notas de agudos exacerbados da « mohan veena» parece zombar do timbre grave e meditativo da flauta «bansuri», oferecendo uma paleta acústica de uma grande riqueza.
A flauta de bambu é o instrumento de sopro que melhor exprime o encontro entre o divino e a natureza, sacralizando, de algum modo esta última, tal como na música sufi onde o «ney» (a cana) exprime a noção de sopro divino. A imagem do Senhor Khrishna encantando as jovens pastoras «gopis» com as suas melodias voluptuosas, enfatiza esta imagem harmoniosa de uma natureza que transporta os nossos sentidos para a contemplação.
É na Austrália, em Adelaide, que com a idade de onze anos, que Shashank dá o seu primeiro concerto. Parecendo-se ainda com um jovem estudante perdido no seu mundo da lua, de flauta debaixo de um braço e o seu computador portátil debaixo do outro, Shashank entra suavemente no mundo dos grandes músicos clássicos da Índia do Sul, lá, no lugar onde se constróem as lendas.
Para Pt Vishwa Mohan Bhatt: «a música é a linguagem de Deus criada para a humanidade. Para mim, a música é o meio para falar com Deus. Cada vez que toco, adoro com o meu espírito a deusa Saraawati, símbolo do conhecimento e da sabedoria».
Pt Vishwa Mohan Bhatt, outra lenda da música indiana, é originário de Jaipur e está aliás muito próximo de Gazi khan Barna e do conjunto Divana com quem ele realizará o albúm « Desert Slide ». É o criador do «Mohan Veena». Quatro cordas para tocar e doze cordas simpáticas fazem do «Mohan Veena» uma espécie de alaúde híbrido de sonoridades havaianas. «Mohan», sinónimo de graça, é também um dos nomes atribuídos a Khrishna, ao paço que o termo «veena» se refere, em sanscrito, a todos os instrumentos de cordas.


Wang Li:

berimbaus da China e de Algures e flautas de cabaça
Wang Li retira a inspiração das suas composições das experiências da sua vida. A sua música conta, com efeito, as suas recordações de infância, as suas reflexões sobre o mundo que o rodeia e as recordações emocionantes que guarda da sua família. As cantilenas da sua infância deixaram uma marca indelével nos seus ouvidos, na sua memória. Os seus ritmos simples, tais como os batimentos do coração, põem em ressonância o Wang Li do passado e aquele que ele é actualmente. O berimbau é um dos seus instrumentos predilectos. A sua complexidade dá a Wang Li uma grande liberdade de criação. A sua sensibilidade em relação à vida anima a interpretação das suas composições, nas quais ele utiliza a língua da sua região natal.


Yom:

Jovem virtuoso do clarinete « klezmer », músico prolífico e inspirado, Yom explora os territórios da música tradicional, do jazz contemporâneo e da música electro. Muito cedo influenciado pelo toque de Naftule Brandwein (pioneiro do clarinete « klezmer » nos anos 20 em Nova Iorque), Yom rapidamente exprimiu a sua visão contemporânea da música « klezmer », em primeiro lugar no seio do Orient Express Moving Schnorers e de Klezmer Nova, depois mais particularmente no seu Duo com o pianista Denis Cuniot.
É aliás com o cumplicidade deste último que ele apresenta hoje, em quarteto, esta homenagem àquele que se auto-proclamou 'King of Klezmer Clarinet'."
O criador intérprete pontua-o de tumultos e de sonhos dominados e executados em virtuosismo.
A música « klezmer » é a que os bufões judeus «ashkénazes» levavam de festa em festa, de "shtetl" (aldeia) em gueto, em toda a Europa de Leste desde a Idade Média até às perseguições nazis e estalinistas do século XX. Ela inspira-se não apenas nos cânticos profanos e nas danças populares como na "khazanut" (liturgia judia) e nos "nigunim", essas melodias simples pelas quais os "khasidim" tentavam aproximar-se de Deus numa espécie de êxtase comunitário.
Com o contacto (recíproco) de músicos eslavos, ciganos, gregos, turcos e – mais tarde – do jazz, o « klezmer » adquiriu uma diversidade e uma sonoridade, características que lhe valem hoje ser imediatamente reconhecido e apreciado no mundo inteiro.
Desde o século XVI, foram acrescentadas palavras ao repertúrio « klezmer » instrumental, graças ao "badkhn" (mestre de cerimónias nos casamentos), ao "purimshpil" (representação de Esther para a festa de Purim) depois ao teatro yiddish».

Mais informações, aqui.

02 Julho, 2009

15º Aniversário da ZDB com Konono Nº1 e Guiné All Stars


Um dia antes de subirem ao Porto para o Festival Mestiço, os congoleses Konono Nº1 são os cabeças-de-cartaz da festa de 15º aniversário da ZDB, que se realiza este sábado no exterior do Museu de História Natural (ao Príncipe Real), em Lisboa. No programa estão também os Guiné All Stars - que incluem Kimi Djabaté (na foto), Maio Coopé e Braima Galissá, entre outros - e dois nomes do novo rock norte-americano: os Pocahaunted e Sun Araw. O comunicado completo:


«Sábado, 04 de Julho a partir das 19h00
15 Anos de Zé Dos Bois
MUSEU NACIONAL DE HISTÓRIA NATURAL AO AR LIVRE(R. Escola Politécnica 54 - Príncipe Real)

As portas abrem às 18h, Sun Araw arranca às 19h. A festa terá que terminar antes da meia-noite

KONONO Nº1 (CG)
GUINÉ ALL STARS (GN)
POCAHAUNTED (US)
SUN ARAW (US)



KONONO Nº1
Ponto mais alto da primeira noite de festejos do 15º aniversário da ZDB, a actuação dos Konono nº 1 marca a estreia deste projecto da República Democrática do Congo em Lisboa.

Fundado há vinte e cinco anos por Mawangu Mingiedi, Konono nº 1 destaca-se no universo da música tradicional electrificada africana pelo uso de três likembes electrónicos (deste lado do mediterrâneo chamamos-lhes pianos de polegar) e percussão diversa maioritariamente construídos e amplificados a partir de velhas peças de automóveis e outros apetrechos similares resgatados do ferro-velho e posteriormente modificados. Com este sistema de som – que não é menos que um milagre – e as vozes de Waku Menga e Pauline Mbuka os Konono nº1 reinventam a música tradicional da etnia Bazombo (território congolense situado na fronteira com Angola, de onde Mingiedi é original), ligando engenhosamente à corrente o irresistível hipnotismo polirítmico que a caracteriza.

Apesar de editarem deste 1978, apenas em 2005, com o precioso “Congotronics”, lançado pela Crammed Discs, chegaram ao grande público ocidental. Já demasiado tempo se perdeu. É essencial partilhar da força criativa que guia esta gente.

Formação
Mawangu Mingiedi likembé
Mbuta Makonda likembé
Mawangu Makuntima likembé
Waku Menga voz
Antoine Ndombele likembé baixo
Ndofusu Mbiyavanga percussão
Vincent Visi percussão
Pauline Nsiala Mbuka voz

+ Info: Site|Myspace|Vídeo|Vídeo|Artigo




GUINÉ ALL STARS
Guiné All Stars reúne pela primeira vez um conjunto de músicos guineenses que a ZDB tem apresentado com alguma regularidade ao longo dos últimos anos nos mais diversos contextos de inovação perante uma tradição cultural pré-moderna.

Guineenses lisboetas, representantes por direito próprio de uma das diásporas africanas musicalmente mais ricas, Kimi Djabaté, Maio Coopé, N’ Dará Sumano, Braima Galissá, Sadjo, Gelajo Sane e Renato trazem a magia gumbé e griot ao Museu Nacional de História Natural.

Formação
Kimi Djabaté voz, balafon e guitarra acústica
Maio Coopé voz, cabaça, m'bira e percussões)
N'Dara Sumano voz
Braima Galissá kora
Sadjo guitarra eléctrica
Gelajo Sane percussão
Renato baixo eléctrico

+ Info: Myspace Kimi Djabaté|Myspace Djumbai Jazz |Vídeo|Vídeo|Vídeo




POCAHAUNTED
Sediada em LA, a NOT NOT FUN Records representa, em conjunto com as editoras Siltbreeze, Ecstatic Peace e VHF, um dos mais estimulantes catálogos deste final de década. Em torno de Britt Brown - gestor do selo - gravita um núcleo de projectos domésticos, com destaque para Robedoor, Pocahaunted, Magic Lantern e Sun Araw. Só nos últimos três anos, a NNF - iniciais pelas quais é carinhosamente conhecida - reuniu discos imprescindíveis de artistas impolutos como Thurston moore, Christina Carter, Ducktails, Teeth Mountain, Wet Hair ou os "nossos" Loosers. Agora, pela primeira vez na Europa, Pocahaunted e Sun Araw, duas das mais importantes bandas da NNF, mostram-se ao vivo.

Renovando desde 2006 o referencial místico e holístico do imaginário nativo-americano, os Pocahaunted efabularam-se em disco (obrigatório ouvir “Island Diamonds”, “Peyote Road” e o mais recente “Passage” ) como projecto de drone maciço, com a intuição rítmica do dub e de um funk movido 16 rpm. Amanda Brown e Diva Dompe (também no baixo) entoam cânticos estáticos, acompanhadas pela guitarra de Britt Brown, o órgão de Cameron Stallones e a bateria de Mark Gengras. O quinteto eleva o registo melódico para um universo que desde há décadas estilhaça ovos cósmicos, dilatando consciências, enquanto a secção rítmica engancha o corpo, direcionando-o para um experiência ritual, atulhada de groove, fumo e abandono de meia-pálpebra.

Formação
Amanda Brown voz
Diva Dompe baixo e voz
Britt Brown guitarra
Cameron Stallones orgão
Mark Gengras bateria

+ Info: Site|Myspace|Editora|Vídeo|Vídeo|Vídeo|Entrevista|Artigo sobre NNF


SUN ARAW
Sun Araw, alias de Cameron Stallones (guitarrista dos Magic Lantern e colaborador pontual de Pocahaunted) faz-se acompanhar ao vivo por William Giacchi no órgão. Crème de la crème da Not Not Fun Records, Sun Araw depressa constituiu um corpo de trabalho fascinante e coeso.

Ouvindo a magistral "Horse Steppin" (de “Beach Head") conseguimos descobrir o manifesto: uma elegia ao kraut, ao rock amoniacal dos Spacemen 3 e uma essência tropical que de imediato põe em prática um universo melódico e rítmico de uma fresca música de Verão. É música de um onirismo febril - não menos pedrado - esta que encontramos nos arpejos de guitarra que gargarejam delay e no drone adocicado com que o orgão nos deixa encandeados. Às nossas praias chega agora o precioso búzio “Heavy Deeds” (LP, NNF)

Formação
Cameron Stallones voz e guitarra
William Giacchi orgão

+ Info: Site|Editora|Vídeo|Vídeo

Entrada : €10 em venda antecipada; €12 no dia do evento | Bilhetes disponíveis antecipadamente na loja de discos Flur, Louie Louie e ZDB (4ª a Sáb, entre as 15h e as 23h e noites de concerto até à 1h00)».

01 Julho, 2009

Mestiço - O Porto Volta a Ser Multicultural


Começa já amanhã mais uma edição do festival Mestiço, que tem ocupado - e sempre muito bem! - a Casa da Música, Porto, nos últimos anos. Entre muitos artistas brasileiros, o tuga abrasileirado JP Simões, os fabulosos congoleses Konono Nº1 (na foto) e nomes emergentes do kuduro angolano, o Mestiço mostra este ano aquilo que se segue (com textos explicativos a seguir):

«Quinta | 2 Julho 2009
21:30, Sala Suggia

PASSAPORTE FESTIVAL MESTIÇO 2009
De 2 a 5 de Julho, a 4ª edição do Festival Mestiço percorre geografias e géneros bem diferentes, dando a ouvir alguns dos grandes fenómenos da world music da actualidade, incluindo as sempre inovadoras mestiçagens entre tradições ancestrais e tendências contemporâneas de géneros como o hip hop, a electrónica ou o rock. São quatro noites consecutivas que cruzam propostas bem variadas de artistas.

PASSAPORTE FESTIVAL MESTIÇO (4 CONCERTOS) | € 30

Nota: Na compra do Passaporte Festival Mestiço deverá escolher o lugar da Sala Suggia para o concerto Naná Vasconcelos e Virgina Rodrigues | JP Simões. Para os restantes concertos,os lugares ficarão automaticamente seleccionados, pois tratam-se lugares sem marcação


Programa:

Naná Vasconcelos e Virginia Rodrigues | JP Simões | Festival Mestiço | 02 Jul 09

Babylon Circus | Orquestra Imperial | Festival Mestiço | 03 Jul 09

Natiruts | Comunidade Nin Jitsu | Lei Di Dai | Festival Mestiço | 04 Jul 09

Konono Nº 1 | Bruno M | Batida | Festival Mestiço | 05 Jul 09»

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NANÁ VASCONCELOS | VIRGINA RODRIGUES

Naná Vasconcelos voz e percussões
Virgínia Rodrigues voz
Lui Coimbra violoncelo, voz e guitarras
Alex Mesquita guitarra acústica

"Um encontro espiritual" - é assim que Virgínia Rodrigues descreve o que acontece em palco ao lado de Naná Vasconcelos. Com um potencial Quem cedo reparou no potencial da cantora foi Caetano Veloso.

Com uma carreira que é tudo menos previsível, a baiana lançou já quatro álbuns que tanto se voltam para os afro-sambas de Baden Powell e Vinícius de Moraes, como para clássicos de Tom Jobim ou Chico Buarque ou ainda para a música dos blocos afro do Carnaval da Bahia. O resultado é uma voz expressiva e cristalina que surpreendeu o veterano Naná Vasconcelos: "Eu sempre admirei a Virgínia desde o surgimento dela. Ela me mostrou de uma certa forma todo o lirismo africano existente no afrobrasileiro e sempre tive uma grande vontade de fazer um trabalho com ela."

Depois de se apresentar na abertura do Carnaval do Recife em 2006, o duo inicia uma colaboração que agora chega à Casa da Música. Um regresso ao nosso país que o percussionista antecipa com grande expectativa: "Eu adoro mostrar um pouco do meu trabalho em Portugal. Sei que há um movimento muito grande da percussão portuguesa, como o projecto do Rui Júnior chamado Tocá Rufar. Em 2008 participei no Festival Portugal a Rufar organizado pelo projecto."

JP SIMÕES

Dos Pop Dell'Arte aos Belle Chase Hotel, sem esquecer o Quinteto Tati, JP Simões já deu provas do seu talento como músico e compositor de canções/fábulas em português. Em 2007 estreia-se em nome próprio com 1970, considerado por muitos a sua obra-prima. Com influências de Chico Buarque, Tom Waits, Tom Jobim, João Gilberto, David Bowie e Sérgio Godinho, 1970 ocupou durante três semanas o Top 30 dos álbuns mais vendidos em Portugal. O convite para a Casa da Música surge no seguimento da edição do seu segundo trabalho a solo, Boato. Gravado ao vivo em Novembro passado nos Jardins de Inverno do Teatro S. Luiz, em Lisboa, este disco conta com 12 temas originais e ainda algumas canções dos Belle Chase Hotel, do espectáculo Ópera do Falhado e do Quinteto Tati. Para a Casa da Música fica prometido um concerto festivo.

BABYLON CIRCUS

Os Babylon Circus estão de volta. No regresso a Portugal, o grupo francês traz o quarto álbum de originais, em mais de 10 anos de carreira e depois de cerca de mil concertos, em 30 países diferentes. Ao longo deste percurso têm sido sempre notícia, por onde quer que passem, mas nem sempre pelos melhores motivos.
Ska, punk, reggae, rock, swing e música cigana, com um toque circense e com uma mensagem bastante positiva po base é o que vamos ter oportunidade de ouvir. Divertidos, críticos, bem-humorados e festivos, os Babylon Circus estreiam-se nos palcos do Porto e apresentam pela primeira vez no nosso país La Belle Étoile.

ORQUESTRA IMPERIAL

Antes da big band francesa, a big band brasileira. Quatro anos depois de se terem estreado internacionalmente no Festival do Sudoeste, a Orquestra Imperial regressa ao nosso país com o primeiro álbum Carnaval Só No Ano Que Vem (2007).
Formado em 2002 com o intuito de criar uma orquestra de gafieira [local onde, tradicionalmente, as classes mais humildes praticavam danças de salão], baseada num repertório variado, com boleros, temas dos anos 60 e clássicos da cultura de salão, o grupo nasceu da reunião de músicos da vanguarda da cena musical carioca. Lá encontramos Rodrigo Amarante (Los Hermanos); Moreno Veloso, Domenico e Kassin (do projecto +2); Nina Becker (estilista); Thalma de Freitas (actriz da Globo) e Rubinho Jacobina (irmão de Nelson Jacobina, parceiro de Jorge Mautner), a quem se juntaram Wilson das Neves (compositor dos Império Serrano, cantor de samba e baterista). No Brasil, a Orquestra Imperial goza de grande popularidade e os "Bailes Pré-Carnavalescos", nos verões cariocas, são já dos momentos mais aguardados das multidões que querem ouvir marchinhas e afins, com muito funk-carioca à mistura.

NATIRUTS
Bastam cinco minutos ligados à Internet para percebermos o alcance dos Natiruts no Brasil. Em qualquer vídeo ao vivo vêem-se milhares de pessoas a cantar, em uníssono, as músicas da banda brasileira, em ambiente de festa e confraternização. Um fenómeno com cada vez mais seguidores em todo o mundo, com ideais bem definidos e um "reggae roots brasileiro" cada vez mais enraizado.
As reacções à primeira demo do grupo superaram todas as expectativas e dão-lhes reconhecimento na cidade então conhecida como "capital do rock". Com as atenções viradas para o grupo, um dos melhores estúdios de gravação abriu as portas ao reggae e gravou o álbum de estreia dos Natiruts, Nativus (1997), um disco que, indiscutivelmente, marcou a sua geração, com vendas superiores a 450 mil exemplares. No regresso a Portugal, cada vez mais receptivo ao reggae, os Natiruts apresentam na Casa da Música um espectáculo novo dedicado aos fãs


COMUNIDADE NIN-JITSU
Conhecidos como os "ninjas mais chalaças do Brasil", a Comunidade Nin-Jitsu (CNJ) estreia-se em Portugal e, curiosamente, fora do país de origem, a convite da Casa da Música. Autores de uma das misturas musicais mais explosivas - baile funk com rock - são um fenómeno de sucesso no Brasil com mais de 100 mil cópias vendidas dos cinco álbuns já editados. Juntos desde 1995 e habituados a brincar com as suas próprias gírias, misturaram rock com funk, hip hop, hard rock e electro. Com inúmeros singles a passarem na rádio, a CNJ tem acompanhado a evolução dos tempos e conquistado cada vez mais um lugar na cena brasileira. Mas o papel deste grupo não se limita à música. O vocalista, Mano Changes, é deputado estadual no Rio Grade do Sul e tem mudado a atenção que se dá à Educação no Brasil. No Brasil, o trabalho da CNJ é reconhecido. Todos sabem o refrão de Detetive e cantam "tive, tive, detetive/ meu pai é detetive" efusivamente. Por cá, o concerto na Casa da Música vai ser bastante revelador. Uma banda repleta de sentido de humor, ironia, sacanagem e sem papas na língua.


LEI DI DAI
Coroada como Rainha do DanceHall - vertente dançante do reggae mais conhecido como Ragga - Dainne Nascimento, aka Lei Di Dai, vem à Casa da Música apresentar o seu álbum de estreia Alfa e Ómega.
Oriunda da Vila Ré, na zona Leste de São Paulo, Lei Di Dai sabe que nunca vai ceder às pressões do mundo das celebridades, "que exige pesos e medidas certinhas e formas de violão". Aos 31 anos, Lei Di Dai afirmou à Rolling Stone Brasil: "Eu me adoro! Tenho mó presença, onde chego tudo pára".
Cantora e compositora, cresceu rodeada de samba e reggae que os pais ouviam e dançavam em casa. A sua mensagem é simples e a inspiração para as suas músicas vem da realidade da periferia ("o salário mínimo é a máxima pressão") e de artistas jamaicanos como Capleton (referência jamaicana de reggae e dancehall).
Figura de destaque na cena independente de S. Paulo, onde canta desde 1997, Lei Di Dai acredita que o reggae é a libertação, harmonia e amor, e acredita no poder transformador da música. "Eu canto sobre positividade para ensinar o povo preto das periferias sobre eles mesmos, sobre a África e a cultura rasta", explica. Depois de ter participado, em 2006, na compilação Diáspora Riddim, dos Digitaldubs, com a música Original do Gueto, estreou-se a solo, em 2008, com Alfa e Ómega, que teremos oportunidade de ouvir na Casa da Música.

"Lei Di Dai se destaca em uma cena reggaeira que, como a do hip hop no passado, floresce forte nos guetos do país, pronta pra ser colhida e fazer cabeça, corpo e mente de quem se deixar levar" - Rolling Stone, Brasil


KONONO Nº1
O projecto Konono N°1 foi fundado há 25 anos por Mawangu Mingiedi, um virtuoso do likembe (aka sanza ou piano de polegar), que quando chegou a Kinshasa, vindo de Bazombo - que fica na fronteira com Angola -, quis continuar a fazer a música de transe em homenagem aos seus antepassados e em nome dos muitos emigrantes que chegavam à metrópole. O resultado é uma sonoridade inquestionavelmente africana, no ritmo e nas texturas, mas muito próxima da electrónica Ocidental. Algo muito tradicional que nos remonta às experiências de John Cale, entre o punk e a música de dança. Não se chama a esta música transe sem motivo. Quando ouvida com o volume alto, como é suposto, é capaz de nos transportar para outra esfera. Quatro anos depois de se ter estreado em Portugal, o projecto da República Democrática do Congo regressa. Na bagagem trazem uma cultura, uma sonoridade que os tem distinguido no mundo da world music graças ao sistema de amplificação que usam há 30 anos e que lhes valeu o conceituado prémio da BBC em 2006, na categoria de Novos Talentos.
O trabalho que têm vindo a desenvolver e o alcance da sua música fez com que Matthew Herbert e John McEntire (Tortoise) se oferecessem para remisturar temas seus e que fossem convidados a participar no single de apresentação do álbum Volta de Björk.

BRUNO_M
Aos 24 anos, o kudurista angolano é já um exemplo para os mais jovens
BRUNO_M E O KUDURO "ELECTRÓNICO E DANÇANTE QUE CONTAGIA E VIRA MANIA"

À África do Sul e ao Brasil segue-se Portugal no percurso de Wilson Diogo de Amaral (aka Bruno_M, de Mágico). Para a Casa da Música, o kudurista angolano traz na bagagem o álbum de estreia, Batida Unika, que o deu a conhecer em 2004 e o celebrizou quatro anos depois. Estudante na Faculdade de Direito da Universidade Independente de Angola e a fazer um curso de jornalismo profissional, Bruno_M tem a música como um hobbie que o ajuda a pagar os estudos. Mas a relevância do seu testemunho desperta cada vez mais atenções no mundo. Vida, amor, paz, patriotismo, educação moral e cívica são algumas das mensagens que podemos ouvir nas músicas de Batida Unika, "um projecto que tem como objectivo resgatar os jovens com dificuldades sociais, mas que querem trabalhar em prol da sociedade". Pronto para se mostrar ao mundo, Bruno_M traz para a Casa da Música "um estilo musical jovem, electrónico e dançante que contagia e vira mania". Numa noite que mistura, no mesmo palco, uma banda da República Democrática do Congo, uma do Brasil e de Angola, mais mestiço seria difícil!

BATIDA
Portugueses e angolanos partilham o palco
Batida e os tesouros recuperados da música angolana

Batida é nome de um programa que, desde 2007, divulga as novas tendências da música urbana de raiz ou inspiração Afro, na Rádio Antena 3 e na Web. Kwaito, Kuduro, Funk, Afro Beat, Dancehall ou House são alguns dos beats sempre presentes e que agora se encontram reunidos no disco Dance Mwangolé.
Tudo surgiu durante uma conversa com a Difference Music, depois de terminada a versão do Bazooka. Convidados a remexer livremente o arquivo histórico de sons da Valentim Carvalho gravados em Luanda, nas décadas de 60 e 70, os músicos da Batida recuperaram, sem saudades mas com respeito, o que de melhor encontraram. O centro de operações foi Lisboa, onde o DJ Mpula pesquisou os discos e telefonou a Beat Laden, o próprio misturador dos "mwangolés" Kalibrados, Zona5 e do Bob Da Rage Sense. Fechados no Ground Zero, em Chelas, conspiraram e produziram o som para este Batida. Mais tarde juntou-se Ikonoklasta (o poeta da Família e membro do Conjunto Ngonguenha), o Sacerdote (jovem letrista muito consciente de Sambila, Luanda) e o primo Roda (de Lisboa) que transformou os sons em desenhos para a capa e actuações.

Para além destes, o Batida contou ainda com as participações do animador Chailoy, o kudurista consciente Rei Panda, dos De Faia, a poderosa Dama Ivone e o activo produtor DJ Waite, todos do Sambila. E das dicas do rapper Bob Da Rage Sense, em Saudade. No final, e já numa faixa bónus, convidaram o mwangolé Maskarado, jovem talento do kuduro e remisturas do DJ Chernobyl, o mesmo que produziu o Bonde do Rolê, e dos Radioclit, dupla cúmplice nos mambos Afro que estão a bater em Londres.
No regresso à Casa da Música, a Rádio Fazuma apresenta Batida com o disco Dance Mwangolé, repleto de tesouros da música angolana, com beats pensados para por todos a dançar. Refira-se que "Dance Mwangolé" foi um termo usado pelo Sbem - um dos pioneiros essenciais do Kuduro - para descrever tudo o que seja Techno feito por um Mwangolé (Angolano)».

Mais informações, aqui.

30 Junho, 2009

O Amor É Fogo... (ou o Picante da Língua Portuguesa em Festival)


Imagine-se só, alguns dos melhores da lusofonia inteira, num único festival: O'QueStrada, João Gil com Shout, Chico César, Ana Moura, Sara Tavares, Da Weasel, Buraka Som Sistema (na foto), Tito Paris, Ghorwane, Tucanas... E imagine-se que tudo isto acontecia num mais que improvável festival dedicado a Camões. Mas é que acontece mesmo, e com estes nomes todos, vesgos ficamos nós... O programa, na íntegra:


«FESTIVAL "O Amor é Fogo"

Dias 17,18 e 19 de Julho | 21h30

ESTÁDIO MUNICIPAL DE OEIRAS


Integrado nas comemorações dos 250 anos do Concelho de Oeiras vai
realizar-se o Festival "O Amor é Fogo" nos dias 17, 18 e 19 de Julho, no
Estádio Municipal de Oeiras.

João Gil + Shout, Chico César, Ana Moura, Sara Tavares, Da Weasel e Buraka
Som Sistema são alguns dos artistas que constituem o cartaz deste Festival,
com um programa abrangente que pretende privilegiar a Língua Portuguesa nas
suas mais variadas expressões, assim como homenagear o maior de todos os
poetas portugueses Luís Vaz de Camões. Por esta razão todos os
intervenientes encerram a sua participação musicando o poema "Amor é Fogo".

Preço dos Bilhetes: 1 dia 10 € | Passe para os 3 dias 20 €

Locais de Venda: Ticketline ( www.ticketline.pt),
Lojas Fnac, Lojas Worten, Lojas Bliss, Livraria Bulhosa, Agências Abreu,
Megarede, ABEP, Agência Alvalade, C.C. Dolce Vita (Coimbra, Ovar, Vila Real
e Porto), El Corte Inglés, Postos de Turismo de Oeiras.

CARTAZ

Dia 18 de Julho

TITO PARIS

Grande como compositor, guitarrista e cantor, a sua discografia encontra-se
à venda em Nova Iorque, em Paris, por esse mundo fora.



Tito foi um dos artistas responsáveis por colocar no mapa Cabo Verde, um
arquipélago batido pelos ventos a 500 km ao largo de Dakar, que escondia um
tesouro, uma música envolvente de uma excepcional originalidade.



Com a sua voz doce e um swing quente, acompanhado em palco por 6 elementos
Tito Paris vai percorrer toda a sua carreira, oferecendo a todos os
presentes um espectáculo contagiante de energia, onde os ritmos quentes de
Cabo Verde apelam de imediato à dança.



JOÃO GIL e SHOUT

João Gil é sem dúvida um dos maiores compositores do nosso tempo.



Ao longo da sua vasta carreira já integrou muitos e importantes grupos,
como: Trovante, Cabeças No Ar, Rio Grande, Ala dos Namorados, Filarmónica
Gil entre outros. Compôs para muitos artistas e a música é a sua verdadeira
paixão.



Os Shout um grupo de 13 elementos são uma referência do gospel em Portugal.
Juntos em palco vão percorrer a carreira de João Gil lembrando temas como:
"Perdidamente", "125 Azul", "Loucos de Lisboa", "Saudade" e "Fim do Mundo"
só para citar alguns.






GHORWANE

Os Ghorwane são uma banda natural de Moçambique que foi buscar o seu nome ao
pequeno lago Gorhwane situado na escaldante e poeirenta província de Gaza em
Moçambique que mesmo no tempo mais quente nunca seca.



Formados em 1983 a sua música que mistura fusão e afro -pop com os ritmos
tradicionais moçambicanos, e as letras de intervenção politica e social
torna-os um dos mais respeitados grupos moçambicanos.



No ano de 1990 Peter Gabriel convida-os para actuarem no WOMAD Festival e a
partir daí são presença assídua em muitos outros.



Actuando um pouco por todo o mundo os Gorhwane vêm agora ao "Festival Amor é
Fogo" onde não vão passar despercebidos.





CHICO CÉSAR

Este é um concerto obrigatório, e uma oportunidade de ver e ouvir um artista
que quando entra em palco a sua presença é hipnotizante, a voz um
instrumento que manuseia na perfeição, e que usa para conseguir uma perfeita
comunhão com o público.



O seu humor e energia, a par da sua voz mágica e o respeito pelas suas
raízes são coisas raras de se encontrar em espectáculos ao vivo.





Dia 18 de Julho



TUCANAS

As Tucanas são um quinteto feminino formado em 2001.



O seu principal objectivo é o uso de instrumentos percussivos:

De Bidões de plástico a Djambés, ao próprio corpo.



As suas harmonias vocais dão uma garra feminina muito curiosa.

Desde cedo começaram a chamar a atenção dos média e do público devido às
suas actuações, mas o primeiro disco (por opção própria) apenas foi editado
em 2007 com o título "Maria Café".



Os espectáculos das Tucanas assentam numa forte componente cénica "brincam e
jogam com o ritmo e a harmonia" dentro de um visual muito próprio que se
situa entre a sensibilidade feminina e a força rude de tocar percussão.





ANA MOURA

Filha de Santarém, localidade que a viu nascer, Ana Moura é uma fadista
reconhecida internacionalmente.



No ano de 2007 foi convidada a participar no concerto que os Rolling Stones
deram no Estádio de Alvalade para cantar em dueto com Mick Jagger o tema "No
Expection". Nesse mesmo ano recebeu o prémio Amália para melhor intérprete.



Em 2008 é nomeada para os Globos de Ouro na categoria de melhor intérprete
individual, que acabou de perder para Jorge Palma.



Neste espectáculo Ana Moura vai apresentar o seu último trabalho "Para Além
da Saudade" de onde se destaca o belíssimo tema "Búzios".



SARA TAVARES

Com quatro álbuns na bagagem e muitas actuações por esse mundo fora, a
música de Sara Tavares tornou-se uma música do mundo, alimentada pelos
encontros e viagens que ela fez ao longo dos anos.

À medida que Sara Tavares viajava e que as suas experiências enriqueciam a
sua música, ela descobria também uma nova simplicidade, uma confiança cada
vez maior na sua voz.



Mas todas as viagens implicam um regresso a casa para descansar, recuperar
energias e decidir o próximo destino. E é exactamente neste regresso a casa
que Sara nos vai apresentar ao vivo o seu novíssimo trabalho Xinti (Sente).



E é isso que vamos fazer. Sentir a emoção e bom feeling que sempre sentimos
quando vemos e ouvimos Sara Tavares.





Dia 19 de Julho





OQUESTRADA

A banda revelação do momento vai apresentar o seu álbum de estreia "Tasca
Beat".



Os Oquestrada actuam juntos há sete anos e atrevemo-nos a chamar-lhes uma
banda de "Fado dos Subúrbios".



No entanto, para entender a força e o carisma deste grupo que tem actuado um
pouco por Portugal inteiro, é necessário assistir a um concerto, só assim se
pode perceber toda a energia da banda que em palco se tornam completamente
hipnóticos e electrizantes ao juntarem Voz, música e encenação.



DA WEASEL

São sem qualquer dúvida a maior banda portuguesa na área do Hip Hop e não
precisam de apresentações.



Multiplatinados, galardoados com a Medalha de Ouro - Mérito Cultural da
Cidade de Almada, vencedores de três globos de ouro nas categorias de
"Canção do Ano" (2005) e "Melhor Grupo do Ano" (2005 e 2008), são ainda
vencedores do MTV Music Award no ano de 2007.



Com centenas de concertos dados, encheram o pavilhão Atlântico num concerto
inesquecível de luz, côr e energia em Novembro de 2007.



Os Da Weasel são a garantia de um grande espectáculo, onde quase todas as
suas músicas são hinos. Senão vejamos: "Toda a Gente", "Duia", "Outro
Nível", "Tas Na Boa", "Casa (Vou Fazer de Conta)", "Dialectos de ternura" ou
ainda o incontornável "Re-Tratamento", vulgarmente conhecido por "Nina".





BURAKA SOM SISTEMA

Os Buraka Som Sistema são a banda com mais foco do momento.



Acabados de chegar de uma digressão nos Estados Unidos, e vencedores de um
Globo de Ouro na categoria de Melhor Grupo, os Buraka tem uma sonoridade que
se integra no género musical Kuduro. São frequentemente apelidados como os
fundadores do novo som electrónico Kuduro Progressivo.



Preparem-se para um concerto enérgico, electrizante e muito dançável onde o
álbum de estreia "Black Diamond" vai ser a estrela principal».

29 Junho, 2009

Med de Loulé - Rokia N'Roll!


Ainda mal refeito de mais cinco dias no Med de Loulé, as primeiras memórias fotográficas que me saltam aos olhos (às meninges?) nem são musicais: são, primeiro que tudo, os amigos - os de Lisboa e de outros lugares (Aveiro, Porto, Algarve, Alentejo...), uns que vou vendo durante o ano, outros que só encontro ali... E, depois, relâmpagos fugazes que me mostram um piano coberto a crochet ao lado de uma tarântula de pano e lantejoulas e coração de plástico negro; uma menina feliz de tranças loiras, com margaridas e purpurina a darem ainda mais brilho ao seu cabelo; uma «sevilhana» de óculos de fundo de garrafa que desmaia à minha frente; a tribal e magnificamente bem coreografada dança do fogo dos Satori; um rapazinho que regateia o preço do djembé - «são 70 euros?», «75!», «70», «75!»...; o reencontro com a Alandra, a cadela mais bonita do mundo a seguir à minha, claro; ou as imperiais e as sopas de tomate e as sardinhas albardadas que nos são servidas à hora da ceia, por pura simpatia...

E, a música... Sem ordem cronológica aparente (nem outra, sequer), mas com uma ordem que vem da ordem do coração: Rokia Traoré, em mais um fabuloso concerto afro-rock, mais conciso mas nem por isso menos intenso, que passou por temas do último álbum - exemplos: as maravilhosas «Zen» e «Kounandi» ou a versão de «The Man I Love» - e seguiu até ao habitual encore final de homenagem aos seus heróis, desta vez com a «Mama Africa» Miriam Makeba ao lado de apontamentos de temas do recém-falecido Michael Jackson. Os Moriarty e a sua (aliteração!) arte, a arte de saber transformar uma simples sequência de três canções - as versões de «Enjoy The Silence» (Depeche Mode), «Chocolate Jesus» (Tom Waits) e o seu original «Jimmy» - em algo tão valioso quanto um concerto inteiro. Os meus queridos (todos eles!) Mu e as suas músicas europeias transmutadas numa celebração das músicas de todo o mundo e, raios, com muito rock lá dentro, também. O mesmo rock que assombrou, e ainda bem!, outros momentos do Med deste ano: os Led Zeppelin em versão África mandinga - e tudo isto é elogioso - de Justin Adams e Juldeh Camara (aquele riti, espécie de njarka/espécie de violino de uma corda só é arrepiante de belo) ou os tangófilos e tangófonos Bajofondo de um oscarizado de Hollywood, Gustavo Santaolalla, a guitarrar alegremente na sua banda ao lado de outros génios do violino e bandoneón; ou um dos maiores ícones da bateria rock, o agente Stewart Copeland (ele o autor de um dos álbuns fundadores da world music, o fabuloso «The Rhythmatist»), a partilhar tarantelas e pizzicas italianas e rebemtikas gregas com um grupo onde, felizmente, o Sting não está mas onde o Andy Summers nem destoaria. E, só para destoar, onde também se esperava algum rock infectado pela world (ou vice-versa), ele não apareceu: o Med fechou com o acordeonista Kimmo Pohjonen e, dando uma volta muito bem-vinda ao seu som, neste concerto não houve rock progressivo nem electrónicas nem experimentalismos já gastos mas, sim, momentos de uma beleza imensa que devem mais a Philip Glass ou a Debussy do que a qualquer dos géneros já visitados por este visionário finlandês.

Outros momentos bons de recordar: Camané, as suas sílabas e o seu trio/caixinha de música maravilha. Os cada vez melhores Diabo a Sete e a sua reinvenção júliopereiriana (mas não só!) de uma música nossa, portuguesa. A, igualmente, reinvenção de outros temas nacionais pela cantora Filipa Pais com o bandolinista Edu Miranda. Os Ojos de Brujo e uma festa cada vez mais global, dançante, profissional. O vozeirão de Ricardo Ribeiro - apesar de não tão vozeirão quanto nos seus fados mas em bonita pose Nusrat Fateh Ali Khan - ao lado de Rabih Abou-Khalil. O à-vontade. domínio de palco e beleza astral de Lura, num dos mais quentes concertos do Med. Um calor que se estendeu ao fabuloso DJ set travestido, mas com muita pinta!, de concerto protagonizado por DJ Click (na foto; cortesia Câmara Municipal de Loulé) mais os seus músicos ciganos e judeus e as suas bailarinas e/ou cantoras. Ou os surpreendentes Ramudah, uma banda lisboeta de jazz ambiental (e com caixa-de-ritmos!) que soa muito melhor que parece esta descrição.

Momentos fracos? Também os houve, claro: a Orquesta Buena Vista Social Club, e apesar da marca registada que acompanha o seu nome, é apenas um eco pálido e esbatido da banda original reunida por Ry Cooder e Juan de Marcos González. E Pitingo, actualmente uma das maiores vedetas da música espanhola, é afinal um rapazinho birrento e, pior!, tem uma versão de uma das mais peganhentas e irritantes músicas de sempre: «Mamy Blue». Mas não chegou para estragar um festival que esteve quase sempre cheio de gente. E de gente feliz.

23 Junho, 2009

OqueStrada, Lhasa e Ojos de Brujo - Mais Um Cacharolete de Discos


E mais um «triunvirato» de discos cujas críticas foram há algum tempo publicadas na «Time Out Lisboa»: o álbum de estreia dos OqueStrada (anteriormente conhecidos como... O'QueStrada) e os novos de Lhasa de Sela (na foto; de Hibou) e dos Ojos de Brujo.


OQUESTRADA
«TASCA BEAT - O SONHO PORTUGUÊS»
Sony Music Portugal

São, finalmente, sete anos de 'strada plasmados num CD. E muito bem! Para quem já acompanha há muito tempo os concertos - e mais do que concertos, os espectáculos, happenings, festas, celebrações... - dos OqueStrada (que deixaram cair o apóstrofo), este era um álbum, o de estreia, há muito aguardado. E, se não defrauda os fãs, agora imagine-se o que fará a quem nunca os viu ao vivo. Em «Tasca Beat - o Sonho Português» está lá tudo o que faz deste grupo multinacional de Almada um dos melhores e mais imaginativos projectos nacionais desde há muito tempo: o fado tomado como conceito, matriz ou ideia-base mas também mil e outras músicas - hip-hop, ska, música brasileira (está lá a sua fabulosa versão de «Se Esta Rua Fosse Minha», com um assobio e uma trompete extraordinárias), valsa ou morna, entre muitas outras, mas sempre com umas letras, uma postura e uns desvios absolutamente deliciosos (com Roberta Flack e Billy Idol incluídos). (*****)


LHASA DE SELA
«LHASA»
Audigram/Warner

Acabei de ouvir o álbum e pensei, que álbum extraordinário, vou dar-lhe a nota máxima. Depois recuei: mas é todo cantado em inglês! Preconceito de gajo da world music, que amou profundamente o primeiro e fabuloso álbum de Lhasa (aka Lhasa de Sela), «La Llorona», editado há doze anos, todo cantado em espanhol e cheio de releituras actuais de rancheras, mariachis e do som da areia do deserto a enroscar-se nas raízes dos cactos. Com um tempo de edição muito próprio, este seu álbum homónimo é apenas o terceiro. Mas a verdade é que é tão bom quanto o primeiro e com a voz dela a soar ainda melhor. Com canções belíssimas feitas da melhor alt-country, blues, folk, pitadinhas de jazz e até com um tema que remete para Marianne Faithfull ou Patti Smith («1001 Nights»). Ficou mesmo com a nota máxima. (******)


OJOS DE BRUJO
«OACANÁ»
Diquela Records/Warner Music/Farol


De um bando de freaks catalães que se atreveram a misturar os vários «palos» (géneros) do flamenco e a rumba catalã com hip-hop, rock e várias «músicas do mundo», aos mais respeitados embaixadores de uma cidade - Barcelona - em que nascem todos os dias músicos nas esquinas das ramblas, os Ojos de Brujo chegam ao seu quarto álbum, «Oacaná», com a sua fórmula de sempre mas cada vez mais rica, orquestrada e apurada. Estão lá as suas paixões habituais (rumba, rap, funk, música indiana, muita música latino-americana e um flamenco cada vez mais aberto e libertário) mas com um bocadinho mais, por vezes, de electrónicas, de outras de elementos acústicos em diálogo irresistível - a secção de metais é arrebatadora! - e até um pouco de ciganadas dos Balcãs. Los Van Van, percussionistas do Karnataka, o rapper andaluz Tote King e o violinista húngaro Zoltan Lantos são alguns dos convidados. (****)

22 Junho, 2009

FIDO - Siga a Dança... em Oeiras!


O FIDO - Festival Internacional de Dança de Oeiras - arranca este ano com uma programação que já pede meças a outros com mais nome e história. Para se ficar a saber tudo sobre o FIDO, o melhor é visitar o seu site, aqui, mas para se ficar com uma pequena ideia do que vai acontecer por lá, posso dizer que, para além de inúmeras oficinas de danças tradicionais e não tão tradicionais assim (jazz, hip-hop, etc.) e outras actividades, há concertos/bailes com os Monte Lunai, Tor, Tanira (na foto, de Hugo Lima; tirada no seu recente e magnífico concerto no Granitos Folk), Cabaz, Fol&Ar e Mosca Tosca, para além de sessões dançantes com música escolhida por DJ Matt e, pois, hermmmm, hummmm, enfim, António Pires. Promete, pois!

19 Junho, 2009

Rotas e Rituais - Gaiteiros de Lisboa, Master Musicians of Jajouka, Kepa Junkera e Muitos Filmes de Tiago Pereira


A segunda edição do festival Rotas e Rituais - integrado nas Festas de Lisboa - vai, desta vez, incluir concertos dos Gaiteiros de Lisboa (dia 2 de Julho; em apresentação do novo álbum do grupo, que tem como convidados Sérgio Godinho, os Adiafa e Ana Bacalhau, dos Deolinda, entre outros), dos marroquinos Master Musicians of Jajouka (dia 3 de Julho) e do basco Kepa Junkera (dia 4 de Julho), todos no Cinema S.Jorge. Mas, antes disso, também no S. Jorge, de 25 de Junho a 1 de Julho, decorre um extenso ciclo dedicado à obra do realizador Tiago Pereira (neste post: «Mandragora Officinarum». O comunicado acerca deste ciclo, a seguir:

«A mostra reúne 12 filmes, uma vídeo-performance em tempo-real e uma conferência com a presença do realizador. A selecção de filmes apresenta algumas das explorações de Tiago Pereira ao conceito de tradição e às origens da memória colectiva. Incidindo sobre noções de popular, etnografia, e de património imaterial o seu trabalho desafia as convenções formais do cinema e do género documentário, procurando deste modo, criar várias impressões sobre o material recolhido. Os trabalhos apresentados manifestam uma actualização do tradicional alterando a sua natureza para uma noção dinâmica, transmissível e transformadora. O processo criativo de Tiago Pereira revela uma produção insistente de narrativas não lineares, que se dirigem para uma reconciliação da memória contemporânea.Devolver a música ao espaço público da sociedade é uma forma de lembrar a urgência de alfabetizar a memória do futuro. O cruzamento interdisciplinar de ferramentas digitais, frequentemente utilizadas por vjs e performers audiovisuais, com processos artísticos característicos da música tradicional e electrónica, permite a Tiago Pereira desenvolver uma linguagem visual original e estabelecer uma comunicação inovadora entre o passado e o presente.

Programa

24 de Junho

às 22h

B-Fachada Tradição Oral Contemporânea, 2008 (DV, 52’)

Intervalo

Mandragora Officinarum, 2009 (vídeo performance em tempo-real, 40’) www.avmandrake.blogspot.com

25 de Junho

às 22h

Pró Memória – Os Sonotigadores, 2008 (DV, 25’)

Foklore 1, 2008 (DV, 11’)

Manda Adiante, 2007 (DV, 25’)

Intervalo

Pró Memória – Disparem à Vontade, 2005 (DV, 15’)

Meta, 2005 (DV, 25’)

Pró Memória – Povoadores do Tempo, 2004 (DV, 18’)

Foklore 2 – Regadinho, 2008 (DV, 5’)

26 de Junho

às 22h

Pró Memória – Arte da Memoria, 2004 (DV, 15’)

Foklore 3 – Calizio, 2009 (DV, 11’)

11 Burros Caem no Estômago Vazio, 2006 (DV, 26’)

Arritmia, 2007 (DV, 44’)

30 de Junho

às 18h

conferência Rural versus Urbano
O trabalho do realizador e visualista Tiago Pereira incide sobre a riqueza cultural portuguesa. A dicotomia entre contemporâneo e rural muitas vezes reveladas nas suas obras, reúne dinâmicas que permitem analisar e reflectir sobre processos de construção de identidade nas comunidades que nos rodeiam. As recolhas etnográficas que realiza, são objectos fundamentais porque reveladoras do grau de impermanência da sua cultura. Em termos de memorização, o seu trabalho mostra como é necessário documentar porque a população está a modificar-se, pelo contacto de culturas ou porque a tradição se vai perdendo. No entanto, é preciso ver a tradição como um fenómeno dinâmico e sofisticado, e a transformação de hábitos e valores como um aspecto saudável da sociedade contemporânea. Esta conferência irá reflectir sobre novas correntes de pensamento criativo, os impactos que as linguagens visuais têm vindo a produzir na aquisição de conhecimento, e nos processos de representação envolvidos na construção de identidade colectiva, num país com um interior cada vez mais desertificado e um litoral acentuadamente sobrepopulado»



--
Tiago Pereira

Realizador e Visualista, desenvolveu desde cedo uma linguagem própria na documentação, recolha, mistura de som e imagem animada. Investiga o conceito de tradição e as fundações da memória colectiva. Os seus filmes são de origem transdisciplinar e remetem para manifestações de cultura imaterial, como as canções, rituais e performances de raiz popular portuguesa. Tiago Pereira recebeu vários prémios nacionais e internacionais pelos filmes Quem Canta Seus Males Espanta (1998), Sonotigadores de Tradições (2003), e 11 Burros Caem Num Estômago Vazio (2006). A sua consistente produção de formas inovadoras de comunicação revelam a fusão tecnológica que caracteriza o seu processo artístico e que altera espartilhos formais nos meios que utiliza. Desde 2004 trabalha em vídeo em tempo-real como VJ em projectos musicais, como OMIRI, uma colaboração com o músico Vasco Ribeiro Casais, e criando media live acts onde desenvolve o conceito “virtual scratch” de áudio e vídeo em simultâneo. Estas performances visuais são uma oportunidade única para conhecer o conceito de vídeo-narrativa em tempo-real e uma experiência pós-cinemática pioneira».

Mais informações, aqui.

18 Junho, 2009

FMM de Sines - Iniciativas Paralelas


Para além do riquíssimo programa de concertos em Porto Covo, no CAS, na Av. da Praia e no Castelo, o FMM de Sines (de 17 a 25 de Julho) apresenta também uma série de outras iniciativas (exposições, DJs, filmes, debates, conversas com artistas, uma estação de rádio própria...). E, como este até é um blog pessoal (para além de informativo), vou puxar a brasa à minha sardinha - ou, em opção, ao meu choco frito - e chamar a atenção para a noite de véspera de encerramento, em que este escriba e o seu amigo espanhol DJ Cucurucho vão animar a festa com uma sessão de DJ que, prevejo eu, com toda a humildade, vai ser uma festa pegada. O encerramento, como sempre, vai ficar a cargo dos meus queridos amigos do Bailarico Sofisticado. E muitos outros amigos estarão igualmente por lá: o Tiago Pereira a mostrar filmes; o Luís Rei e a Raquel Bulha a fazerem rádio para o festival; o José Sérgio e o Mário Pires a mostrarem as suas fotos...

Todos os pormenores no comunicado oficial:


«FMM 2009: INICIATIVAS PARALELAS

“CARAVANÇARAI”, 10 ANOS DE FMM EM FOTOGRAFIA

Centro de Artes de Sines. 11 de Julho a 23 de Agosto. Todos os dias, 14h00-20h00. Entrada livre.

Tal como os caravançarais do deserto, também o Festival Músicas do Mundo é um ponto de encontro que procura ser generoso para os viajantes, oferecendo-lhes guarida e mantimentos para que continuem a sua busca. Oriundos de todas as partes do mundo, reúnem-se aqui os músicos e os espectadores mais aventureiros, unidos por um elo imaterial que se foi formando ao longo dos anos e que faz do FMM hoje, mais do que um evento, uma comunidade. Nesta exposição, os músicos são os protagonistas - especialmente naqueles momentos em que o êxtase da música lhes faz sair a alma pelos poros, pela boca, pelos olhos - mas não são esquecidos todos os outros homens e mulheres que souberam transportar dentro de si o espírito FMM ao longo de 10 anos. É o espectáculo humano do FMM captado por 11 fotógrafos que, nas mais diferentes qualidades, acompanharam o festival: António Melão, Bruno Fonseca, Enrique Vives-Rubio, Fred Huiban, José Manuel Rodrigues, José Sérgio, Mário Pires, Miguel Madeira, Rita Carmo, Sofia Costa e Tiago Canhoto.

CICLO DE CINEMA DOCUMENTAL

Centro de Artes de Sines. 22 a 25 de Julho. Sessões às 15h00. Entrada livre.

22: “B FACHADA, TRADIÇÃO ORAL CONTEMPORÂNEA” E “MANDRAKE”, DE TIAGO PEREIRA

Projecção de dois documentários do jovem realizador Tiago Pereira: o primeiro parte do músico pop B Fachada para reflectir sobre a tradição oral e o que sustenta (ou não) as dicotomias urbano x rural e criação individual x criação colectiva; o segundo sobrepõe e intersecta música feita hoje com recolhas de rituais arcaicos, muitos deles de carácter mágico.

23 E 24: “MUSIC OF RESISTANCE”, DE JASON BRECKENRIDGE - AL JAZEERA

Filmada em vários pontos do mundo, do deserto do Sahara a Lisboa, a série “Music of Resistance”, produzida por Jason Breckenridge para a cadeia de televisão Al Jazeera, aborda a música como força de mudança política. Apresentados por Steve Chandra, figura central da Asian Dub Foundation, veremos no FMM os seis episódios que a compõem: os primeiros três (Asian Dub Foundation, Tinariwen e Seun Kuti), na tarde de 23 de Julho; os restantes (Massoukos, Chullage e AfroReggae), na tarde de 24 de Julho. Cada sessão tripla tem uma duração de 68 minutos.

25: “É DREDA SER ANGOLANO”, PELO COLECTIVO RÁDIO FAZUMA

Inspirado no disco "Ngonguenhação", do Conjunto Ngonguenha, "É Dreda Ser Angolano" propõe uma viagem informal pela paisagem musical e humana da nova Angola em forma de "mambo tipo documentário".

ATELIÊS PARA CRIANÇAS

Centro de Artes de Sines. 20 a 25 de Julho. Às 11h00. Para crianças dos 6 aos 12 anos. Gratuito, mediante inscrição no balcão do Centro de Artes.

20: PORTICO QUARTET

O quarteto revelação do jazz britânico apresenta as suas ideias sobre música e mostra às crianças o misterioso instrumento que torna o seu som tão especial, o “hang”.

21: CARMEN SOUZA

Entre Cabo Verde e Portugal, entre o jazz, a soul e os ritmos africanos, Carmen Souza explica às crianças como é viver entre tantas músicas e tantas culturas.

22: UXÍA

Uxía não é apenas uma das maiores cantoras ibéricas, é também uma artista empática e inspiradora que não vai deixar de cativar as crianças que se inscreverem para o seu ateliê.

23: RAMIRO MUSOTTO

Com um arame, uma vara de madeira e uma cabaça se faz um berimbau. Ramiro Musotto, um dos seus maiores mestres, mostra os encantos de um instrumento fantástico.

24: WARSAW VILLAGE BAND

Filha de Wojtek e Maja, a pequena Lena inspirou uma nova fase da banda polaca Warsaw Village Band. Neste ateliê, os músicos pegam nos seus instrumentos e explicam porquê.

25: BIBI TANGA

Toda a grande música africana e afro-americana encontra espaço dentro do coração de Bibi Tanga (na foto). Agora é altura de partilhar essa paixão num ateliê que vai surpreender os mais novos.

CONVERSAS COM ARTISTAS

Escola das Artes de Sines. 18, 19, 23, 24 e 25 de Julho. Às 14h30. Entrada livre.

18: DELE SOSIMI

Companheiro de Fela e Femi Kuti, o teclista e director de orquestra Dele Sosimi fala do percurso que tem traçado no movimento Afrobeat e de como projecta o seu futuro.

19: DAARA J FAMILY

O “tasso” senegalês é a forma original do rap? Esta e outras perguntas são o ponto de partida para uma conversa com um dos mais estimulantes grupos africanos da actualidade.

23: CHUCHO VALDÉS

Embora pequena, Cuba foi uma das nações que mais contribuiu para o património da música popular do século XX. Chucho Valdés, uma das suas maiores figuras, explica porquê.

24: DEBASHISH BHATTACHARYA

Qual é o papel da “slide guitar” na música indiana? O que torna a música indiana especial e tão fascinante para os ocidentais? O público pergunta e o mestre Debashish responde.

25: CHICHA LIBRE

O que leva músicos nova-iorquinos a iniciar um projecto de recuperação de um estilo nascido na Amazónia peruana dos anos 70? Nesta conversa, resolve-se o mistério.

ATELIÊS DE INSTRUMENTOS

Escola das Artes de Sines. 20, 21 e 22 de Julho. Inscrição na Escola das Artes: 5 euros para alunos da Escola das Artes e 20 euros para não alunos.

20: ZÉ EDUARDO (CONTRABAIXO) 14h30

Poucos contrabaixistas na Europa têm um percurso tão rico quanto Zé Eduardo. Para todos os interessados pelo instrumento, será um privilégio dialogar com ele e colher os seus ensinamentos.

21: JOÃO AIBÉO (TUBA) 14h30

A tuba é o maior e um dos mais expressivos sopros metálicos. Neste ateliê, João Aibéo ajuda a ir mais além na exploração da originalidade sonora de um verdadeiro “bom gigante” musical.

22: JOÃO FRADE (ACORDEÃO) 11h00

Um dos melhores acordeonistas nacionais, primeiro classificado em mais de 20 competições de acordeão em todo o mundo, João Frade mostra a sua visão de um instrumento de grande potencial e modernidade.

22: PEDRO MESTRE (VIOLA CAMPANIÇA) 14h30

Natural de Castro Verde, Pedro Mestre é um apaixonado pela música tradicional alentejana e um perito da viola campaniça, instrumento cujos segredos partilha neste ateliê a não perder.

DJ'S

RÁDIO FMM AO VIVO, COM LUÍS REI E RAQUEL BULHA

Em 2009, vai haver um modelo diferente de animação musical dos finais de tarde. Luís Rei, autor do site mais activo na área das músicas do mundo, www.cronicasdaterra.com, e, nos dias 17 e 18, Raquel Bulha, uma das maiores divulgadoras deste género de música na rádio portuguesa (Antena 3), são DJ’s, MC’s, apresentadores e entrevistadores e tudo o mais que lhes der na gana numa rádio FMM ao vivo instalada em vários espaços urbanos centrais do festival.

17 de Julho - Largo Marquês de Pombal (Porto Covo), das 18h00 às 21h00

18 de Julho - Largo Marquês de Pombal (Porto Covo), das 18h00 às 21h00

19 de Julho - Largo Marquês de Pombal (Porto Covo), das 18h00 às 21h00

20 de Julho - Exterior do Centro de Artes (Sines), das 18h00 às 21h00

21 de Julho - Exterior do Centro de Artes (Sines), das 18h00 às 21h00

22 de Julho - Largo Poeta Bocage (Sines), das 18h00 às 21h00

SETS DE DJ’S

23: RMA (RDP ÁFRICA - ÁFRICA ELÉCTRICA) E MR_MUTE (DEUBREKA)

Avenida Vasco da Gama. 23 de Julho. 04h00 às 06h00. Entrada livre

Com o programa África Eléctrica, na RDP África, Rui Miguel Abreu (RMA) tem explorado o legado urbano da África dos anos 60 e 70. Neste Dj set, propõe viajar pelo afrobeat, afro-funk, afro-disco, juju, highlife e seus derivados. Ao seu lado estará Mr_Mute, referência emergente no lado mais funky da noite lisboeta com quem RMA já partilhou muitas viagens.

24: ANTÓNIO PIRES + TONI POLO

Avenida Vasco da Gama. 24 de Julho. 04h00 às 06h00. Entrada livre

Chamam-se os dois Antónios, mas um é espanhol e o outro é português: Toni Polo (aka DJ Cucurucho), dos Groovalizacion DJs, e António Pires. Juntos, cruzam sonoridades de todo o mundo (flamenco, Balcãs, música africana dos anos 60 e 70, bhangra, cumbia, funk carioca, ska, kuduro, hip-hop e muito mais) num alegre, vibrante e dançável duelo ibérico.

25: BAILARICO SOFISTICADO

Avenida Vasco da Gama. 25 de Julho. 04h00 às 07h00. Entrada livre

Tal como vem acontecendo desde 2006, a despedida do FMM 2009 faz-se ao som do trio de DJ’s Bruno Barros, Pedro Marques e Vítor Junqueira. “Imagine-se que durante umas horas poder-se-iam apagar fronteiras com uma borracha, acender fogos com dois calhaus e ser-se de qualquer tribo, da África à Europa de Leste, passando por Brooklyn e praias tropicais. É que desde 1999 que se pode ser cidadão do mundo com um Bailarico Sofisticado assim.” (Joana Batista)

ENCONTRO COM MIA COUTO E JOSÉ EDUARDO AGUALUSA

Centro de Artes de Sines. 20 de Julho. Às 18h00. Entrada livre. Org. Livraria a das artes. Apoio Câmara Municipal de Sines

Numa organização da livraria a das artes, a propósito da comemoração do seu sexto aniversário, o Centro de Artes de Sines acolhe uma apresentação de livros invulgar: Mia Couto apresenta “Barroco Tropical”, o novo romance de José Eduardo Agualusa, e José Eduardo Agualusa apresenta “Jerusalém”, o novo romance de Mia Couto. Angola, Moçambique e todo os espaço da lusofonia, visões cruzadas, cumplicidades, discordâncias, numa ocasião única para conversar com dois dos maiores escritores de língua portuguesa da actualidade.

ANIMAÇÃO DE RUA:

SKALABÁ TUKA SINES, PORTUGAL

Uma das cidades com maior tradição carnavalesca do país, Sines apresenta no FMM o grupo de bateria de samba e batucada Skalabá Tuka, ligado à bateria “Pelicanos da Baia”, criada em 1999 pelas mãos do mestre Reinaldo Nunes, fundador de várias escolas de samba em Portugal. Depois de alguns períodos de paragem, o grupo tem actualmente como mentores João Matos e Alexandre José e desenvolve as suas actividades com a parceria da Escola das Artes de Sines e o apoio da Siga a Festa - Associação de Carnaval. As apresentações programadas são:

Porto Covo: 17 de Julho, 17h30

Porto Covo: 19 de Julho, 21h00

Sines (Lg. Poeta Bocage): 22 de Julho, 17h30 e 21h00

Sines (Av. Vasco da Gama): 23 de Julho, 19h00»

Mais informações, aqui.

16 Junho, 2009

Tinariwen e Sun Ra Arkestra no Arrábida World Music Festival


Os malianos Tinariwen (na foto, de Eric Mullet) - que vão apresentar o seu novo álbum, «Imidiwan: Companions» -, a Sun Ra Arkestra (que agrupa músicos que acompanharam o mítico, e místico!, teclista Sun Ra), o cabo-verdiano Tcheka, o iraniano-português Mazgani, Paulo Furtado na pele de The Legendary Tiger Man, os Heavy Trash (a fabulosa explosão de blues eléctricos de Jon Spencer e Matt Verta-Ray) e DJ Café del Mar são os nomes que integram o cartaz do nóvel Arrábida World Music Festival, que decorre no Forte de S.Filipe, Setúbal, nos dias 3 e 4 de Julho. Seguem-se as informações mais relevantes sobre o festival:

«Dia 3 de Julho

PALCO WORLD
Tinariwen
Tcheka

PALCO BLUES
Legendary Tiger Man

LOUNGE - CAFÉ DEL MAR(IBIZA)
DJ Café del Mar

Dia 4 de Julho

PALCO WORLD
Sun Ra Arkestra
Mazgani

PALCO BLUES
Heavy Trash


O AWM - Arrábida World Music Festival 2009 assume-se como um desafio da Câmara Municipal de Setúbal no sentido de projectar a região e as suas potencialidades geográficas, culturais e sociais, bem como, criar e associar à mesma um evento de culto que se pretende diferenciado e capaz de se afirmar como um dos principais acontecimentos temáticos a nível nacional.

Criar um projecto único para uma região em permanente evolução, com qualidades reconhecidas, contribuirá decisivamente para a captação de novos públicos e para a afirmação da Península de Setúbal numa vertente cultural e de entretenimento indispensável à valorização da mesma.

O cenário sugerido é o da Serra da Arrábida que lhe dá o nome, propondo-se o mítico Forte de S. Filipe com o Rio Sado como pano de fundo como palco principal deste projecto.

Proporcionar emoção e uma experiência única com algum arrojo, através de uma abordagem "vegetal", orgânica e global, constitui a motivação para a criação de uma identidade própria.

O Arrábida World Music Festival é o evento da marca "Setúbal. É um Mundo".

O recinto idílico do Forte de S. Filipe envolvido numa mística única foi programado criteriosamente por uma equipa de produção que definiu o layout numa perspectiva de total convívio com os diversos momentos do Festival. Para isso foram criados 2 espaços específicos:
Zona 1 - Zona Lúdica

Área lúdica de acesso para o grande público conviver directamente com o espírito do festival. Aqui irá encontrar artesanato e restauração do mundo e um playground para os mais jovens. Poderá ainda fazer uma visita às catacumbas do castelo numa viagem em que tudo pode acontecer».

Mais informações, aqui.

10 Junho, 2009

Passatempo Tocar de Ouvido - Há Dois Bilhetes à Borla!


O Raízes e Antenas tem dois bilhetes (individuais) do festival Tocar de Ouvido para oferecer aos seus leitores. Os bilhetes são válidos para os três dias e destinam-se aos dois leitores que manifestarem a intenção de ir ao festival na caixa de comentários deste post. O Tocar de Ouvido, recorde-se, decorre na Arena de Évora, de 18 a 20 de Junho, com a presença das Leilía (na foto), Rabih Abou-Khalil com Ricardo Ribeiro, Kepa Junkera, Dazkarieh, Sara Tavares e A Barca, para além das já tradicionais oficinas de instrumentos (e outras actividades) que o festival costuma apresentar.

Todas as informações, aqui.

09 Junho, 2009

Festival Aire Folk - Danças Tradicionais em Alcanena


E mais um festival especialmente dedicado às danças tradicionais: o Aire Folk, cuja segunda edição se realiza de 19 a 21 de Junho, em Alcanena. Na ementa estão os Mu e Mosca Tosca (dia 19), Alfa Arroba e Fol&ar (dia 20) e a No Mazurka Band (dia 21; na foto). O comunicado, outras actividades e as intenções:

«Aire Folk - Festa do Solsticio: 19, 20, 21 Junho 2009
- praia fluvial dos olhos d'água, alcanena (torres novas)

A associação Covaltas organiza a segunda edição do festival Aire Folk, na belissima praia fluvial olhos d'água, junto das nascentes do rio alviela, no concelho de alcanena. Para esta segunda edição com com parcerias da associação tradballs, do centro de ciência viva do alviela e da câmara municipal de alcanena, entre outros...

O festival será presenteado com inúmeras activadades desde passeios pedrestes, workshops de dança, actividades de relaxamento, visitas ao carsocópio, noites de morcegos, alteliês para crianças, jogos tradicionais e para finalizar as noites bailes de raíz tradicional.

O festival tem um parque de campismo gratuito para todos os participantes do festival.

bilheteira a partir das 20H00:
bilhete geral (duas noites): 15 €
bilhete simples (uma noite): 10 €».


Mais informações, aqui.

08 Junho, 2009

Festival Ollin Kan - A Segunda Edição


Depois da primeira edição, o ano passado, ter superado todas as expectativas, a extensão portuguesa do super-festival mexicano Ollin Kan já tem local, datas e programação definidas. É em Vila do Conde (mais uma vez), entre 16 e 18 de Julho e os artistas e bandas participantes estão todos no comunicado oficial:

«2ª EDIÇÃO DO FESTIVAL OLLIN KAN

VILA DO CONDE (Centro Histórico) | 16, 17 E 18 DE JULHO | 22HORAS (Entrada Livre)

Participações de: Portugal, Holanda, Gana, Espanha, Paraguai, México, Áustria, Brasil e Cabo Verde

Programação

16.Julho.2009

3 MARIAS | Portugal | das 21h30 às 22h00

LEILA NEGRAU (na foto) | Reunião | das 22h00 às 22h45

TANGO EXTREMO | Holanda | das 22h45 às 23h30

ATONGO ZIMBA | Gana | das 23h30 às 02h00

17.Julho.2009

BILAN | Cabo Verde | das 21h30 às 22h00

CELSO DUARTE| Paraguai/México | das 22h00 às 22h45

HOTEL PALINDROME | Áustria | das 22h45 às 23h30

LA SELVA SUR | Andaluzia | das 23h00 às 02h00

18.Julho.2009

FREI FADO D’EL REI | Portugal | das 21h30 às 22h00

EL TIO CARLOS | Catalunha | das 22h00 às 22h45

CABEZAS DE CERA | México | das 22h45 às 23h30

COMUNIDADE NIN JITSU | Brasil | das 23h30 às 02h00»

Mais informações, aqui.

05 Junho, 2009

Festival Ecos da Terra - Celorico de Basto, em Agosto


Só tem bandas portuguesas, mas são uma espécie de Selecção A do que de melhor se faz por cá com as músicas de raízes tradicionais (sejam elas portuguesas ou não). E isso é muito bom! O Festival Multicultural de Música Tradicional de Celorico de Basto, ou, resumindo, Festival Ecos da Terra, decorre nos dias 21 e 22 de Agosto, na Quinta do Prado, e inclui concertos, no primeiro dia, dos Roncos do Diabo, Semente, Uxu Kalhus e Mu (na foto, de Hugo Lima), enquanto no segundo actuam os Mosca Tosca, Pé na Terra, Djamboonda e OliveTree (aka OliveTree Dance). Segundo os seus organizadores, o festival tem como «objectivo a divulgação de novos conceitos à região de Basto e dar a conhecer o que de bom tem a nossa terra, desde a beleza paisagística, passando pela gastronomia, ao artesanato e claro as maravilhosas gentes de Basto. Conceitos esses que vão desde a música, passam pela dança e teatro, aos usos e costumes, à arte, aos produtos tradicionais e à conservação da natureza. Em termos musicais, é de nosso interesse promover a música tradicional portuguesa, assim como as mais variadas músicas do mundo. Gostaríamos também de poder oferecer ao público, várias demonstrações/workshops de vários instrumentos e danças, pois o festival irá ter a duração de 2 dias (dia/noite). O local onde o festival terá lugar será ao ar livre numa bonita quinta no centro da bonita vila de Celorico de Basto».

Mais informações, aqui.

04 Junho, 2009

Em Julho, Há World Music na LX Factory


É pena que coincida com o FMM de Sines, mas, para primeira edição, o cartaz do World Music Festival LX'09 - que decorre de 14 a 19 de Julho, com organização da Ler Devagar, na LX Factory (Alcântara), Lisboa - não é nada mau, não senhor! Vejamos: por esses dias actuam neste festival a SpokFrevo Orquestra (Brasil), Júlio Pereira (Portugal), Kasai Masai (Congo), Dobet Gnahoré (Costa do Marfim), Stewart Sukuma (Moçambique; na foto, de Werner Puntigam) e Bassekou Kouyate (Mali). Para além disso, o festival inclui lançamentos de livros e discos com os artistas, artes de rua, gastronomia dos países dos artistas participantes e uma «intervenção gráfica com base nas estátuas da cidade de Lisboa». Mais informações, aqui.

03 Junho, 2009

Música Africana - Três Edições Fundamentais


Nos últimos meses foram editados - ou distribuídos - em Portugal três álbuns importantíssimos de música africana: o álbum de estreia do grupo congolês Staff Benda Bilili (na foto), o terceiro do grupo semi-queniano semi-norte-americano Extra Golden e a caixa «Memórias de África», que agrupa muitas gravações antigas efectuadas nas ex-colónias portuguesas de África nos anos 60 e 70. A propósito de todos eles, aqui recupero três textos meus editados originalmente na «Time Out Lisboa» há algum tempo.

Extra Golden
«Thank You Very Quickly»
Thrill Jockey/Edel

No já longo namoro do pop/rock anglo-saxónico com músicas «estranhas» ou «exóticas» - de George Harrison, Brian Jones, Mickey Hart, Robert Plant, Peter Gabriel, David Byrne, Paul Simon ou Jah Wobble aos... Beirut e aos Vampire Weekend -, os Extra Golden assumem agora a dianteira de um movimento que, neles, é tão natural quanto a soma aritmética das partes: dois norte-americanos e dois quenianos (os primeiros com circuito feito no rock indie ianque; os outros dois herdeiros directos da música benga do Quénia e continuadores dos ensinamentos de um dos fundadores dos Extra Golden, Otieno Jagwasi, entretanto falecido) chegam a este terceiro álbum com o seu som apuradíssimo: doses semelhantes de benga, juju music, merengue, por um lado, e funk, rock psicadélico (e há ali um órgão saído dos Doors!) e guitarras eléctricas em distorção, por outro. *****


Staff Benda Bilili
«Trés Trés Fort»
Crammed Discs/Megamúsica

Mais um OVNI musical a sair de Kinshasa, na República Democrática do Congo - a juntar aos Kasai Allstars, Konono Nº1 e outros grupos da fornada Congotronics -, o Staff Benda Bilili é um grupo de músicos de rua, sem-abrigo, que costuma actuar para os turistas e visitantes do Jardim Zoológico de Kinshasa. Paraplégicos, vítimas de poliomelite, pedintes... Vistas assim as coisas até parece que o efeito «Dona Rosa» está a render no circuito da world music. E rende! Mas há aqui, no Staff Benda Bilili, qualquer coisa mais: uma música verdadeira e eléctrica, rude mas bela muitas vezes, que não se envergonha de citar descaradamente músicas exteriores (James Brown, de maneira óbvia... e o reggae, o ié-ié francês dos anos 60, o rock'n'roll...) nas suas canções, em tudo o resto profundamente africanas - com acento óbvio na rumba congolesa tal como prescrita por Franco. ****


Vários
«Memórias de África»
Difference/Farol

A crise da indústria discográfica, inclusive na chamada world music, até tem um lado muito bom: a necessidade de garimpagem de gravações perdidas em arquivos de editoras, rádios, estúdios, etnomusicólogos ou museus. E, dessa garimpagem, já muitas pérolas musicais esquecidas regressaram à luz do dia. Há milhentos exemplos mas, só para se situar, pode-se falar da série «Éthiopiques», das redescobertas da Mr Bongo ou das sucessivas reedições de gravações antigas de música jamaicana da Soul Jazz Records. E isso é bom! Assim como tem sido muito bom a esforço de estruturas nacionais que estão a pôr no mercado objectos historicamente irrepreensíveis como a caixa «Angola» ou a colectânea «Os Reis do Semba», ou exteriores, como o álbum «Rádio Mindelo», de Cesária Évora enquanto jovem. Agora, e através do trabalho de pesquisa incansável da Difference, surge outro marco, ainda maior, desta busca por uma música antiga que quer ser ouvida nos dias de hoje: os quatro CDs «Memórias de África» reúnem dezenas de gravações feitas em todas as ex-colónias portuguesas de África nos anos 60, 70 e inícios de 80, que lançam pontes óbvias, e necessárias, entre nomes do passado e as músicas do presente. Ouvem-se os merengues e os sembas de Elias Kimuezo ou Carlos Lamartine e já se imaginam kizombas e kuduros. Ouvem-se as mornas e as coladeiras de Bana ou Ana Firmino e já se estão a ouvir as canções de Orlando Pantera e as vozes de Tcheka e Mayra Andrade. Ouvem-se as marrabentas moçambicanas e sabe-se logo onde os Gorwhane, Mabulu ou Massukos foram beber a inspiração. E ouvem-se as músicas, estas ainda mais desconhecidas, da Guiné-Bissau e de São Tomé e Príncipe, e agradece-se a quem deu voz a estas memórias... *****

02 Junho, 2009

Tocar de Ouvido - Com Kepa Junkera, Dazkarieh, Leilía, A Barca, Rabih Abou-Khalil...


A edição mais ambiciosa de sempre - e ainda bem! - do festival Tocar de Ouvido, organizado pela Pé de Xumbo, decorre na Arena de Évora, de 18 a 20 de Junho, com a presença das Leilía, Rabih Abou-Khalil com Ricardo Ribeiro, Kepa Junkera, Dazkarieh, Sara Tavares e A Barca (na foto), para além das já tradicionais oficinas de instrumentos (e outras actividades) que o festival costuma apresentar. O comunicado oficial:


«Tocar de Ouvido
Festival Internacional de Música de Évora
18 a 20 de Junho
A grande reunião dos Tocadores e dos Instrumentos

Aprender concertina com Kepa Junkera e Artur Fernandes? Tocar Gaita-de-foles com Joaquim Roque? Cantar e tocar com as Leilia? E que tal aprender Rabeca, Pandeiro, Percussão Corporal ou Violão com alguns dos melhores músicos do Brasil?

De 18 a 20 de Junho, integrado na Feira de São João, o Tocar de Ouvido - Festival Internacional de Música de Évora, recebe grandes nomes das Músicas do Mundo, com os concertos na Arena d'Évora e oficinas, colóquios, exposições e documentários em vários pontos da cidade.

No dia 18, Dazkarieh e Sara Tavares inauguram o cartaz; no dia 19, é a vez de A Barca (Brasil) seguida de Rabih Abou Khalil e Ricardo Ribeiro (Líbano / Portugal). O dia 20 termina em grande festa com as Leilia (Galiza) e Kepa Junkera (País Basco). E para além dos concertos, ainda haverá oficinas com estes músicos!...


Formadores das Oficinas

Concertina/Trikitixa Artur Fernandes e Kepa Junkera
Gaita-de-fole Joaquim Roque e Francisco Pimenta
Pandeireta e Canto galego Felisa Segade (Leilía)
Voz Juçara Marçal e Sandra Ximenez (A Barca)
Violão brasileiro e composição Chico Saraiva (A Barca)
Rabeca Thomas Rohrer (A Barca)
Pandeiro e Ritmos brasileiros Ari Colares (A Barca)
Percussão Corporal Marcelo Pretto (A Barca)
Miixer Bitocas

Colóquios, Documentários e Exposições

E porque o saber não ocupa lugar, os dias serão também pontuados com conversas informais, colóquios e projecção de documentários sobre as músicas de raiz: no dia 18, "Joaquim Roque - a Vida de um Gaiteiro"; no dia 19, "Tradições do Futuro", com Victor Fernandes e O Mistério das Vozes Vulgares e no dia 20, "A Barca: reachamento do Brasil". Durante todo o festival estará patente na Biblioteca Pública de Évora a exposição "Homem, Terra, Música e Cordas", de Lia Marchi e Zig Coch, sobre a música tradicional do Brasil e que inclui a projecção dos últimos documentários desta autora, nos dias 19 e 20.

O Tocar de Ouvido é organizado pela Associação Pédexumbo em parceria com a Associação Gaita-de-foles, d'Orfeu Associação Cultural e tem o apoio da Câmara Municipal de Évora».

Mais informações, aqui.

01 Junho, 2009

Antonio Rivas Continua festIM (e há mais bilhetes para oferecer!)


O festIM - Festival Intermunicipal de Músicas do Mundo - continua este sábado, dia 6, com um concerto do cantor e acordeonista colombiano Antonio Rivas (na foto), acompanhado pelos seus Vallenatos, no Centro das Artes e do Espectáculo de Sever do Vouga. O Raízes e Antenas associa-se à festa e tem dois bilhetes individuais para oferecer às duas pessoas que mais rapidamente mostrarem o seu desejo de ir a este concerto na caixa de comentários aqui em baixo. O festIM, recorde-se, tem organização da d'Orfeu e, durante os meses de Maio, Junho e Julho, apresentou ou apresentará também concertos de Manecas Costa, Hermeto Pascoal, Kepa Junkera, Le Vent du Nord, Musafir - Gypsies of Rajasthan e Amsterdam Klezmer Band, em Águeda, Sever do Vouga, Estarreja, Ovar, Oliveira do Bairro, Albergaria-a-Velha e Aveiro. Mais informações, aqui.

28 Maio, 2009

Med de Loulé 2009 - A Ementa Principal


E mais uma grande notícia! Os dois palcos principais do Med de Loulé - que se realiza mais uma vez em finais de Junho - incluirão concertos de Rabih Abou-Khalil (Líbano) com o fadista Ricardo Ribeiro (Portugal), Moriarty (Estados Unidos) e Bajofondo Tango Club (Argentina/Uruguai), no dia 24; Eneida Marta (Guiné-Bissau), Ojos de Brujo (Catalunha) e Horace Andy & Dub Asante (Jamaica), no dia 25; Donna Maria (Portugal), Orquestra Buena Vista Social Club (Cuba), Pitingo (Espanha) e DJ Click (França), no dia 26; Siba e a Fuloresta (Brasil), Camané (Portugal), Lura (Cabo Verde) e o duo de Justin Adams & Juldeh Camara (Inglaterra/Gâmbia), no dia 27; Kluster - um dos inúmeros projectos de Kimmo Pohjonen (na foto, de Vertti Teräsvuori) - com o Proton String Quartet (Finlândia), Stewart Copeland (o ex-baterista dos Police) com La Notte Della Taranta (Inglaterra/Itália/Grécia) e, finalmente, Rokia Traoré (Mali). De lamentar, apenas, a ausência forçada da cantora argentina Mercedes Sosa, devido a doença. Entretanto, para os sempre activos e cheios de música palcos secundários do Med estão confirmados oficialmente os Mu e Filipa Pais, mas as Crónicas da Terra avançaram já com outros nomes: Son De Nadie, N’Sista, Phillarmonic Weed, Mariária e Oco.

27 Maio, 2009

Melech Mechaya - Vem Aí o Álbum de Estreia!


«Budja Ba», o álbum de estreia dos Melech Mechaya está por dias! E, como tive o prazer e a honra de escrever o texto de apresentação do álbum, aqui vai ele, na íntegra:

«Melech Mechaya

1º álbum, «Budja Ba», à venda em Junho. Festa de lançamento no dia 13.

Já ninguém questiona que músicos e cantores portugueses se dediquem ao death-metal, ao drum'n'bass, ao hip-hop, ao jazz ou à música erudita. São géneros conhecidos, alguns mais populares que outros, mas que já não causam surpresa ou estranheza. Mas que raio é que leva cinco rapazes portugueses - e nenhum deles judeu, apesar de Miguel Veríssimo, o clarinetista, achar que teve um tetravô que o era - a escolher o klezmer, um género nascido há centenas de anos nas comunidades judaicas do centro e leste europeu, como a sua música de eleição?

Respostas: primeiro o acaso; e depois uma paixão profunda por esta música antiga e estranha, por eles misturada com outras músicas de que também gostam. O guitarrista André Santos e o violinista João Graça, colegas no Conservatório Nacional, receberam de um professor um livro com temas klezmer, que foram depois incluídos em espectáculos do duo de chorinhos brasileiros que André partilhava com o clarinetista Miguel. E gostaram tanto desses temas - o tradicional «Bulgar de Odessa» ou «Misirlou», tornado mundialmente famoso na versão de Dick Dale - que juntaram mais três amigos para tocar um reportório klezmer completo: João Graça no violino, Francisco Caiado na percussão e João Novais (aka João Sovina) no contrabaixo.

O primeiro ensaio, em Novembro de 2006, correu tão bem que - apesar de cada um deles ter outros projectos musicais e ter uma vida profissional activa (nos MM há um economista, um médico, um arquitecto, um biólogo e um professor de música) - logo se lançaram à aventura dos concertos, uma aventura que já os levou a actuar na Festa do Avante, Festival Etnias (Porto), Festival Andanças, Centro Cultural Vila Flor (Guimarães), Cabaret Maxime (Lisboa), Allariz e Santiago de Compostela e Festival Músicas do Mundo de Vilagarcía de Arousa (Galiza), Festival Ritmus (Açores), Espaço Celeiros (Évora) ou num concerto em nome próprio no Santiago Alquimista, em Dezembro passado, que esgotou por completo esta sala da Costa do Castelo. Concertos - cerca de 60 em dois anos de existência - que são uma festa pegada, cheios de dança, sorrisos e suor. E, proximamente, os MM actuam no Festival Granitos Folk (Porto, 12 de Junho), no Teatro da Comuna (Lisboa, 13 de Junho, lançamento do disco), no FMM de Sines (25 de Julho) e na Špancirfest (Croácia, 25 de Agosto).

O seu álbum de estreia, «Budja Ba», chega agora, no tempo certo. E nele, os Melech Mechaya - que se dizem tão influenciados pelos seminais Klezmatics como pelos Beatles, o guitarrista Django Reinhardt ou os Masada de John Zorn - partem do klezmer para visitar outras músicas que lhe são próximas: a música dos ciganos dos Balcãs, a música turca e árabe, mas também o jazz manouche, o flamenco, o tango ou o fado. Fado? Ah, pois, afinal sempre há lá uma ligação à música portuguesa, no tema «Fado Tantz». E se calhar ainda há outra, ainda mais subliminar, mais subtil: oiça-se o início de «Dodi Li», um tradicional klezmer, e veja-se como este tema está ligado a «Oi Khodyt Son Kolo Vikon» (uma canção de embalar ucraniana) e este a «Summertime» (de George Gershwin, que ao jazz juntava as suas influências judaicas). O mesmo «Summertime» que foi a inspiração maior de Carlos Paredes para a «Canção Verdes Anos». E há lá coisa mais portuguesa que a «Canção Verdes Anos»?

Entre tradicionais klezmer e originais compostos pelo grupo, «Budja Ba» inclui os temas «Dodi Li», «Fanfarra», «Bulgar de Almada», «Nigun 7», «Dança do Desprazer», «Sweet Father», «(Rad Halaila)», «Budja Ba», «Fado Tantz», «Na Festa do Rabi», «Freylach 6.8», «Hava Nagila», «(Melodia da Rua)», «Cravineiro», «Sabituar» e «Harmónica». Os arranjos e a produção são do próprio grupo, que teve como convidadas em alguns temas as Tucanas (vozes, percussões e acordeão) e as vozes de Noémia Santos, Ana Sousa e Irina Santos. A edição é da Ovação.

As canções de «Budja Ba», uma a uma:

DODI LI
Ouvimos uma versão desta música pelo Freylekh Trio e gostámos muito dela. Fizemos o arranjo, muito simples só com violino e contrabaixo, e passámos a abrir os espectáculos (e agora o disco) com ela.

FANFARRA
A ideia para esta música surgiu durante o concerto da Fanfare Ciocarlia na Festa do Avante em 2007, e foi feita em jeito de homenagem à banda, com ritmo sincopado e melodia ornamentada que costumam caracterizar os Ciocarlia. Funciona quase sempre colada à «Dodi Li» (que lhe serve de introdução).

BULGAR DE ALMADA
Esta música surgiu na altura em que se começou a falar em misturarmos alguns originais com os temas tradicionais que tocamos desde sempre. Os bulgares são danças tradicionais, normalmente com o nome da terra da sua origem. Desta forma, apanhando motivos melódicos comuns em muitos «bulgars» (como o início da melodia) surgiu este tema. Foi composto em Almada, os Melech ensaiam em Almada, então nasceu o Bulgar de Almada. No disco, esta música é como um recreio das percussões, onde graças à interpretação de cinco musas (Tucanas) a música ganha uma nova dimensão.

NIGUN 7
Esta música surgiu inicialmente como uma segunda parte frenética de outra muito calma, chamada «In Law's Dance». No disco usamo-la como «turbilhão», um devaneio curto e rápido que deixa o caos por onde passa e traz vivacidade ao disco.

DANÇA DO DESPRAZER
Um dos momentos mais marcantes dos espectáculos ao vivo, sempre teve um arranjo muito directo e um ritmo muito simples. Sempre nos atraiu a alegria desta música, onde cantamos e gritamos e ao vivo vem sempre gente dançar p'ra cima do palco!

SWEET FATHER
Ao vivo é a música que quebra o gelo, serve para cumprimentar o público e para «apresentar» musicalmente os Melech. É das músicas que mais nos caracteriza, e aparece num sítio do disco em que começam a ser introduzidas mais variações (esta toca no jazz e no reggae) e começa a fechar o ciclo de músicas mais simples e de momentos mais fortes ao vivo.

(RAD HALAILA)
Sempre foi uma canção com uma alegria pateta, que só nos conquistou a todos quando passámos a tocá-la no fim dos concertos em jeito de «é a última, 'bora dançar e ser felizes!». No disco extraímos apenas a melodia e criámos um primeiro ponto de paragem e descanso, um interlúdio com um ritmo ternário bem português e terreno.

BUDJA BA
É uma das originais. O arranjo foi feito no teste de som do concerto em Tomar, enquanto na rua uma cadela girava loucamente com epicentro no pénis de um cão vadio, e logo se tornou o chamamento, o canto de invocação da Budja Ba, a nossa deusa. As vozes femininas surgiram aquando da preparação do concerto do Santiago Alquimista. Gostámos tanto que decidimos pô-las no disco. A música contém então o cântico de evocação da deusa Budja Ba onde se pede ajuda a todos para o levarem mais alto.

FADO TANTZ
A música serve para expressar sentimentos e estados de espirito. Em geral caracterizamo-nos como um grupo alegre e festivo mas no entanto, como tudo na vida, há sempre dias mais sombrios. Foi num desses dias que surgiu esta melodia. Pela sua carga dramática e nostálgica soa a Fado e transporta todo o sentimento associado a este estilo musical. Neste arranjo a melodia assume novas «personagens» como o Tango, Klezmer, quasi «pop» e a festa!

NA FESTA DO RABI
Esta música, mais uma do livro perdido, é das que mais gostamos e das que menos tocamos, o que é curioso. No disco é o tema-charneira que separa as duas partes - a primeira, mais efusiva e simples e directa; a segunda, mais elaborada e referenciada e rica. O ad lib. inicial é quase um portal para um novo momento e o swing no final permite-nos dançar mais um pouco. É das nossas preferidas!

FREYLACH 6.8
Um corte e costura de temas tradicionais, e onde exploramos diferentes camas rítmicas sob a forte melodia que tem. E no final a melodia passa para a guitarra, o que é incomum em nós, e o ambiente passa para a nossa sala de ensaio, os cinco a curtir.

HAVA NAGILA
Dispensa apresentações! No disco fazemos uma pequena desconstrução da música - ainda no ambiente de sala de ensaio - e depois partimos para paródia, tal e qual como o arranjo do espectáculo ao vivo. No fim da música aparece um acelerando forte para rematar a música em apoteose.

(MELODIA DA RUA)
Esta foi o Graça que nos mostrou num ensaio, só ao violino, «Malta, oiçam isto». E gostámos tanto assim, que assim ficou. No disco serve como segundo ponto de paragem/descanso, um novo interlúdio que respira do chinfrim anterior e prepara o último terço do disco.

CRAVINEIRO
Cravineiro é o nome que os contrabandistas portugueses davam aos guardas espanhóis que estavam junto das fronteiras entre Portugal e Espanha. Na altura pareceu bem fazer uma música dedicada a estes senhores. É um dos nossos temas com mais traços do klezmer tradicional. Tinha dois finais e ao vivo tocávamos aquele que o público escolhia. No disco decidimos fazer um final diferente, pronto!

SABITUAR
A melodia principal apareceu ao Miguel num banho, numa altura em que a beatlemania lhe batia particularmente forte, e a entrada da música remete precisamente para o «Helter Skelter»! No refrão exploramos um pouco uma melodia mais virtuosa (que é uma variação da melodia principal), e o fim da música apresenta um estado de espírito novo no disco, mais melancólico e sonhador, a preparar o final do disco.

HARMÓNICA
No disco começa em jeito de música de embalar, voz a cappela, e segue sempre muito delicada até ao fim, sempre dando primazia à melodia, terminando o disco. Depois não resistimos e ainda vamos à paródia outra vez. Esta é mais uma do livro, e ocupa no disco o mesmo lugar que ocupa ao vivo - o fim».


Ouvir o single de avanço, aqui.

25 Maio, 2009

Manecas Costa Inaugura festIM (e há bilhetes para oferecer!)


O festIM - Festival Intermunicipal de Músicas do Mundo - arranca esta sexta-feira, dia 29, com um concerto do guineense - e mestre absoluto do n'gumbé - Manecas Costa (na foto), no palco do Cine-Teatro de Estarreja. O Raízes e Antenas associa-se à festa e tem dois bilhetes individuais para oferecer às duas pessoas que mais rapidamente mostrarem o seu desejo de ir a este concerto na caixa de comentários aqui em baixo. O festIM, recorde-se, tem organização da d'Orfeu e, durante os próximos meses, apresentará também concertos de Antonio Rivas & sus Vallenatos, Hermeto Pascoal, Kepa Junkera, Le Vent du Nord, Musafir - Gypsies of Rajasthan e Amsterdam Klezmer Band, em Águeda, Sever do Vouga, Estarreja, Ovar, Oliveira do Bairro, Albergaria-a-Velha e Aveiro. Mais informações, aqui.

22 Maio, 2009

Granitos Folk - Com Amsterdam Klezmer Band, Toques do Caramulo, dJAL, Stygiens, Melech Mechaya...


Está aí à vista mais um grande festival: o VI Granitos Folk decorre de 11 a 13 de Junho, mais uma vez a dividir-se pelos jardins do Palácio de Cristal e pelo Contagiarte. Estes dois espaços do Porto recebem os Toques do Caramulo, os holandeses Amsterdam Klezmer Band, os Tinto e Jeropiga e o DJ Hugo Osga no primeiro dia; Bailebúrdia, Melech Mechaya, Tuttis Carraputtis, os franceses dJAL, Mosca Tosca e o DJ António Pires (pois...) no segundo; Mosca Tosca (de novo), Os Divertidos, Tanira e os italianos Stygiens (na foto) na terceira. Vai ser uma festarola pegada, ai vai vai! Mais informações aqui.

21 Maio, 2009

FMM de Sines - O Programa Completo!


Sem mais palavras (porque são desnecessárias), aqui vai o comunicado do FMM:

«Sines, capital da “world music” em Portugal, recebe 11.º Festival Músicas do Mundo em Julho

Lee ‘Scratch’ Perry, Chucho Valdés, Debashish Bhattacharya, James Blood Ulmer, Cyro Baptista, Hanggai, Rupa & The April Fishes, The Ukrainians e Speed Caravan são alguns destaques entre os 37 projectos musicais programados.

O FMM Sines – Festival Músicas do Mundo, uma organização da Câmara Municipal de Sines, sobe aos palcos de Sines e Porto Covo entre 17 e 25 de Julho de 2009 para a maior festa de descoberta de novos artistas e expressões musicais realizada em Portugal.

Na 11.ª edição do evento, a capital nacional da “world music” enche-se para assistir a 37 espectáculos com origem na Europa, África, Médio Oriente, Ásia e Américas, mais de duas dezenas dos quais em estreia absoluta no nosso país.

A primeira parte do festival – 17, 18 e 19 de Julho – tem lugar em Porto Covo, num palco montado junto ao Porto de Pesca. A partir de 20 de Julho, a música transita para os três palcos da cidade de Sines: Centro de Artes de Sines, Praia Vasco da Gama e Castelo medieval, palco histórico do festival e berço de Vasco da Gama.

No alinhamento do programa, destaque para a presença em Sines do jamaicano Lee ‘Scratch’ Perry, uma das figurais seminais do reggae e do dub, incluído na lista de 100 melhores artistas de todos os tempos publicada em 2004 pela revista Rolling Stone. Ficará a seu cargo o encerramento do programa de concertos no palco do Castelo, na noite de 25 de Julho.

Um dos mais conceituados pianistas de jazz do mundo, o cubano Chucho Valdés, vencedor de cinco Grammys, entre 14 nomeações, comanda a armada dos multi-premiados. Nela também se contam o mestre indiano da “slide guitar”, Debashish Bhattasharya, eleito melhor artista da Ásia / Pacífico nos BBC Radio 3 World Music Awards 2007, o grupo de hip hop senegalês Daara J Family, melhor grupo africano da edição de 2004 dos mesmos prémios, e um dos mais interessantes projectos da folk europeia, a banda polaca Warsaw Village Band, revelação com selo BBC em 2003.

Entre os nomes que mais têm estado em foco no circuito das músicas do mundo no último ano e que marcam presença em Sines, menção especial para as cumbias psicadélicas de Chicha Libre e doce música de intervenção de Rupa & The April Fishes, exemplos acabados da melhor criação musical cosmopolita com origem nos EUA.

Fazem ainda parte deste conjunto de revelações da primeira linha os franco-argelinos Speed Caravan (que fecham o festival, junto à Praia Vasco da Gama, na noite de 25 de Julho), o grupo chinês Hanggai, a cantora israelita Mor Karbasi e o quarteto de jazz britânico Portico Quartet, todos eles autores discos de estreia lançados em 2008 com recepção entusiástica tanto pelo público como pelo crítica especializada.

Pelo seu poder musical, mas também visual, constituem promessas de espectáculos de grande impacto os congoleses Kasaï Allstars (com 13 músicos e dançarinos em palco), os shows de percussão do brasileiro Cyro Baptista e do argentino Ramiro Musotto, a orquestra de Afrobeat do nigeriano Dele Sosimi e a Orquesta Típica Fernández Fierro, um dos melhores agrupamentos de tango argentino da actualidade.

Pela energia colocada em palco em todas as actuações, aguarda-se que fusão cigana dos italianos Circo Abusivo, o folk punk dos britânicos The Ukrainians, e a mistura de jazz, heavy metal e “world music” da banda finlandesa Alamaailman Vasarat resultem em mais três concertos explosivos do FMM Sines 2009.

Considerado “um dos melhores grupos europeus” por Thurston Moore (Sonic Youth), a banda franco-italo-tunisina L’Enfance Rouge dará um concerto de rock experimental com base de música tradicional árabe. Noutros dois projectos de fusão em que a componente étnica é marcante, o grupo Njava aposta no cruzamento entre as músicas tradicionais do Madagáscar e a música de dança e o projecto Corneliu Stroe & Aromanian Ethno Band revitaliza o folclore do povo aromeno através do jazz.

Entre os concertos assentes na capacidade expressiva de um único artista destacam-se os oferecidos pelo “bluesman” James Blood Ulmer, uma das figuras de referência da música negra norte-americana, pelo trovador do Burkina Faso, Victor Démé, e por Mamer, um surpreendente jovem cantautor com raízes do interior da China. O cantor Bibi Tanga, natural da Rep. Centro-Africana, terá a seu lado o DJ francês Le Professeur Inlassable, mas estará na sua voz “soul” a chave de outro concerto a não perder.

Portugal e os países de expressão portuguesa estão também fortemente representados no FMM Sines 2009. O’questrada, cujo álbum de estreia não pára de tocar nas rádio nacionais desde que foi lançado em Abril, inaugura o festival no dia 17, em Porto Covo. Dois dias depois, no mesmo palco, Wyza mostra porque é um dos mais interessantes artistas da música angolana contemporânea. No Centro Artes, ouve-se a cantora Carmen Souza, jazz vocal com sabor cabo-verdiano, a música tradicional expandida pela electrónica do duo Assobio, o sitar indiano de Paulo Sousa e o quinteto Melech Mechaya, uma festa portuguesa com sabor klezmer.

A maior noite lusófona da história do festival está, no entanto, reservada para 22 de Julho, no Castelo. Nela vão actuar o jovem quarteto Trilhos, que abre novos horizontes para a guitarra portuguesa, Janita Salomé, com o seu disco “Vinho dos Amantes”, a galega Uxía Senlle, num espectáculo especialmente preparado para o FMM, com vários convidados portugueses e africanos, e Acetre, instituição da folk espanhola, com sede em Olivença, que traz a Sines repertório cantado em castelhano e português. Prolongando este espírito de comunhão, no dia 23, no palco da praia, o galego Narf e o guineense Manecas Costa juntam-se para apresentar o seu projecto conjunto “Alô Irmão!”.

O preço do bilhete para cada noite de música é de 5 euros em Porto Covo e de 10 euros no Castelo. O custo dos espectáculos no Centro de Artes de Sines varia entre os 10 euros (20 e 21 de Julho) e os 5 euros (22, 23, 24 e 25 de Julho). Os sete concertos realizados na Avenida Vasco da Gama, junto à praia do mesmo nome, têm entrada livre.

Seguindo a média de valores registados nos últimos dois anos, espera-se que o FMM Sines 2009 conte com a presença de mais de 80 mil espectadores.

Informações completas em www.fmm.com.pt





ALINHAMENTO COMPLETO DO PROGRAMA

17 de Julho

O'QUESTRADA (Portugal), 21h30

Criador de música misceginada - entre o fado e o funaná, entre a pop e a canção francesa -, o quinteto O’Questrada é um dos grupos mais comunicativos da história da música em Portugal.

RUPA & THE APRIL FISHES (EUA), 23h00

Nascida na Califórnia, filha de pais indianos e com uma adolescência passada em França, a cantautora Rupa Marya é a nova embaixadora da América musical cosmopolita.

CIRCO ABUSIVO (Itália), 00h30

Num universo estético próximo dos Gogol Bordello, com quem tem colaborado, o grupo Circo Abusivo junta a música cigana balcânica a outras músicas num espectáculo explosivo.

Sábado, 18 de Julho

VICTOR DÉMÉ (Burkina Faso), 21h30

Considerado uma das maiores revelações africanas dos últimos anos, o cantor e guitarrista Victor Démé é um verdadeiro trovador folk, cruzando tradição mandinga e influências latinas.

THE UKRAINIANS (Reino Unido), 23h00

Um dos melhores representantes da fusão entre a folk e a música punk com origem no Reino Unido apresenta o seu disco novo, “Diáspora”, dedicado à emigração ucraniana e de Leste.

DELE SOSIMI AFROBEAT ORCHESTRA (Nigéria / Reino Unido), 00h30

Companheiro de Fela e Femi Kuti, o teclista e director musical Dele Sosimi apresenta-se no FMM com a sua Afrobeat Orchestra, máquina de ritmo afro-funk que vai pôr Porto Covo a dançar.

Domingo, 19 de Julho

WYZA (Angola), 21h30

Autor de “Bakongo”, um dos mais surpreendentes trabalhos de um músico da África de língua portuguesa produzidos no novo milénio, Wyza é música angolana como não a ouvimos antes.

ORQUESTA TÍPICA FERNÁNDEZ FIERRO (Argentina), 23h00

Criada em 2001 por um grupo de estudantes de Buenos Aires, a OTFF faz tango com o charme de sempre transformado pela energia e a informalidade de uma nova geração de músicos.

DAARA J FAMILY (Senegal), 00h30

Vencedora dos prémios de “world music” da BBC Radio 3 em 2004, a Daara J Family traz a Porto Covo o melhor hip hop africano, com surpreendentes temperos de Cuba e da Jamaica.

SINES

Segunda, 20 de Julho

MOR KARBASI (Israel / Reino Unido), 22h00, Centro de Artes de Sines

Israel sempre foi rico em vozes femininas e Mor Karbasi, uma jovem cantora interessada no herança judia da Península Ibérica, é mais uma diva a acrescentar a esta galeria dourada.

PORTICO QUARTET (Reino Unido), 23h30, Centro de Artes de Sines

Com o seu álbum de estreia nomeado para o Mercury Prize e considerado o melhor do ano pela revista Time Out, Portico Quartet já não faz jazz, mas “pós-jazz” eivado de espírito “indy”.

Terça, 21 de Julho

CORNELIU STROE & AROMANIAN ETHNO BAND (Roménia), 22h00, Centro de Artes de Sines

O folclore tradicional dos aromenos, um povo latino do Leste Europeu, tem nova dimensão através da criatividade efervescente do percussionista romeno Corneliu Stroe.

CARMEN SOUZA (Portugal / Cabo Verde), 23h30, Centro de Artes de Sines

O jazz vocal ganha expressão cabo-verdiana na voz de Carmen Souza, presente em Sines na companhia do saxofonista Jay Corre, que tocou com Sinatra, entre outros grandes dos EUA.

Quarta, 22 de Julho

MAMER (China), 18h30, Centro de Artes de Sines

Figura do movimento de redescoberta das raízes musicais pela nova geração chinesa, Mamer faz folk alternativa a partir da música tradicional do povo cazaque da região de Xinjiang.

TRILHOS - NOVOS CAMINHOS DA GUITARRA PORTUGUESA (Portugal), 21h00, Castelo

A guitarra portuguesa do músico sineense Rui Vinagre inicia os concertos no Castelo integrada num quarteto que abre novos horizontes para um instrumento extraordinário.

JANITA SALOMÉ (Portugal), 22h15, Castelo

Um dos cantautores com uma carreira mais consistente na música portuguesa, Janita apresenta um espectáculo onde canta o vinho através de textos de grandes poetas mundiais.

UXÍA (Galiza), 23h30, Castelo

Uma das maiores cantoras ibéricas há mais de 20 anos, Uxía promove um encontro emocionante de músicas e músicos da Galiza, de Portugal e de vários países da África de língua portuguesa.

ACETRE (Extremadura), 00h45, Castelo

Instituição da folk peninsular, o grupo Acetre traz de Olivença a Sines um espectáculo fundado na cultura raiana, com repertório cantado em português e castelhano.

L'ENFANCE ROUGE (Tunísia / França / Itália), 02h30, Av. Vasco da Gama

Considerado “um dos melhores grupos europeus” por Thurston Moore (Sonic Youth), L'Enfance Rouge faz rock experimental com bases de música tradicional árabe.

Quinta, 23 de Julho

ASSOBIO (Portugal), 18h00, Centro de Artes de Sines

Composto por César Prata e Vanda Rodrigues, o duo Assobio expande material acústico popular através do espectro de novos sons e timbres que só é possível produzir por computador.

NARF & MANECAS COSTA (Galiza / Guiné Bissau), 19h30, Av. Vasco da Gama

O projecto “Alô Irmão!” junta as vozes e as guitarras (acústicas e eléctricas) do músico galego Fran Pérez (Narf) e de Manecas Costa, expoente contemporâneo da música da Guiné Bissau.

HANGGAI feat. MAMER (China), 21h30, Castelo

O património vocal e instrumental das estepes da Mongólia Interior tem brilho redobrado nas mãos de Hanggai, um dos grupos mais originais da nova música chinesa.

CHUCHO VALDÉS BIG BAND (Cuba), 23h00, Castelo

Um dos melhores pianistas do mundo e uma referência do jazz latino, Chucho Valdés chega a Sines com mais de 50 discos gravados e cinco Grammys conquistados, entre 14 nomeações.

KASAÏ ALLSTARS (Rep. Dem. Congo), 00h30, Castelo

Experiências domésticas de amplificação eléctrica de instrumentos tradicionais misturam-se com o espírito do rock e ritmos de transe nativos num espectáculo de grande força musical e visual.

RAMIRO MUSOTTO & ORCHESTRA SUDAKA (Argentina / Brasil), 02h30, Av. Vasco da Gama

Argentino radicado no Brasil, Ramiro Musotto cruza música baiana e música de vários pontos da América Latina num show de percussão a que a electrónica acrescenta cambiantes.

Sexta, 24 de Julho

PAULO SOUSA (Portugal), 18h00, Centro de Artes de Sines

Ex-guitarrista dos Essa Entente, Paulo Sousa apaixonou-se pela música da Índia e é hoje um exímio intérprete do sitar, que tocará em Sines na companhia das tablas de Francisco Cabral.

NJAVA (Madagáscar), 19h30, Av. Vasco da Gama

Formado por quatro irmãos e um primo a viver em Bruxelas desde os anos 90, Njava reflecte toda a riqueza da música do Madagáscar num espectáculo de dança de fusão “Ethnotic Groove”.

WARSAW VILLAGE BAND (Polónia), 21h30, Castelo

Revelação dos prémios de “world music” da BBC Radio 3 em 2003, a Warsaw Village Band é um dos grupos de culto da folk europeia e traz dois discos novos para mostrar no FMM 2009.

DEBASHISH BHATTACHARYA (Índia), 23h00, Castelo

Melhor artista da Ásia / Pacífico nos prémios da BBC Radio 3 em 2007 e nomeado para um Grammy em 2009, Debashish Bhattacharya é o grande mestre da “slide guitar” indiana.

CYRO BAPTISTA BEAT THE DONKEY (Brasil / EUA), 00h30, Castelo

Considerado um dos melhores percussionistas do mundo, o brasileiro radicado nos EUA Cyro Baptista vem a Sines com Beat the Donkey, um show rítmico e visual a não perder.

CHICHA LIBRE (EUA), 02h30, Av. Vasco da Gama

Chicha Libre reinventa, a partir de N. Iorque, a música incrível dos índios da Amazónia peruana, que nos anos 70 fundiam cumbias colombianas e melodias andinas com sons psicadélicos.

Sábado, 25 de Julho

MELECH MECHAYA (Portugal), 18h00, Centro de Artes de Sines

O espírito festivo do klezmer, a mais conhecida música secular do povo judaico, chega ao Centro de Artes de Sines através do quinteto português Melech Mechaya.

BIBI TANGA ET LE PROFESSEUR INLASSABLE (RCA / França), 19h30, Av. Vasco da Gama

Nascido na Rep. Centro-Africana e criado em França, o cantor e baixista Bibi Tanga chama o DJ Le Professeur Inlassable para uma actualização pessoal da grande música africana e afro-americana.

JAMES BLOOD ULMER (EUA), 21h30, Castelo

Considerado uma das referências da música negra, o cantor e guitarrista James Blood Ulmer enche o palco do Castelo com os seus blues cultivados pelo jazz, funk e rock psicadélico.

ALAMAAILMAN VASARAT (Finlândia), 23h00, Castelo

Acústico - embora, pela sua energia, não pareça - o quinteto instrumental Alamaailman Vasarat cruza músicas tão diferentes quanto o klezmer, o jazz e o heavy-metal.

LEE 'SCRATCH' PERRY (Jamaica), 00h30, Castelo

O fogo-de-artifício dispara com Lee Perry, um dos maiores visionários da música jamaicana, incluído na lista dos 100 maiores artistas de sempre publicada pela Rolling Stone em 2004.

SPEED CARAVAN (França / Argélia), 02h30, Av. Vasco da Gama

O baile de encerramento do FMM 2009 é comandado por Mehdi Haddab, músico de origem argelina que transformou o alaúde árabe numa máquina electrificada ao serviço do rock».

Na foto: Warsaw Village Band.

19 Maio, 2009

Dazkarieh - «Hemisférios» em Entrevista e Crítica ao Disco...


Poucos meses passados sobre a edição do novo álbum dos Dazkarieh, «Hemisférios» - e numa altura em que a sua agenda de concertos um pouco por todo o lado está mais que bem preenchida - aqui recupero dois textos publicados originalmente na revista «Time Out Lisboa». Uma entrevista ao grupo e a crítica ao disco.

A MEMÓRIA E A CRIAÇÃO

A comemorar dez anos de existência, os Dazkarieh lançam o seu melhor disco de sempre, «Hemisférios». António Pires falou com Joana Negrão, Vasco Ribeiro Casais e, lá mais para o fim, Luís Peixoto. «Hemisférios» é um álbum duplo em que um dos «lados» é composto por originais e o outro por versões de temas tradicionais portugueses. Isto é, nele estão bem presentes o lado da criação e o lado da memória. Ou as duas coisas juntas e/ou baralhadas.

No vosso trabalho há uma grande parte que vem da memória e da sua recriação e outra que vem da vossa própria criação, que por sua vez carrega também uma forte carga de outras memórias musicais. Há bocadinho, antes da entrevista começar, disseram-me que saíram de Lisboa para trabalhar neste disco. Vocês fizeram recolhas de temas tradicionais?


Joana Negrão - Não, nós ouvimos recolhas já feitas por outros. Nós sentimos foi a necessidade de sair do nosso meio habitual, a cidade, para nos concentrarmos no nosso trabalho; ter uma maior disponibilidade mental para ouvir, pensar, criar... Estivemos numa casa no Algarve e noutra na Arrábida.

Vasco Ribeiro Casais - Há cerca de dez anos - quando começaram os Dazkarieh - comecei a interessar-me e a ouvir músicas tradicionais, étnicas, a chamada world music. Antes estava mais ligado ao rock e à música clássica. E durante algum tempo houve muitas experiências, no seio do grupo, de canções influenciadas pela world music e muito acústicas. Há alguns anos senti a necessidade - uma necessidade que foi acompanhada pelos outros membros do grupo - de avançar para uma sonoridade mais eléctrica, mais próxima do rock. E neste disco temos o acústico sempre presente, o eléctrico por vezes presente e tentamos ter as coisas equilibradas. Tanto nas nossas canções como naquelas que são a nossa visão dos temas tradicionais.

E, paralelamente a isso, uma muito maior ligação à música portuguesa. Como é que vocês fazem a escolha dos temas tradicionais?

VRC - No meu caso, essa escolha não é imediata. Muitas das recolhas têm um som rude, mesmo para nós que estamos habituados.

JN - Eu fui ouvir muitas coisas que já sabia, à partida, que me iriam dizer alguma coisa. Ouvi muito a Catarina Chitas, mesmo não aparecendo nada do que ouvi dela no nosso disco. As Adufeiras de Monsanto, com quem já estive muitas vezes e com quem já aprendi muito. Os Velhos da Torre, do Algarve. E houve uma experiência muito engraçada, que foi começar a ouvir coisas dos Açores... Dos Açores usámos no disco uma canção a que chamámos «Coroar», que originalmente faz parte dos rituais do Espírito Santo, e que tem uma carga muito forte, não tanto por ser uma coisa católica mas mais pela força que emana: a força da fé, a força do acreditar...

VRC - Também há casos em que os originais se misturam com as versões. Uma das músicas, a «Borda d'Água», é uma versão mas, ao mesmo tempo, estávamos a trabalhar num original e não conseguíamos fazer nada nem do original nem da «Borda d'Água». Até que, por acaso, se juntaram as duas.

Neste álbum - apesar de ser uma evolução óbvia do anterior, Incógnita Alquimia - há novos instrumentos como o cavaquinho e a sanfona - tocados muitas vezes em estado "puro" e não em distorção, ao contrário do que acontece com o bouzouki, a nyckelhapra ou o bandolim... - e, claro, a substituição das percussões do Baltazar Molina pela bateria...

VRC - Mas olha que a sanfona às vezes também tem distorção... O André a tocar bateria é muito original: ele tem uns pratos que não são pratos normais, são pratos partidos, empilhados uns por cima dos outros; um kit com adufes e djembé. Mas ele toca bateria à séria, com força.

JN - Às vezes sentimos a necessidade de introduzir momentos mais acústicos, para abrir o som, para dar equilíbrio. No «Hemisfério A» temos uma música muito lenta, muito acústica, que é só voz, cavaquinho e nyckelharpa.

VRC - Os instrumentos que nós tocamos são todos acústicos. Mas um bandolim com distorção ou fuzz não soa ao mesmo que uma guitarra eléctrica em distorção ou com fuzz. E nós usamos os dois sons em simultâneo: há sempre o som limpo, acústico, e o processado.

Vocês andam a tocar muito mais no estrangeiro do que em Portugal. Em dezenas de concertos este ano...


Luís Peixoto - Há cerca de setenta por cento no estrangeiro e cerca de trinta em Portugal. Mas ao longo do ano é capaz de variar: em Portugal marcam-se as coisas muito mais em cima da hora...

VRC - Ainda há poucos dias estivemos num grande festival de world music na Lituânia...

As pessoas apercebem-se de que muitas das vossas canções são temas tradicionais portugueses?

JN - Sim, e têm muita curiosidade. Principalmente, curiosidade por saber de música portuguesa que não é o fado.




DAZKARIEH
«HEMISFÉRIOS»
Hepta Trad

«Incógnita Alquimia» (2006), o álbum anterior a este novo «Hemisférios», marcou uma ruptura com o passado do grupo: os Dazkarieh passaram então de um grupo essencialmente acústico e com uma sonoridade baseada em músicas étnicas de variadíssimas proveniências («celtas», norte-europeias, africanas, árabes, brasileiras...) para um grupo em que à vertente acústica se juntou uma pulsão eléctrica bastante forte usando instrumentos acústicos, sim, mas processados, alterados, muitas vezes em distorção rock - dir-se-ia, por vezes, metal - e, paralelamente, um grupo em que as influências da música tradicional portuguesa se faziam sentir muito mais fortemente do que no passado (e a inclusão, nesse disco, dos tradicionais «Senhora da Azenha», «Vitorina» e «Meninas Vamos à Murta» era já disso um bom sinal). E o novo álbum, «Hemisférios» - um duplo que apresenta no «Hemisfério A» temas originais e no «Hemisfério B» versões de temas tradicionais, mas num todo coerente e em que muitas vezes - se não houvesse essa indicação - dificilmente se adivinhariam quais os originais e quais as versões -, é a continuação e evolução lógica e bem-vinda desse álbum. Com algumas diferenças importantes: a voz de Joana Negrão integra-se agora, em perfeição absoluta, na massa sonora envolvente. O domínio técnico dos intrumentos tocados por Vasco Ribeiro Casais e Luís Peixoto - da nyckelharpa sueca e do bouzouki grego/irlandês às gaitas, bandolins ou às novas «aquisições» como o cavaquinho, a sanfona ou o bouzoucão (um bouzouki-baixo), que abrem bastante o leque tímbrico e as soluções harmónicas - atingiu um pico extraordinário. As percussões de Baltazar Molina foram substituídas pela bateria de André Silva, que dá mais peso e consistência ao conjunto. Vai ficar para a história da música portuguesa (ou já lá está - na história do passado e na história que se fizer no futuro). (*****)

18 Maio, 2009

Hedningarna, Brigada Victor Jara, Llan de Cubel e Maria Salgado no Intercéltico de Sendim


Às Crónicas da Terra - o site, agora renovado, do meu querido amigo Luís Rei - chegou há algum tempo a programação completa do Intercéltico de Sendim. O texto que se segue é da sua autoria:


«Hedningarna, Maria Salgado, Lenga Lenga, Llan de Cubel (na foto), Brigada Victor Jara e Korrontzi alinhados para o 10º Intercéltico de Sendim

A décima edição do Festival Intercéltico de Sendim, que se realiza nesta localidade de Tierras de Miranda, entre os dias 31 de Julho e 2 de Agosto, impõe um cartaz de respeito. No primeiro dia, o projecto de gaitas local, Lenga Lenga, e a cantora cantora castelhana Maria Salgado abrem a noite de festividades que termina com o saudado regresso dos suecos Hedningarna. Não é muito comum o Intercéltico de Sendim repetir nomes, mas dado o tom festivo da edição deste ano, há uns meses atrás, foi lançado um repto na página oficial do festival em que a organização solicitou a todos os visitantes "que votassem no nome que gostavam que regressasse a Sendim como forma de comemorarmos os 10 anos do festival". Os «pagãos» suecos conquistaram o direito de regressar a Sendim. Viva o "poder" popular.

No dia seguinte, teremos a jovem banda basca que mais prémios folk tem conquistado na vizinha Espanha, os Korrontzi. Haverá também “Ceia Louca” com a Brigada Victor Jara presentear a assistência «com um concerto especialmente preparado para o efeito, com forte presença de temas transmontanos» e folk asturiano, maduro e de rápida execução, pelos veteranos Llan de Cubel.

Actividades paralelas

Como é habitual, durante a tarde o Intercéltico de Sendim, realiza uma série de actividades paralelas. Destaque para os Toques tradicionais de Sinos da Terra de Miranda por Ângelo Arribas e Alfredo Fernandes na Igreja Paroquial de Sendim e para os Cantos Religiosos Traidicionais Mirandeses, no mesmo local. L’alma, Tuna da Lousa, Gaiteiros de Constantim e Trasga completam o cardápio musical do décimo aniversário do Intercéltico de Sendim».

Mais informações, aqui.

14 Maio, 2009

Uma Homenagem à Mais Importante Canção de Sempre do Festival da Eurovisão


Pode-se ampliar esta imagem em cima e, lendo-a, não são precisas mais palavras do que estas que elas cantam para se perceber o título deste post. Mas também vale a pena ouvir a música (apesar de a música não ser tão boa quanto a mensagem que ela transmite). E vê-las, às duas, na final (ou, se se quiser, neste vídeo aqui um pouco mais abaixo da sua participação na semi-final). Se houver um pingo de justiça, Noa e Mira Awad - a estrela israelita, judia, a cantar em hebraico; e a cantora e actriz palestiniana, cristã, a cantar em árabe - hão-de ganhar o concurso. Um concurso geralmente idiota que, assim, por um toque mágico do destino, poderá voltar a ter um pouco de importância neste mundo das músicas e nestas músicas do mundo.


13 Maio, 2009

Festival Islâmico de Mértola - Com Oojami e Les Boukakes, Entre Outros...


Este ano, infelizmente, não vou poder ir. Mas todos os FIM a que fui deixaram-me excelentes recordações. Este ano - para além da já habitual feira, das actividades religiosas abertas à observação exterior e do permanente cheiro a chá de menta -, os destaques musicais vão para os Oojami (na foto), Les Boukakes, Dalloua, Trifony, Basidou e Orquestra Feminina de Tetouan e uma sessão de DJ por Raquel Bulha. O programa completo do Festival Islâmico de Mértola, tal como divulgado pela edilidade:



«Festival Islâmico de Mértola
21 a 24 de Maio 2009




Cinco edições e dez anos passados desde o seu início, o Festival Islâmico continua a apresentar-se como uma das actividades mais emblemáticas de toda a região e uma das mais referenciadas a nível nacional. A 5ª edição que terá lugar de 21 a 24 de Maio, procurará seguir a linha até aqui desenvolvida, tentando consolidar as matrizes que lhe deram origem, desenvolvendo algumas actividades inovadoras e promotoras do património deste território.
O envolvimento das parcerias locais, a diversidade de actividades e de produtos culturais aqui apresentados e a experiência intelectual e sensorial que este Festival pode proporcionar ao turista/visitante são ingredientes mais que suficientes para continuarmos a investir na sua organização.
Esperamos por si.




PROGRAMA

21 de Maio (Quinta-feira)

10.00h – Abertura do mercado de rua (souk)

10.30h e 14.00h – Contos do Souk – com Jorge Serafim e Joaquim Pedro Ferreira (dirigido aos alunos das escolas do concelho) – na tenda junto ao castelo.

16.00h – Inauguração oficial do 5º Festival Islâmico de Mértola.

17.30h – Lançamento do livro de poesia “Cadernos de areia” de Luís F. Maçarico (Largo da Alcachofra)

19.00h – Lançamento do nº 1 dos cadernos temáticos da Aldraba – “Aldrabas e batentes de porta: uma reflexão sobre o património imperceptível.” (Salão Nobre da C.M.M.) Org. Aldraba

19.30h – Teatro “Há festa na Vila” pelo grupo Wady-actos (Cine-teatro Marques Duque)

21.00h – “Imagens na cal” – Projecção de imagens (núcleo histórico).

21.30h – Concerto (Castelo)

Dalloua (Egipto)

Trifony (Marrocos/Espanha)
Umeya - Sabores de Al-Andaluz

22.00h – Encerramento do mercado de rua.



Animação de Rua
Gnawa Al-Baraka/Música tradicional de Marrocos
Eduardo Ramos/Música Luso-Árabe



22 de Maio (Sexta-feira)

10.00h – Abertura do mercado de rua (souk).

10.30h e 14.00h – Contos do Souk – com Jorge Serafim e Joaquim Pedro Ferreira (dirigido aos alunos das escolas do concelho) – na tenda junto ao castelo.

15h00 – Oficina de dança Oriental pela Companhia Dansul (Casa dos Azulejos)

17.30h – Conferência – “La crisis económica: “El Islam es la alternativa” com Umar Faruq Gutiérrez – organização da Comunidade Islâmica em Espanha.- (Salão Nobre da C.M.M.)

18.00h – Papoila do Odiana – Dança, música e poesia (Cine Teatro Marques Duque)

18.30h – Lançamento do livro “O mar do meio” de Santiago Macias – Centro de Estudos Islâmicos e do Mediterrâneo

19.30h – Teatro“Há festa na Vila” pelo grupo Wady-actos (Cine-teatro Marques Duque) 21.30h -“Imagens na cal” Projecção de imagens (núcleo histórico)

.Ao pôr-do-sol – Noite de Dycra – Comunidade Islâmica em Espanha (Salão dos Bombeiros)

21.30h – “Imagens na cal” – Projecção de imagens (núcleo histórico).

22.00h – Encerramento do mercado de rua

22.30h – Concerto (Cais do Guadiana)

Orquestra Feminina de Tetouan (Marrocos)

Les Boukakes (França/ Argélia/ Marrocos/ Itália)

01.00h – Animação com o grupo Gnawa Bambara – Música tradicional de Marrocos (Praça Luís de Camões).


Animação de Rua
Gnawa Al-Baraka/Música tradicional de Marrocos
Eduardo Ramos/Música Luso-Árabe
Viola Campaniça e a Cantadeira



23 de Maio (Sábado)

10.00h – Abertura do mercado de rua.

11.00h – Oficina de dança Oriental pela Companhia Dansul (Casa dos Azulejos)

11.30h – Feira do Livro - Presença de Cláudio Torres (Edifício da Biblioteca) Org. Vol.

15.00h – Contos do Souk – com Ângelo Torres e Jorge Serafim – na tenda junto ao castelo

Feira do Livro – Presença de Robert Wilson (Edifício Biblioteca) Org. VOL

16.30h – Feira do Livro – Presença de António Barahona (Edifício Biblioteca) Org. VOL

17.00h – Teatro“Há festa na Vila” pelo grupo Wady-actos (Cine-teatro Marques Duque)

17.30h – Conferência – “Reflexiones sobre el Tiempo” com Rahima Valverde – organização da Comunidade Islâmica em Espanha – Salão Nobre da C. M. M.

18.00h – Papoila do Odiana – Dança, música e poesia (Cine Teatro Marques Duque)

19.00h – Apresentação dos alunos da Dansul – (Castelo)

19.30h – Contos do Souk – com Ângelo Torres e Jorge Serafim – Casa dos Azulejos.

21.00h – Feira do Livro – Presença de Adalberto Alves (Biblioteca) Org. VOL

21.30h – Teatro“Há festa na Vila” pelo grupo Wady-actos (Cine-teatro Marques Duque)

“Imagens na cal” Projecção de imagens (núcleo histórico)

22.00h – Encerramento do mercado de rua

22.30h – Concerto (Cais do Guadiana)

Basidou (Marrocos/ Espanha)

Oojami (Turquia/ Inglaterra)

01.00h – Dance Party
DJ Raquel Bulha VJ's Ibn Ammar e Al-Mu'tamid

Animação de Rua
Gnawa Al-Baraka/Música tradicional de Marrocos
Eduardo Ramos/Música Luso-Árabe
Os Alentejanos



24 de Maio (Domingo)

10.00h – Abertura do mercado de rua.

15.30h – Espectáculo de encerramento do 5º Festival Islâmico de Mértola no Largo Vasco da Gama com:

Grupo Coral “Guadiana” de Mértola

Grupo Coral “Os Caldeireiros “ de S. João dos Caldeireiros

Grupo Gnawa Al-Baraka
Modas de Baile com o Grupo Femenino e Etnográfico "As Papoilas"

17.0h – Encerramento do 5º Festival Islâmico de Mértola.



Animação de Rua
Gnawa Al-Baraka/Música tradicional de Marrocos
Eduardo Ramos/Música Luso-Árabe»

12 Maio, 2009

Mercedes Sosa e Bajofondo Tango Club - A Argentina em Força no Med de Loulé


Depois da confirmação dos catalães Ojos de Brujo, chegam mais dois nomes para o Med de Loulé: o da mítica cantora argentina Mercedes Sosa (um dos maiores expoentes da «nueva canción» de intervenção da Amárica Latina) e o regresso do grupo liderado pelo multi-oscarizado Gustavo Santaolalla, Bajofondo Tango Club (na foto), que há dois anos deram por lá um belíssimo espectáculo. O comunicado da organização:

«Bajofondo Tango Club e Mercedes Sosa na edição 2009 do Festival Med

A organização do Festival Med continua a apostar no talento latino para a edição deste ano. Depois de Ojos de Brujo, o primeiro nome anunciado para o cartaz, a organização confirma agora presença de dois nomes grandes da world music de origem argentina: Bajofondo Tango Club e Mercedes Sosa.

Esta é a sexta edição do Festival Med, um dos mais conceituados festivais nacionais de world music, que volta a invadir o centro histórico de Loulé. De 24 a 28 de Junho, a cidade transforma-se num palco de manifestações culturais e de fusão de culturas.

Depois de nomes como Solomon Burke, Jimmy Cliff, Balkan Beat Box, Amadou & Mariam, Tinariwen e Caravan Palace terem passado pelo palco Med em edições anteriores, este ano, a organização garante “o maior e mais internacional cartaz de sempre”.

O alinhamento dos palcos principais será apresentado, na íntegra, a 28 de Maio. Até lá, estão já confirmados os Ojos de Brujo, os Bajofondo Tango Club e Mercedes Sosa, três nomes fortes do circuito internacional da world music.



Os Ojos de Brujo, uma das principais bandas embaixadores do novo flamenco, sobem ao palco do Med a 25 de Junho (5ª feira), naquela que será a primeira actuação do colectivo de Barcelona em terras lusas depois de integrarem o cartaz do Festival Sudoeste, em 2007, e em que a banda irá dar a conhecer “Aocaná”, o seu mais recente álbum, editado este ano.

(Mais informações em www.myspace.com/ojosdebrujo)



Os Bajofondo Tango Club estrearam-se no Med há dois anos, com um concerto que encerrou a 4ª edição do festival, a 1 de Julho de 2007. A performance do colectivo liderado por Gustavo Santaollalla encantou ao ritmo do tango electrónico, tanto que a organização abriu a excepção e voltou a convidar os Bajofondo para integrar o alinhamento deste ano. O “colectivo de compositores, cantores e artistas”, como se auto-intitula, apresentará “Mar Dulce”, o último trabalho (2007), numa actuação agendada para o primeiro dia do Med, 24 de Junho.

(Mais informações em www.myspace.com/bajofondomardulce)


Conhecida como A Diva Argentina, Mercedes Sosa é considerada uma das maiores vozes do mundo. De renome mundial, é reconhecida como a artista dos povos oprimidos. Com seis décadas de carreira e mais de quatro dezenas de álbuns editados, La Negra (como também é apelidada, fruto dos longos e lisos cabelos negros) interpreta um vasto repertório, tendo gravado temas em variadíssimos estilos e com dezenas de músicos de renome, como Milton Nascimento, Fagner e Silvio Rodríguez.

Considerada pelo jornal The Times como “uma das titãs da música da América Latina, pioneira da nova canção” (um movimento que combina melodias tradicionais, política e apontamentos de pop anglo-americano), Mercedes Sosa sobe ao palco do Med a 27 de Junho, para apresentar “Cantora”, o seu mais recente trabalho.

(Mais informações em www.myspace.com/mercedessosa)


Sobre o Med

Organizado e promovido pela Câmara Municipal de Loulé, o Festival Med, já na 6ª edição, é um evento de world music inspirado na cultura mediterrânica, que transforma o centro histórico de Loulé num desfile de manifestações culturais.

Decorada de cores quentes, Loulé oferece todos os anos, durante cinco dias, um alinhamento de experiências multifacetadas, onde a música dá o mote. Sendo este, assumidamente, um festival de world music, pelo palco MED já desfilaram nomes de peso do circuito internacional.

As artes plásticas, a gastronomia, o artesanato, o teatro e a animação de rua completam a oferta».

Mais informações, aqui.

30 Abril, 2009

ImigrArte - Este Fim-de-Semana em Lisboa e Arredores...


Portugal, terra de milhões de emigrantes, também tem por cá muitos imigrantes. E de todos os cantos do mundo. E é para eles - e para nós - que é feita a terceira edição do Festival ImigrArte, que decorre este fim-de-semana em Lisboa e nas suas proximidades. O comunicado - e o programa - a seguir:

«O Festival ImigrArte, o festival dos imigrantes, irá decorrer nos dias 1, 2 e 3 de Maio em vários locais de Lisboa, Almada e Cascais. Para valorizar artistas imigrantes, decidimos promover a interactividade entre todos, sem qualquer distinção, num autêntico laboratório de criatividade, num espaço de vivências.

Defendemos o espiríto do custo zero, porque pretendemos valorizar o voluntariado, a solidariedade e o livre acesso à cultura, também porque estamos todos engajados na mesma luta!

Organizado pela Associação Solidariedade Imigrante, este festival pretende partilhar com a cidade a diversidade étnica e cultural de gentes de várias origens com saberes, vivências e realidades diversificadas. A programação junta diversas expressões artistícas como a música, a dança, o teatro, o cinema, as artes plásticas, a poesia, as oficinas e a gastronomia.

As actividades decorrem nos dias 1, 2 e 3 de Maio na Praça Martim Moniz, no Jardim das Amoreiras... Iniciativa realizada em parceria com a Câmara Municipal de Lisboa e com a participação da Casa do Brasil, a Associação Cabo-verdiana, a Associação Bulgari, o GAIA, a Santa Casa da Misericórdia, o Gaffe, a Associação Brasilica, o Colectivo Mumia Abu Jamal, a Associação Sobor, a Associação dos Amigos da Mulher Angolana, a Inde...

Dia 1 de Maio (Sexta-feira)

Filme "Bab Sebta" e debate na Casa do Brasil às 20 horas

"Bab Sebta" é um documentário que reúne testemunhos contados na primeira pessoa, dos milhares de africanos que rumam a Norte todos os anos, caminhando quilómetros, atravessando desertos, até finalmente chegarem à fronteira com Ceuta - a “Península Fortaleza” e porta para a Europa. Este trabalho realizado por Pedro Pinho, Frederico Lobo e Luísa Homem, é apoiado desde o início pela INDE.

Festa Árabe no Centro Social da Mouraria às 21 horas
Festa árabe com cuscus, projecção do filme "As cores do chá" e viagens pelo som com DJ Chucurucho, organizado com o Gaia.


Festa "Balkan" no bar Planeta de Cascais às 20 horas

Festa balcânica com gastronomia e música de Bulgária, Turquia e Grécia vai ser realizada na Marina de Cascais (ao pé dos barcos de pesca), organizada com a Associações Bulgari.


Dia 2 de Maio (Sábado)

Ritmos do Mundo na Praça Martim Moniz 14.00 - 18.00 horas. Apresentações de grupos de dança: Meninas Alegres, Chaotick, As Flores da Kova, Capoeira, Grupo da Associação Cultural de Pedreiros Húngaros, Bazás d´Lum, Ritmo das Ilhas


Mundo à parte na Praça Martim Moniz às 18.00 horas

Hip-hop de intervenção: Grupo feminino da Escola de Dança Nilma Moniz, GrupoKSP, Ritchaz e Kéke, Opp Squad e o Soldado Revolucionário, Black MC´s, Mac 10, Mas Ki As, Mentisafro, Nós ki Nasiómi Ki Támoriómi..

Workshops de dança na Casa Amarela de Almada às 15.00 horas

Cursos e apresentações de dança de vários grupos, entre outros: Balé Brasil, dança afro-tribal, salsa, Dança Brasílica Fusão, hip-hop. A seguir festa de samba organizada pela Samba Brasílica. A festa continua!!!

Jantar Ucraniano na Solidariedade Imigrante às 20.00 horas

Jantar típico ucraniano com música, organizado com a Associação Sobor. A seguir festa de aniversário de 10 anos da imigração ucraniana em Portugal! Entrada: 5 Euros que inclue o jantar e uma bebida.)

Artes da Lusofonia no Espaço da Santa Casa às 15.00 horas

Vernissage da exposição de pintura, fotografia dos artistas Júlia Melão, Ilídio Jordão, Verônica Volpato, João Lemos. Será apresentado o workshop de teatro, que irá ocorrer nos dias 4, 11, 18 e 25 de Maio, com Élmer Veckio Mendoza.

Danças do Brasil na Casa do Brasil às 18.00 horas

18.00 - Workshop de forró
19.30 - Workshop de dança do ventre
21.30 - Contabandistas - cantos e contos


Dia 3 de Maio (Domingo)


Jardim das crianças no Jardim das Amoreiras às 14.00 horas
Actividades para crianças toda a tarde, entre outros: palhaços, contos, filme, marionetas, pinturas faciais, workshop de pintura com as mãos...

Convívio na Horta Popular da Mouraria às 16.00 horas
Vamos trocar e conviver, no jardim de todos. Traz o teu pic nic, as tuas leituras preferidas, poesias e anedotas...
Visita guiada da horta.

Debate na Associação Cabo-verdiana às 15.00 horas
Debate sobre as prisões, Colectivo Munmia Abu Djamal.


Festa de Encerramento na Praça Martim Moniz às 17.00 horas


Teatro Ucraniano, Apresentação da Associação Sobor,

Dinho e Rafá, Apresentação projecto Atlântida, Afro Doce de Caxias,

Galissa, Maio Coopé, Chalô, Arlindo e outros! A festa continua!!!»


29 Abril, 2009

Mor Karbasi, Portico Quartet, Rupa and The April Fishes e Alamaailman Vasarat no FMM de Sines


Mais quatro nomes confirmados para o FMM de Sines: Mor Karbasi (na foto) e Portico Quartet confirmados pela organização do festival e Rupa and The April Fishes e Alamaailman Vasarat (estes num regresso que se saúda ao FMM!)avançados pelas imparáveis Crónicas da Terra. O comunicado oficial do FMM acerca dos primeiros dois nomes (e as datas dosoutros dois a seguir):

«Mor Karbasi, cantora israelita radicada no Reino Unido, e Portico Quartet, a revelação do jazz britânico em 2008, são as duas novas confirmações do Festival Músicas do Mundo de Sines 2009. Actuam ambos, no Centro de Artes de Sines, na noite de 20 de Julho.

Mor Karbasi

Na linha de Ofra Haza e Yasmin Levy, Mor Karbasi é o novo milagre da galeria dourada das vozes femininas do mundo judaico.
Com pouco mais de 20 anos, esta cantora israelita radicada no Reino Unido seduz o espectador com o poder delicado do seu desempenho vocal e com a riqueza das suas canções em hebraico, castelhano e Ladino, a língua extinta dos judeus da Península Ibérica.
A fonte de inspiração é a música dos judeus sefarditas, cabendo no seu repertório temas tradicionais do séc. XV e novas canções baseadas no Ladino compostas por si.
O flamenco é também referência, presente nos melismas da sua voz e na filigrana da guitarra de Joe Taylor.
Instrumentista e director musical, este artista britânico foi decisivo para a consistência que Mor Karbasi revela no seu álbum de estreia - “The Beauty and the Sea” (2008) - e mostra nos seus espectáculos ao vivo, ao mesmo tempo intimistas e electrizantes.
Quando já trabalha no segundo disco, Mor Karbasi chega ao FMM Sines com o estatuto firmado de “uma das grandes jovens divas da cena musical global” (The Guardian).



Portico Quartet

Nomeado para o Mercury Prize e considerado o melhor álbum de jazz, “world music” e folk pela revista Time Out, o disco “Knee-Deep In The North Sea” foi um dos fenómenos da música britânica em 2008.
O seu “som original” (The Times) é a criação inimitável do Portico Quartet, um quarteto de músicos na casa dos 20 anos com aspecto de banda “indie” que toca uma música que busca elementos sobretudo no jazz, mas também no rock, no minimalismo e em várias matrizes tradicionais do mundo.
Formado em 2005, o grupo foi descoberto a tocar na rua frente ao National Theatre de Londres pelo clube The Vortex, que criou uma etiqueta discográfica só para lançar a sua música.
O alinhamento é composto por Jack Wyllie, nos saxofones e na electrónica, Duncan Bellamy, na bateria e no “glockenspiel”, Milo Fitzpatrick, no contrabaixo, e Nick Mulvey, no “hang”, um instrumento de percussão criado em 2000 na Suíça que domina o som do grupo com a sua sonoridade exótica, entre os “steel drums” das Caraíbas e os gamelões indonésios.
Depois de Lee “Scratch” Perry (Jamaica), Chucho Valdés Big Band (Cuba), Debashish Bhattacharya (Índia) e James Blood Ulmer (EUA), Mor Karbasi (Israel / Reino Unido) e Portico Quartet (Reino Unido) são os quinto e sexto nomes oficialmente confirmados da programação do Festival Músicas do Mundo 2009, onde está prevista a realização de 36 espectáculos e iniciativas paralelas.
Realizado todos os meses de Julho, em vários espaços da cidade e do concelho de Sines, o FMM é o maior evento nacional no seu género, tendo já acolhido um total de 164 projectos musicais, vistos por mais de 325 mil espectadores, ao longo de dez anos.
A edição 2009 realiza-se entre 17 e 25 de Julho».

Por sua vez, os norte-americanos Rupa and The April Fishes (ver «Cromo Raízes e Antenas» referente a este projecto um pouco mais abaixo neste blog) actuam a 17 de Julho, no dia inaugural do festival, enquanto os absolutamente delirantes finlandeses Alamaailman Vasarat tocam no último dia, a 25 de Julho.

28 Abril, 2009

DJing em Maio e Junho - Muita World Dançável em Lisboa, Porto e Loulé


E mais seis sessões de DJ minhas confirmadas, desta vez em três locais diferentes de Lisboa e também no Porto e em Querença (Loulé):

- Dia 2 de Maio no Love Supreme (terraço do Ateneu Comercial de Lisboa), em conjunto com Toni Polo (aka DJ Cucurucho), depois do concerto dos Latin & Brasil.

- Dia 10 de Maio no Onda Jazz, em conjunto com Toni Polo (aka DJ Cucurucho) e numa parceria inédita com Tam Tam Zaiko (isto é, os dois DJs com percussões ao vivo).

- Dia 16 de Maio no Chapitô, em conjunto com Toni Polo (aka DJ Cucurucho), depois do concerto d'Uxu Kalhus.

- Dia 23 de Maio, novamente no Love Supreme (terraço do Ateneu Comercial de Lisboa), depois de banda a anunciar.

- Dia 9 de Junho no Festival de Dança de Querença, Loulé, um novo evento organizado pela imparável Pé de Xumbo.

- Dia 12 de Junho no Festival Granitos Folk, Contagiarte, Porto , na mesma noite em que actuam os Melech Mechaya (reencontro!) e os franceses dJAL na concha acústica do Palácio de Cristal. Nestas duas últimas vão ouvir-se umas poucas mazurkas e valsas, algum neo-swing, jazz manouche, klezmer, balcanadas e o que mais vier à rede...

E, para relembrar: lá mais para a frente haverá sessões de muita música variada na Fábrica do Braço de Prata, em Lisboa (com Toni Polo, se entretanto ele não «fugir» para o Mali), dias 5, 12, 19 e 26 de Setembro e dia 3 de Outubro.

22 Abril, 2009

Música da República Dominicana - A Bachata está em Alta!


As músicas tradicionais da República Dominicana estão a viver um revivalismo saudável. Para descobrir (ou redescobrir) a sua bachata, o seu merengue e o seu son.












Vários - «Bachata Roja - Acoustic Bachata From The Cabaret Era» (iASO/Megamúsica)
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Super Uba - «Tierra Lejana» (iASO/Megamúsica)
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Puerto Plata - «Mujer de Cabaret» (iASO/Megamúsica)
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Desde sempre lugar de cruzamentos de viajantes e imigrantes, escravos e senhores, a República Dominicana (metade da Ilha Hispaniola, sendo a outra metade o Haiti) é a pátria original de dois dos estilos musicais mais importantes das ilhas do Caribe e, por extensão, de toda a América Latina: o merengue e a bachata. Géneros híbridos eles também - o merengue, nascido no Séc. XIX, terá as suas origens na música africana, espanhola e dos índios arahuacos (idos do continente sul-americano ali mesmo ao lado) enquanto a bachata, surgida já no Séc. XX, poderá ser uma mistura feliz de bolero, merengue, son cubano, tango argentino e ranchera mexicana -, contribuíram depois grandemente para o surgimento de outras músicas, tendo-se espalhado por todo o lado (há inúmeros exemplos de merengue feito por grupos africanos ou cubanos, por exemplo, na última metade do Séc. XX).

Mas - e apesar da República Dominicana ter uma grande vedeta musical, o cantor Juan Luis Guerra -, a verdade é que não se fala muito deste país quando se fala da música feita nas Ilhas do Caribe, «afogada» que está entre grandes potências da chamada world music como Cuba, a Jamaica (o reggae foi um dos primeiros fenómenos de popularidade mundial e de globalização de músicas periféricas) e até Trinidad e Tobago (com as suas steel bands). Mas, com a edição destes três discos, todos editados pela iASO Records, talvez se comece a conhecer melhor toda a riqueza musical da República Dominicana. A começar logo pela fabulosa colectânea «Bachata Roja - Acoustic Bachata From The Cabaret Era», que reúne 14 temas de outros tantos intérpretes míticos de bachata dos anos 60 aos 80: entre eles, os cantores Blas Duran, Eladio Romero Santos e Leonardo Paniagua, para além de guitarristas como Augusto Santos ou Edilio Paredes, isto é, nomes que faziam a bachata à base de voz de guitarra acústica antes da sofisticação instrumental dos novos intérpretes deste estilo (como por exemplo, o já referido Juan Luis Guerra), não deixando por isso de ser altamente dançável.

Os outros dois álbuns desta leva - ambos igualmente excelentes! - são, por sua vez, assinados por dois cantores e guitarristas que, não se restringindo à bachata, levam a sua música também a outros géneros, mas também tendo a simplicidade de processos e um som acústico como marca: «Tierra Lejana», de Super Uba aka Ubaldo Cabrera, uma viagem pelo merengue, son, bolero e bachata; e o álbum de estreia (aos 84 anos!) de Puerto Plata aka José Manuel Cobles (na foto), «Mujer de Cabaret», um fabuloso intérprete de vários dos géneros já referidos, mas, essencialmente, do son cubano. E com uma alma tão grande que ele só não terá entrado - e isto sou eu a supor - no «Buena Vista Social Club» porque nasceu no país «errado».

(texto editado originalmente na «Time Out Lisboa»)

21 Abril, 2009

Os Poderes do Povo...


Folk-Lore 4 - Experiências para - Mandrake from Tiago Pereira on Vimeo.

Agora que se aproximam mais umas comemorações do 25 de Abril de 1974, se calhar é bom não esquecer que há outros, e estes permanecem mesmo!, «poderes do povo» - chamem-lhes magia, paganismo, bruxaria, sabedoria, mezinharia, ciência popular, o que se quiser... Veja-se aqui, neste novo e fabuloso micro-filme de Tiago Pereira (e pontuado, às vezes, pela rabeca dos Galandum Galundaina), no episódio número quatro da série Folk-lore.

07 Abril, 2009

Procura-se o Autor Desta Foto! (Repost)

Encontrados já os autores das outras três fotos (da Banda do Casaco, Carlos Paredes e Farinha Master), fica só a faltar a do José Afonso... Assim, prezados leitores do Raízes e Antenas! Se alguém souber qual é o autor desta foto (ou tenha algum palpite sobre quem poderá ser ou... saber), por favor contacte-me na caixa de comentários deste post ou através do meu e-mail: pires.ant@gmail.com

Não é um concurso nem passatempo, mas é importante (a seu tempo revelarei a razão). Muito obrigado!


José Afonso - uma dica, foi a partir desta foto que foi desenhado o logotipo da AJA (Associação José Afonso).

06 Abril, 2009

Debashish Bhattacharya e James Blood Ulmer Também em Sines


E mais dois nomes a juntar ao rol de artistas alinhados para a edição deste ano do FMM de Sines: o indiano Debashish Bhattacharya (na foto) e o norte-americano James Blood Ulmer. O comunicado da organização:


«Debashish Bhattacharya (Índia)

Desde que descobriu a “slide guitar”, com apenas três anos, Debashish Bhattacharya (n. 1963) tem devotado a sua vida a tornar-se um dos melhores intérpretes deste instrumento, com grande tradição na Índia, sendo hoje reconhecido como um dos seus “pandit” (mestre). Melhor artista da Ásia / Pacífico nos BBC Radio 3 World Music Awards 2007, Debashish transformou a “slide guitar”, criando versões adaptadas que usa como veículo para incursões de profundidade rara pela raga indiana. Ao lado do seu irmão Subhasis, na tabla, e das únicas mulheres indianas que tocam as percussões tradicionais “pakhawaj” e “mridangam”, Chitrangana Agle Reshwal e Charu Hariharan, Debashish apresenta-se em Sines com um espectáculo baseado nos seus últimos dois discos, “Calcutta Chronicles” (que lhe valeu uma nomeação para um Grammy em 2008) e “O Shakuntala”.


James Blood Ulmer (EUA)

O guitarrista e vocalista James Blood Ulmer (n. 1942) tem um percurso ligado a praticamente todos os géneros da música afro-americana. Guitarrista desde os 4 anos (o pai, pastor, ofereceu-lhe um instrumento com o objectivo de prepará-lo para a pregação), começou a carreira profissional trabalhando em grupos de R&B e funk. Desde muito cedo atraído pelo jazz, conhece e toca com Ornette Coleman, cuja subversão da componente harmónica em favor da improvisação livre, atonal, terá grande influência na sua produção dos anos 70 e 80. Hoje a sua música é mais estruturada e tem vindo a ganhar ascendência a rica história dos blues e a tradição que o rock tem no seu instrumento. O seu último disco, “Bad Blood in the City: The Piety Street Sessions” (2007), produzido por Vernon Reid, evoca a tragédia do Katrina e é o melhor exemplo do James Blood Ulmer actual, “bluesman” de corpo inteiro que teremos o privilégio de ouvir na última noite de música no Castelo».

03 Abril, 2009

Group Doueh e Omar Souleyman na Gulbenkian


Olha que bela notícia! O Juramento Sem Bandeira avança com a informação de que o Group Doueh (na foto) e Omar Souleyman actuam dia 21 de Junho, na Fundação Gulbenkian, em Lisboa, num concerto organizado pela Filho Único. Atenção - o espectácculo (seguido de sessões dos DJs Hisham Mayet, Alan Bishop e Mark Gergis) começa às... 19h00. O texto do Vítor:

«Entre as datas conjuntas que o Group Doueh e Omar Souleyman vão fazer na Europa, há uma para Lisboa, a realizar na Fundação Calouste Gulbenkian, com mão da Filho Único: 21 de Junho. Group Doueh é um dos nomes mais relevantes (e em actividade, diga-se de passagem) do catálogo Sublime Frequencies, o selo norte-americano que desde há meia-dúzia de anos tem vindo a editar gravações mais ou menos obscuras de artistas mais ou menos obscuros de paragens mais ou menos obscuras dos continentes africano e asiático. Há dois anos, a Sublime Frequencies deu a conhecer ao mundo mais atento este grupo de guitarras eléctricas do Sahara Ocidental através do LP de edição limitada "Guitar Music from the Western Sahara", excelente como documento, embora o péssimo som lhe manche a ambição de objecto de entretenimento que se encontra noutros trabalhos recentes também vindos do Norte de África, onde também blues, guitarras eléctricas e deserto costumam ser as quatro palavras mais citadas nos textos sobre eles discorridos. Não deixa, porém, de ser um documento fantástico. E também ali se assiste a uma contaminação interessante de influências ocidentais nas tradições locais, em proporções muito semelhantes aos grupos antes citados de rés-vés. Vai ser interessante deixar para trás a imaginação que o disco proporciona e comprovar ao vivo o valor do Group Doueh. A acompanhá-los vai estar outro nome do catálogo da SF, o sírio Omar Souleyman. Meio folk, meio pop, completamente chunga, está para a folk local quase como o fasil das pistas de dança actual está para o fasil turco antigo, ou como o Bhangra Pop está para a folk indiana. Não há como perder esta noite».

Mais informações aqui.

02 Abril, 2009

Cromos Raízes e Antenas L


Este blog continua hoje a publicação da série «Cromos Raízes e Antenas», constituída por pequenas fichas sobre artistas, grupos, personagens (míticas ou reais), géneros, instrumentos musicais, editoras discográficas, divulgadores, filmes... Tudo isto sem ordem cronológica nem alfabética nem enciclopédica nem com hierarquia de importância nem sujeita a qualquer tipo de actualidade. É vagamente aleatória, randomizada, livre, à vontade do freguês (ou dos fregueses: os leitores deste blog estão todos convidados a enviar sugestões ou, melhor ainda!, as fichas completas de cromos para o espaço de comentários ou para o e-mail pires.ant@gmail.com - a «gerência» agradece; assim como agradece que venham daí acrescentos e correcções às várias entradas). As «carteirinhas» de cromos incluem sempre quatro exemplares, numerados e... coleccionáveis ;)

Cromo L.1 - Khaled


Outrora conhecido como Cheb Khaled («cheb» significa «jovem» e não é um nome próprio, sendo comum a outros artistas norte-africanos como Cheb Mami ou Cheb i Sabbah), o cantor, compositor e multi-instrumentista argelino Khaled é um dos artistas mais representativos do género tradicional rai, na sua forma modernizada. De nome completo Khaled Hadj Brahim (nascido a 29 de Fevereiro de 1960, em Sidi-El-Houri, Argélia), Khaled mistura na sua música as raízes do rai com muitos outros géneros como o jazz, o funk, a pop, o r'n'b, as electrónicas, onde instrumentos tradicionais como o ney (flauta) ou a darabuka se fundem com sintetizadores, instrumentos eléctricos e uma secção de metais. Khaled - que toca banjo, acordeão, bateria, teclados, guitarra... - começou a sua carreira com apenas catorze anos, no grupo Les Cinq Étoiles e, ainda na Argélia, foi perseguido pelo teor da sua música, considerada demasiado ocidentalizada e com letras impróprias. Fixou-se em França em 1986 e, a partir daí, a sua fama nunca mais parou de crescer. Audição aconselhada: «Khaled» (1992), «1, 2, 3 Soleils» (1999; em parceria com Rachid Taha e Faudel) e «Ya-Rayi» (2004).


Cromo L.2 - Los de Abajo


Exemplo maior entre os maiores de uma música viva, dinâmica, empenhada politicamente e onde muitas músicas se cruzam sem que, por isso, a música final perca um pingo de identidade própria, o grupo Los de Abajo (formado na capital mexicana, Cidade do México, em 1992) é capaz de misturar ska, punk, cumbia, mariachi, son jarocho e muitos outros géneros de uma forma fluida, natural, orgânica. Também activos social e politicamente, ao longo do seu trajecto Los de Abajo defenderam causas como a do EZLN (Ejército Zapatista de Liberación Nacional), dos Jóvenes en Resistencia Alternativa e a dos presos políticos de Atenco. Gostando de caracterizar o seu som como «tropipunk», Los de Abajo já se encontraram criativamente com o catalão Macaco e, mais recentemente, com Neville Staples (Fun Boy Three) e a dupla Neil Sparkes/Count Dubulah (os Temple of Sound), no álbum de remisturas «LDA v The Lunatics» (2006). Outro álbum aconselhado: o histórico «Cybertropic Chilango Power» (2002).


Cromo L.3 - Gigi Shibabaw


Gigi (aka Ejigayehu Shibabaw) é uma cantora e compositora etíope que chegou à fama internacional através da mão de Bill Laswell - Gigi, aliás, viria a casar com este activíssimo produtor e músico - e de outro nome mítico da música, Chris Blackwell, patrão da editora Palm Pictures e o antigo responsável pela fama de muitos grandes artistas de reggae (como Bob Marley), quando liderava a Island Records. E, apesar de ter chegado a gravar anteriormente nos Estados Unidos, Gigi chegou ao sucesso internacional com os álbuns editados pela Palm Pictures: «Gigi» (2001), «Zion Roots» (assinado pelo grupo Abyssinia Infinite; 2003) e «Gold & Wax» (2006), onde à música de raiz - muitas vezes inspirada pelas Genna, celebrações do Natal na Etiópia - se juntam electrónicas, dub, funk, rock ou jazz (em «Gigi», ela foi acompanhada por nomes graúdos do jazz como Herbie Hancock, Wayne Shorter e Pharoah Sanders). Outros artistas com quem já se cruzou: Buckethead, Karsh Kale, Tabla Beat Science, Nils Petter Molvaer, Foday Musa Suso e Jah Wobble.


Cromo L.4 - The Zydepunks


Nova Orleães, é sabido, foi há cerca de cem anos o berço ideal de uma música nova, o jazz, onde muitas outras músicas - africanas e europeias - namoravam entre si: os blues, o gospel, o ragtime, as valsas, o klezmer, etc, etc... E é, agora, o berço de uma banda singular, os Zydepunks - onde também muitas músicas convergem: o zydeco e o cajun originários da Louisina, o punk, a country, a música cigana dos Balcãs, a música «celta» revista pelos Pogues, o klezmer... e cantando em seis línguas diferentes. Criados em 2003, os Zydepunks usam um baixo eléctrico (mas não guitarras) e baseiam o seu som num violino e num acordeão endiabrados, voz e bateria. E - conta a lenda - são capazes de dar concertos absolutamente arrebatadores. Formados por Denise Bonis (violino, voz), Juan Christian Küffner (acordeão, rabeca, voz principal), Joe Lilly (bateria, voz), Scott Potts (baixo, voz) e Eve (acordeão, melódica, voz), os Zydepunks lançaram até agora os álbuns «9th Ward Ramblers», «...And The Streets Will Flow With Whiskey», «Exile Waltz» e «Finisterre».

Nota: A primeira série dos «Cromos Raízes e Antenas» termina aqui. São 50 «carteirinhas» de quatro Cromos cada, o que soma o bonito número de 200 entradas. Os meus agradecimentos a quem sugeriu nomes, fez reparos, emendou gralhas e asneiras... Se tudo correr bem, uma nova série se seguirá...

01 Abril, 2009

Rokia Traoré - Concertos no Porto e em Lisboa


Depois do maravilhoso espectáculo na noite de encerramento do FMM de Sines do ano passado, a cantora maliana Rokia Traoré regressa ao nosso país para espectáculos no Porto (Casa da Música, dia 27 de Maio) e Lisboa (Lux, um dia depois), ainda em apresentação do novo álbum «Tchamantché». O comunicado da organização:


«Rokia Traoré Ao Vivo

É uma das vozes mais importantes do continente africano, mas é a universalidade que faz dela uma artista de eleição.

Rokia Traoré em Portugal numa produção Mandrake.

Rokia Traoré alcançou, definitivamente, um estatuto só ao alcance dos artistas mais prodigiosos. Com «Tchamantché», o 4º álbum de originais, a cantora, compositora e guitarrista do Mali arrastou o culto para fora das fronteiras tradicionais da «world-music» e agarrou com elegância a crítica e público de todos os quadrantes.

A música de Rokia Traoré, sublime na sua transversalidade, não se limita aos ritmos tradicionais do Mali, vai mais além: o Funk, o Blues, o Jazz e o Rock, são géneros em destaque numa sonoridade original e muito sofisticada. Ao vivo, Rokia Traoré começa lentamente a conquistar a audiência com ritmos jazz para, gradualmente, dar lugar a ritmos mais festivos que facilmente passam do palco para a plateia.

A guitarra eléctrica «Gretsch», a harpa, o «N’Goni» (guitarra maliana), a voz sussurrante, as letras na língua Bambara, os instrumentos clássicos, tudo em perfeita harmonia, criam uma atmosfera fabulosa que não deixa ninguém indiferente e, muito menos, parado.

A festa fica marcada para os próximos dias 27 de Maio, na Casa da Música, Sala 2, no Porto, e 28 de Maio em Lisboa, no Lux. Pela primeira vez, Rokia Traoré apresenta-se em Portugal em concerto próprio e o entusiasmo é enorme para ver e ouvir esta genial intérprete, tantas vezes elogiada pelo seu conterrâneo Ali Farka Touré.

PORTO | CASA DA MÚSICA – SALA 2 | 27 MAIO – 21H30 | 22 EUROS

LISBOA | LUX | 28 MAIO – 22H00 | 22 EUROS»

31 Março, 2009

Sky Fest - Com Lila Downs, Nneka, Edson Cordeiro e The Dynamics


Na sua segunda edição, o Sky Fest, mini-festival que decorre no Casino de Lisboa, de 14 a 17 de Maio, apresenta desta vez concertos com Lila Downs, Nneka (na foto), Edson Cordeiro e The Dynamics. Não se sabe ainda se, à semelhança do ano passado, haverá outros nomes nas primeiras partes, mas seria desejável que sim. O texto de apresentação do festival:


«SKY FEST - 14 a 17 MAIO - Casino Lisboa

Horário

Concertos às 22h

Preço

25€ e 30€

Local de Venda


Casino Lisboa, FNAC, Worten, El Corte Inglés, Bliss, Bulhosa, Abreu, Megarede
WWW.TICKETLINE.SAPO.PT
RESERVAS 707 234 234


Depois do sucesso em Abril de 2008, o SKY FEST está de regresso ao Casino Lisboa para uma 2ª edição.

Um festival multicultural que junta o Jazz, a World Music e o Blues no mesmo espaço, o SKY FEST reúne nomes consagrados com novos talentos, garantindo grande abrangência de sonoridades e revelação de novas tendências nas áreas musicais em destaque.

14 Maio - Edson Cordeiro & Klazz Brothers
Auditório dos Oceanos

Edson Cordeiro é um daqueles casos raros de sucesso, considerado por muitos um "músico de culto", devido à sua abrangência e à-vontade em géneros tão diversos como a ópera, o rock, a MPB, o funk, o gospel, o jazz, o flamenco e o samba, cantando em português, inglês, francês, espanhol e alemão. Com os Klazz Brothers, 3 virtuosos músicos de Dresden, Edson Cordeiro apresenta um espectáculo de fusão onde Konigin der Nacht, de Mozart, e Garota de Ipanema, de Jobim, se harmonizam com grande perfeição num alinhamento surpreendentemente encantador.


15 Maio - Nneka
Auditório dos Oceanos

Cantora e compositora, a nigeriana Nneka está de regresso com um novo álbum, No Longer at Ease, um projecto que evidencia os seus instintos criativos, explorando-os num vasto leque de sonoridades inovadoras, numa verdadeira odisseia Afrobeat. Com produção de DJ Farhot, este álbum é muito pessoal e, apesar de musicalmente mais ambicioso, não se afasta do estilo ou rumo habituais de Nneka.


16 Maio - The Dynamics
Arena Lounge - Entrada gratuita

Existem desde 2004 e o seu sucesso internacional já bateu recordes. Com origem em Lion, França, a música dos Dynamics é fortemente marcada pelo soul americano harmonizado com os ritmos jamaicanos. O seu estilo único caracteriza-se pela fusão de sonoridades estabelecidas com as mais modernas técnicas de produção, permitindo um sabor vintage que surpreende qualquer público, por muito exigente que seja.


17 Maio - Lila Downs
Auditório dos Oceanos

De origem mexicana, Lila Downs é um fenómeno internacional. Em parceria com o músico e produtor americano, Paul Cohen, Lila Downs assina as próprias composições caracterizadas pela mescla perfeita entre o tradicional folclore mexicano (charangos, kenachos e zampoñas) e os sons modernos das guitarras eléctricas, baixos e baterias. Com 7 álbuns editados, Lila Downs tem conseguido anular fronteiras, apresentando-se como uma cantora e compositora global capaz de esgotar salas por todo o mundo. No Auditório dos Oceanos no Casino Lisboa, apresenta Ojo de Culebra, o seu mais recente projecto.

30 Março, 2009

Tiago Gomes - Novo Livro, Poesia e DJing no Museu do Fado


«Auto-Ajuda», de Tiago Gomes, é uma colectânea que reúne os seus quatro livros de poesia: «Caixa Negra de Avião Desviado por Ataque Terrorista», «Homem Vago em Cinzento», «Brincadeiras com Cianeto» e «Viola-me Eléctrica». O livro, editado pela Mariposa Azual, tem o seu lançamento marcado para sábado, dia 4 de Abril, no Restaurante e Esplanada do Museu do Fado, em Alfama, Lisboa, com leitura de poesia e DJs - um deles o responsável por este Raízes e Antenas.

O texto de apresentação do evento:

«Auto-Ajuda
Antologia de poesia de Tiago Gomes
Tiago Gomes

Autor, performer, morador, activista, peão, poeta, vivo, um homem que viaja no lugar do morto e editor da revista Bíblia. Podemos acrescentar actor, produtor, escritor de canções, sempre envolvido nas coisas da cultura, dos editores, dos livros, com amigos em Espanha, e no porto e no Barreiro e, claro, em todas as esquinas da sua cidade.

Com este BI se apresentava Tiago Gomes em 1998, na capa do seu livro Viola-Me Eléctrica, editado pela Fenda. Nesse ano fértil, Tiago Gomes já tinha editado Brincadeiras Com Cianeto. Mais para trás, em1995, escreveu e publicou Homem Vago Em Cinzento e em 1993,o primeiro livro, a dar o tom: Caixa Negra De Avião Desviado Por Ataque Terrorista.

Podemos acrescentar: actor, produtor, escritor de canções, com amigos em Espanha, e no Porto e no Barreiro e, claro, em todas as esquinas de Lisboa. E poeta. Que escreve poesia urbana, contemporânea. Às vezes pop, às vezes com saudades do surrealismo, às vezes combativa, interventiva, às vezes desanimada, às vezes apaixonada. Sempre irónica e quase sempre de Lisboa».

27 Março, 2009

Festim - Um Grande Festival Espalhado Por Sete Municípios


Mais uma iniciativa saída da cabeça da d'Orfeu, o Festim é um novo festival que desenvolve e alarga algumas das iniciativas que esta associação de Águeda tem apresentado nos últimos anos, espalhando-as também pelos municípios vizinhos. O programa oficial:

«festim - festival intermunicipal de músicas do mundo

29 Maio a 24 Julho 2009 | 1ª edição
20 concertos em 7 municípios

Hermeto Pascoal (Brasil; na foto) | Kepa Junkera (País Basco, Espanha) | Manecas Costa (Guiné-Bissau) | Le Vent du Nord (Québec, Canadá) | Musafir - Gypsies of Rajasthan (Índia) | Amsterdam Klezmer Band (Holanda) | Antonio Rivas & sus Vallenatos (Colômbia)

ÁGUEDA - SEVER DO VOUGA - ESTARREJA – OVAR
OLIVEIRA DO BAIRRO - ALBERGARIA-A-VELHA - AVEIRO



O festim - festival intermunicipal de músicas do mundo, em 1ª edição, chega ao público de 29 de Maio a 24 de Julho, com um cartaz partilhado que inclui nomes grandes vindos de vários continentes. O festival percorrerá, durante dois meses, os municípios de Águeda, Sever do Vouga, Estarreja, Ovar, Oliveira do Bairro, Albergaria-a-Velha e Aveiro, numa iniciativa da d’Orfeu Associação Cultural em parceria com as autarquias envolvidas.

Este novo festival intermunicipal recebe a herança dos festivais temáticos de músicas do mundo - uma área de paixão nas programações d’Orfeu -, que esta associação vinha programando em Águeda desde 2002. O festival doravante em rede, estrutura-se numa programação partilhada entre municípios vizinhos - Águeda, Sever do Vouga, Estarreja e Ovar são os pioneiros, num projecto a quatro anos -, a que se juntam mais três municípios nesta edição de 2009 (Oliveira de Bairro, Albergaria-a-Velha e Aveiro). Um cartaz à escala mundial promete singular festa em toda a região: a programação inclui, nesta 1ª edição, grandes nomes vindos do Canadá, Colômbia, Brasil, Holanda, Espanha, Guiné-Bissau e Índia.

O festim - festival intermunicipal de músicas do mundo, que decorrerá anualmente nos meses de Junho e Julho, é fruto de uma parceria abrangente com as quatro autarquias principais, suportada por um Acordo Tripartido com o Ministério da Cultura / Direcção-Geral das Artes. O objectivo é expandir o know-how cultural da d’Orfeu a um tecido de municípios vizinhos, incluindo Águeda como origem incontornável e principal beneficiária do projecto, e aplicar no terreno as suas teses de trabalho em rede, nomeadamente na extensão dos seus formatos e largamente reconhecidas práticas culturais.

O novo festival intermunicipal é o laço que une esta parceria intermunicipal.
Vem aí um verdadeiro festim!




PROGRAMAÇÃO 2009

Hermeto Pascoal
(Brasil)

O multi-instrumentista Hermeto Pascoal é uma autêntica força da natureza. Homem dos sete instrumentos, a sua criatividade é inesgotável. Valendo-se de todo e qualquer objecto capaz de produzir sons - além de tocar instrumentos convencionais como o piano, as flautas ou os cordofones, todos magistralmente apresenta um incrível carácter experimental. O inesperado acontece sempre nos concertos deste mago brasileiro que, no festim, se apresenta em duo com Aline Morena. Mais que da música do mundo, Hermeto é figura maior do mundo da Música!


Kepa Junkera
(País Basco, Espanha)

O notável músico de Bilbau, mago da concertina basca - a trikitixa -, regressa a
território luso, mais propriamente à terra que mais se deslumbrou, alguma vez, com as suas vertiginosas performances. Kepa Junkera reproduz uma música sem fronteiras, mas orgulhosamente basca, na qual despontam os diálogos com a txalaparta, instrumento composto de toros de madeira tocado a quatro mãos. Kepa, além de grande compositor, é dono de um virtuosismo ímpar. Os dedos do basco vão entrar, outra vez, pelo público dentro.


Manecas Costa
(Guiné-Bissau)

Manecas Costa é uma das mais belas vozes de origem africana na actualidade, um brilhante compositor e virtuoso guitarrista da Guiné-Bissau. A sua música carrega as vibrações quentes e a sensualidade do “gumbe”, música crioula nascida em Bissau. Um dos seus grandes êxitos, o álbum “Paraíso di Gumbe”, de edição britânica, reúne os sons vibrantes e crus do seu país natal, com uma virtuosa técnica na guitarra acústica e uma voz carismática e apaixonada. São concertos imperdíveis, os do grande embaixador musical da Guiné-Bissau para o mundo, Manecas Costa.


Le Vent du Nord
(Québec, Canadá)

Le Vent du Nord retrata a excelência da actual música folk do Québec, com
fortíssimas influências da música celta irlandesa e da Bretanha francesa. Assistir a um concerto destes quatro virtuosos é deixar-se envolver numa teia de raízes sonoras em constante viagem entre a herança europeia e a velho Canadá francófono, onde a percussão com os pés é imagem singular. ‘Le Vent du Nord’, cuja curta carreira conta já inúmeros prémios, representa o mais genuíno e empolgante folk do Atlântico Norte!


Musafir - Gypsies of Rajasthan
(Índia)

Das paisagens exóticas da Índia, os Musafir trazem-nos uma quente e inovadora interpretação dos ritmos e sonoridades milenares da cultura hindu, num espectáculo que ultrapassa o espectro musical. O grupo desvenda as mais profundas raízes do Rajastão. Encantadoras de cobras, acrobacias com fakirs, engolidores de sabres e cuspidores de fogo. A palavra “musafir” que significa em sentido literal itinerância”, reflecte o modo de vida que inspira estes músicos ciganos vindos do deserto indiano: o transe das tablas é festa para todos.


Amsterdam Klezmer Band
(Holanda)

Os holandeses prometem um espectáculo electrizante, num cocktail sonoro de música cigana dos Balcãs e sonoridade Klezmer. Esta é a imagem de marca da Amsterdam Klezmer Band, formação holandesa de talentosos músicos com raízes judias que dá um novo brilho às músicas de leste. Tal como indica o título do seu último álbum “Zaraza”, que em língua eslava significa “contagiante”, também durante os enérgicos concertos do grupo só restará ao público uma opção: dançar até cair.


Antonio Rivas & sus Vallenatos
(Colômbia)

O som da ‘cumbia’ colombiana por um dos seus mais virtuosos instrumentistas. Antonio Rivas, à concertina, apresenta-se com ‘sus Vallenatos’, característica formação de sexteto latino preparada para concertos de festa contagiante. Além da sedutora presença musical de Rivas, no palco explodem as prestações rítmicas da típica “guacharaca” e da “caja vallenata”, numa orquestra que promete grandes noites de festim!


PROGRAMA COMPLETO


Sex 29 Maio Manecas Costa ESTARREJA
Sex 5 Jun Antonio Rivas OVAR
Sáb 6 Jun Antonio Rivas SEVER DO VOUGA
Qua 10 Jun Amsterdam Klezmer Band ESTARREJA
Sex 12 Jun Amsterdam Klezmer Band OVAR
Sáb 13 Jun Amsterdam Klezmer Band SEVER DO VOUGA
Qui 18 Jun Hermeto Pascoal ESTARREJA
Sex 19 Jun Hermeto Pascoal OVAR
Sáb 20 Jun Hermeto Pascoal SEVER DO VOUGA
Sex 26 Jun Le Vent du Nord OVAR
Sáb 27 Jun Le Vent du Nord SEVER DO VOUGA
Sex 3 Jul Musafir - Gypsies of Rajasthan ESTARREJA
Sáb 4 Jul Musafir - Gypsies of Rajasthan SEVER DO VOUGA
Qui 9 Jul Kepa Junkera ÁGUEDA
Qua 15 Jul Manecas Costa OLIVEIRA DO BAIRRO
Qui 16 Jul Manecas Costa ÁGUEDA
Sex 17 Jul Manecas Costa OVAR
Sáb 18 Jul Manecas Costa ALBERGARIA-A-VELHA
Qui 23 Jul Amsterdam Klezmer Band ÁGUEDA
Sex 24 Jul Amsterdam Klezmer Band AVEIRO

Informações:

http://www.dorfeu.com/
http://dorfeu.blogspot.com/»

26 Março, 2009

Cromos Raízes e Antenas XLIX


Este blog continua hoje a publicação da série «Cromos Raízes e Antenas», constituída por pequenas fichas sobre artistas, grupos, personagens (míticas ou reais), géneros, instrumentos musicais, editoras discográficas, divulgadores, filmes... Tudo isto sem ordem cronológica nem alfabética nem enciclopédica nem com hierarquia de importância nem sujeita a qualquer tipo de actualidade. É vagamente aleatória, randomizada, livre, à vontade do freguês (ou dos fregueses: os leitores deste blog estão todos convidados a enviar sugestões ou, melhor ainda!, as fichas completas de cromos para o espaço de comentários ou para o e-mail pires.ant@gmail.com - a «gerência» agradece; assim como agradece que venham daí acrescentos e correcções às várias entradas). As «carteirinhas» de cromos incluem sempre quatro exemplares, numerados e... coleccionáveis ;)

Cromo XLIX.1 - Serge Gainsbourg


Polémico, provocador, alcoólico, pianista, pederasta, poeta genial, namorado de algumas das mulheres mais bonitas do mundo, realizador de cinema, fumador compulsivo, pintor, actor, compositor de muitas e desvairadas músicas (e com flirts... musicais variadíssimos, da chanson ao rock, ao reggae e ao jazz), Serge Gainsbourg (de verdadeiro nome Lucien Ginsburg, nascido a 2 de Abril de 1928; falecido a 2 de Março de 1991) foi uma das personagens mais importantes da música francesa do Séc.XX. Nascido numa família de judeus russos exilados em França, Gainsbourg iniciou a sua carreira como pianista em bares mas, durante os anos 60 e 70, firmou o seu nome como um dos cantores e, principalmente, compositores mais criativos da sua geração. Compôs - e com elas por vezes fez duetos e com elas, muitas vezes, se envolveu sentimentalmente - para cantoras e actrizes como Brigitte Bardot, Jane Birkin, Juliette Gréco, Françoise Hardy, Catherine Deneuve, Vanessa Paradis e, para disfarçar, para alguns homens como Alain Bashung ou Jacques Dutronc. Canções inesquecíveis: a sexualmente explícita «Je T'Aime... Moi Non Plus», «Bonnie and Clyde», «La Javanaise» ou a sua versão reggae, «Aux Armes et cetera», do hino francês.


Cromo XLIX.2 - «Il Canto di Malavita»


Envolta em controvérsia quando foi editada em Itália (e também, junto da comunidade italo-americana, nos Estados Unidos) por alegadamente fazer a apologia da Máfia, a colectânea «Il Canto de Malavita - La Musica Della Mafia» não deixa, por isso, de ser um extraordinário mostruário de uma música antiga, secreta, também ela cheia de códigos internos - à semelhança da organização que canta - e, sempre, de uma grande beleza. Feitas de raiva e tristeza, vingança e amor, sangue e honra, interpretadas muitas vezes num calão próprio, as canções de «Il Canto di Malavita» (editada em 2000 pela PIAS) foram resgatadas às ruas, casas e caves da Calábria pelos produtores Francesco Sbano, Maximillian Dax e Peter Cadera. Em «Il Canto di Malavita» ouvem-se ecos de tarantelas e canções napolitanas, rembetika e fado, amplificados pela voz de alguns intérpretes extraordinários como El Domingo, F. Cimbalo, Franco Caruso ou Salvatore Macheda. Uma segunda colectânea com a mesma temática, «Omertà, Onuri e Sangu — La Musica della Mafia Vol.2», foi editada dois anos depois.


Cromo XLIX.3 - DJ Dolores


Na música do brasileiro DJ Dolores, os géneros musicais do seu país, tradicionais ou não - frevo, baião, forró, maracatú, emboladas, música brega, ciranda, tropicalismo, samba, bossa-nova e muito mais... - cruzam-se com géneros exteriores - reggae, funk, rock, hip-hop, dancehall, surf music, klezmer, dub, house... - como se tivessem surgido, desde sempre!, para se cruzarem assim. DJ Dolores (de seu verdadeiro nome Helder Aragão) é DJ, produtor, compositor, chefe de «orquestra» - são inesquecíveis as suas actuações com a Orquestra Santa Massa - e faz isso tudo por igual e muitíssimo bem. Começando a sua carreira, no Recife, como designer gráfico, produtor de cinema e autor de bandas-sonoras, foi como DJ que o seu nome se tornou mundialmente conhecido, tendo - para além da sua obra em nome próprio - feito remisturas para nomes como os Taraf de Haidouks, Gilberto Gil, Fernanda Porto ou Tribalistas. Audição aconselhada: os álbuns «Contraditório» (2002), «Aparelhagem» (2005) e «1 Real» (2008).


Cromo XLIX.4 - L'Ham de Foc



Objecto raro e originalíssimo no meio da folk feita em Espanha, o duo valenciano L'Ham de Foc atirou-se com saber e mestria - e sempre ao longo dos seus vinte anos de existência - a uma música que vai beber a sua inspiração à música medieval, árabe, grega e sefardita transportando-as para a modernidade, podendo ser encontrados vários pontos de contacto entre o grupo e os Dead Can Dance, os Hedningarna ou até os Corvus Corax. Criados em 1998, em Valência, pela cantora e multi-instrumentista Mara Aranda e o multi-instrumentista Efrén López, os L'Ham de Foc fizeram um percurso sempre ascendente nos meandros da folk europeia, mercê da sua coerência na utilização apenas de instrumentos acústicos - sanfonas, alaúdes, sitar, harpa, vários saltérios e gaitas-de-foles a inúmeras percussões, europeias, asiáticas ou norte-africanas (num total de mais de trinta instrumentos). Em 1999 editaram o álbum de estreia, «U», seguido por «Cançó de Dona i Home» (2002) e «Cor de Porc» (2005). Desfeita a dupla, os seus membros encontram-se agora ligados a grupos como os Aman Aman, Sabir, Saba, Capella de Ministrers, Mara Aranda & Solatge ou Al Andaluz Project. (1)

(1) - Texto adaptado de um outro escrito por mim para o Festival MED de 2007.

25 Março, 2009

Ferro Gaita - O Melhor Funaná no Armazém F


O mais importante grupo de rejuvenescimento do funaná, os Ferro Gaita, é o convidado especial de mais uma Gala Kretcheu, a decorrer depois de amanhã, dia 27, no Armazém F, em Lisboa. E também se pode jantar cachupa (nham!!!) e ouvir batuque... O comunicado:

«GALA KRETCHEU
NOITE MEMORÁVEL COM OS FERRO GAITA

Cabo Verde em destaque!

O Grupo Ferro Gaita, as Batucadeiras, e um jantar típico preparado com toda a sabedoria por um cozinheiro Cabo-verdiano, em mais uma festa Kretcheu no dia 27 de Março no Armazém F.

Porque é um concerto único, que não vai deixar de querer assistir, faça já a sua reserva!

O número de jantares é limitado.

Formados em 1996, o grupo Ferro Gaita , descobriram na gaita, no ferro e na viola baixo, novos caminhos para a música tradicional de Cabo Verde. Estarão em Lisboa a apresentar o quarto álbum do Grupo que comemora, este ano, 12 anos de existência. Trazem sonoridades já características como o Funana Rápido, o lento e o Sambado, Tabanka e Batuque e uma das novidades é a gravação de um “Talaia Baxu” estilo tradicional da ilha do Fogo.

Programa:

Das 20:00hrs até às 23:00hrs é servido o jantar tradicional:

- Entrada+catchupa+1bebida+sobremesa+café

Segue-se a animação das Batucadeiras
À meia-noite e meia início do concerto dos Ferro Gaita.

Preços:

Jantar+concerto= 25€
Concerto= 10€

Inf e reservas: 963660756 ou gala.kretcheu@gmail.com

Armazém F (r cintura porto de lx, 65, santos)

Uma Noite com o sabor, os ritmos e as cores de África!».

24 Março, 2009

Fest-i-Ball - Há Mais Bailes no Teatro da Luz


Siga o baile!! É já este fim-de-semana, no Teatro da Luz, em Lisboa, e com um elenco de luxo: em mais uma edição, o Fest-i-Ball conta desta vez no programa com as francesas Les Zéoles (na foto), Uxu Kalhus, Toques do Caramulo, Punto Sem Nó e o duo de Luís Peixoto e Vasco Ribeiro Casais (dos Dazkarieh). O comunicadao oficial:

«No ano que celebra quatro aninhos, a Tradballs organiza pela 7ª vez o FEST-I-BALL, um pequeno e grande festival dedicado à Dança e à Música Tradicional, no Teatro da Luz em Lisboa.

Tal como aconteceu nas edições anteriores os dias serão preenchidos com workshops de dança e música e as noites com bailes de fazer estremecer o chão.

O Festival arranca dia 27 (sexta) com as francesas Zéoles e as suas composições agri-doces e cheias de vida inspiradas nas músicas tradicionais francesas. Logo a seguir sobem ao palco os energéticos Uxu Kalhus que prometem arrancar das cadeiras até os mais persistentes pés-esquerdos.

Sábado, após o almoço, nada como uma tarde preenchida com workshops de dança que irão levar os participantes do Minho à Galiza com passagem pela França.

Para os que têm um instrumento escondido em casa, haverá um workshop de música ensemble pelas mãos dos Toques de Caramulo que mostram que o novo e o velho combinam que é uma maravilha. Os que não ficarem convencidos poderão comprovar tal facto, às noite, no baile dado por eles onde o repertório da Serra do Caramulo tem um papel de destaque.

Mas antes, pouco depois do jantar, os Punto Sem Nó, os galegos mais alfacinhas das redondezas, dão o ar de sua graça e irão mostrar que os pontos não têm nós e que em truques com os pés ninguém os bate.

As Zeóles encerram a noite subindo novamente ao palco para voltarem a encher o teatro com suaves e alegres melodias.

No domingo o ritmo mantém-se.Os amantes da música poderão acompanhar o workshop dedicado à composição modal. Enquanto isso, os mais dados aos pés aprendem que o acto rodar tem muito que se lhe diga na dança, quer seja sob o efeito de uma Scottisch ou de uma Polska. Memória, recordação, repetição, transmissão, são todas elas usadas para definir o que é tradição, por isso, porque não recriá-la ao final da tarde no último workshop do festival?

O FEST-i-BALL encerrará as portas ao som do Duo Vasco Casais & Luis Peixoto cujos instrumentos falam por si: bandolim, bouzoki, cavaquinho, nyckelharpa, gaita de foles...»

E o programa detaalhado:


«VII FEST -i- BALL
27, 28, 29 Março '09
Teatro da Luz, Lisboa
PROGRAMA

sexta, 27 Março

22H00: LES ZÈOLES (França) - www.myspace.com/leszeoles
24H00: UXU KALHUS - www.mypace.com/uxukalhus

sábado, 28 Março

Workshops de Dança
14H30: Minhotas - Ana Lage
16H00: Danças A Pares - Les Zéoles
17H30: Galegas - Rita Duarte

Workshops de Música
15H30 às 17H30: Musica Ensemble - Toques do Caramulo

21H30: PUNTO SEM NÓ
22H00: TOQUES DO CARAMULO - www.myspace.com/toquesdocaramulo
24H00: LES ZÉOLES

domingo, 29 Março

Workshops de Dança
14H30: Mudanças de Rotação p/ Scottisch - Koen Dhondt
16H00: Polskas - Matias
17H30: Tradição Recriada - Patricia Vieira & Susana Rodrigues

Workshops de Música
15H30 às 17H30: Composição Modal - Paulo Pereira (a confirmar)

19H00: Duo Vasco Casais & Luis Peixoto ( www.myspace.com/bandolim , ww.myspace.com/omirisound)

Nota: o programa pode sofrer alterações.

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Bilheteira FEST-i-BALL:


Horário de abertura da Bilheteira:

- Sexta: 21h30m

- Sábado e Domingo: 14h

Nota:

Não se aceitam reservas de bilhetes.

Só é possivel comprar bilhetes a partir de sexta na bilheteira do festival.

Os preços não serão alterados até à hora de fecho do festival.

Crianças até aos 12 anos não pagam.

A organização reserva-se ao direito de encerrar a entrada, caso seja excedida a lotação máxima do espaço

Bilhetes:

Sexta 27 - 13 balls
Sábado 28 (dia+noite) - 20 balls
Sábado 28 (noite) - 15 balls
Domingo 29 - 13 balls
Geral (3 dias) - 30 balls.

Como chegar ao Teatro da Luz:

Morada: Largo da Luz, Carnide – Lisboa

Transportes:

Autocarros: 767, 726,768, 3, 202 ( www.carris.pt )

Metro: Colégio Militar ou Carnide

www.deboleia.com

Mais informações em:

Site: www.tradballs.com
E-mail: tradballs@gmail.com

Apoios: Associação Pédexumbo - Circulo de Dança de Lisboa».

20 Março, 2009

E Mais Um (Grande) Nome Para Sines: Chucho Valdés no FMM!


Pois!!!!...

«A “big band” do pianista cubano Chucho Valdés, um dos nomes fundamentais do jazz latino dos últimos cinquenta anos, é a segunda confirmação oficial do programa do Festival Músicas do Mundo de Sines 2009. Apresenta-se no Castelo de Sines no dia 23 de Julho.

Filho de Bebo Valdés, um dos mais destacados pianistas e compositores cubanos do século XX, Chucho não é menos importante na história da música cubana das últimas décadas, com mais de 50 discos gravados e cinco Grammys conquistados, entre 14 nomeações.

Nascido em Quivicán, província de Havana, em 1941, Chucho começou a tocar piano de ouvido aos 3 anos de idade e formou o seu primeiro trio de jazz aos 15 anos.

Gravou o seu primeiro disco, “Chucho Valdés y su Combo”, em 1963, e sete anos mais tarde, em 1970, é considerado um dos cinco melhores pianistas de jazz do mundo, juntamente com Bill Evans, Oscar Peterson, Herbie Hancock e Chick Corea.

Em 1973, funda o grupo mítico do jazz cubano, Irakere, sendo seu pianista, compositor, arranjador e director até aos dias de hoje.

Contando na sua formação inicial com músicos do calibre de Arturo Sandoval e Paquito d’Rivera, Irakere foi o primeiro grupo cubano a ganhar um Grammy, em 1980, e foi no seu seio que Chucho Valdés consolidou a sua carreira nos melhores palcos de todo o mundo.

Em 1996, integrado numa banda chamada Crisol, que formou com o trompetista Roy Hargrove, ganhou, com o disco “Habana”, o seu segundo Grammy.

Num outro agrupamento, o quarteto que formou em 1998, gravou quatro discos para a Blue Note (“Bele Bele en La Habana”, “Briyumba Palo Congo”, “Live at the Village Vangard” e “New Conceptions”), todos eles nomeados para Grammys e dois deles vitoriosos.

O quinto Grammy foi obtido em 2002 com o disco “Canciones Inéditas”, álbum a solo com obras da sua autoria gravado para a editora Egrem.

Detentor das principais distinções culturais concedidas pelo seu país, incluindo a máxima, a Medalha Felix Varela, Chucho Valdés tem as chaves das cidades de Ponce (Porto Rico), Los Angeles, San Francisco, Nova Orleães e Madison, nos EUA, e, numa cerimónia realizada em Los Angeles, junto a Tito Puente, Eddie Palmieri e Lalo Shiffrin, foi inscrito no “Hall of Fame” do Jazz Latino.

No concerto de Sines será acompanhado pela voz de Mayra Valdés, o baixo de Lázaro Alarcón, a bateria de Juan Carlos Castro Rojas, a percussão de Yaroldi Abreu, o sax alto de German Velazco , o sax tenor de Carlos Manuel Miyares Hernandez e os trompetes de Alexander Abreu e Maikel Gonzalez.

Depois de Lee “Scratch” Perry (Jamaica), Chucho Valdés Big Band (Cuba) é o segundo nome oficialmente confirmado da programação do Festival Músicas do Mundo 2009.

Realizado todos os meses de Julho, em vários espaços da cidade e do concelho de Sines, o FMM é o maior evento nacional no seu género, tendo já acolhido um total de 164 projectos musicais, vistos por mais de 325 mil espectadores, ao longo de dez anos».

19 Março, 2009

Cromos Raízes e Antenas XLVIII


Este blog continua hoje a publicação da série «Cromos Raízes e Antenas», constituída por pequenas fichas sobre artistas, grupos, personagens (míticas ou reais), géneros, instrumentos musicais, editoras discográficas, divulgadores, filmes... Tudo isto sem ordem cronológica nem alfabética nem enciclopédica nem com hierarquia de importância nem sujeita a qualquer tipo de actualidade. É vagamente aleatória, randomizada, livre, à vontade do freguês (ou dos fregueses: os leitores deste blog estão todos convidados a enviar sugestões ou, melhor ainda!, as fichas completas de cromos para o espaço de comentários ou para o e-mail pires.ant@gmail.com - a «gerência» agradece; assim como agradece que venham daí acrescentos e correcções às várias entradas). As «carteirinhas» de cromos incluem sempre quatro exemplares, numerados e... coleccionáveis ;)

Cromo XLVIII.1 - Rupa and The April Fishes


Ainda só têm um álbum editado no circuito internacional, mas são já uma das maiores promessas - OK, são já uma certeza! - daquilo que de melhor e mais abrangente se pode esperar de um grupo de «world music». E, aqui, o termo até está bem aplicado. Com base em San Francisco, Estados Unidos, Rupa and The April Fishes são liderados pela compositora, cantora e guitarrista Rupa, sendo os April Fishes formados por Marcus Cohen (trompete), Isabel Douglass (acordeão e voz), Aaron Kierbel (percussões), Safa Shokrai (contrabaixo) e Ara Anderson (trompete). Com influências que vêm da música indiana (Rupa, que é médica de profissão, tem as suas raízes no Punjab e viveu alguns anos em França), do tango, da canção francesa, do jazz (inclusive na sua variante cigana à Django, o jazz manouche), da cumbia, da pop... Rupa and The April Fishes lançaram em 2008 o álbum de estreia «eXtraOrdinary rendition», e já fazem parte, por direito próprio, do firmamento mais brilhante da música actual.


Cromo XLVIII.2 - Franco


Franco (aka Franco Luambo, François Luambo Makiadi e L'Okanga La Ndju Pene Luambo Lwanzo Makiadi; nascido a 6 de Julho de 1938, em Sona Bata, no Congo Belga, actual Zaire; falecido a 12 de Outubro de 1989) foi o mais importante compositor, cantor e guitarrista congolês do Séc. XX. Ao longo da sua carreira, deixou - em discos a solo ou com os grupos OK Jazz e TPOK Jazz - mais de mil canções gravadas, espalhadas por cerca de 150 álbuns. Com um estilo muito pessoal de tocar guitarra - era cognominado «O Feiticeiro da Guitarra» -, Franco misturou na sua música sonoridades africanas, jazz, ritmos latino-americanos (muito em especial a rumba), funk e soukous. Um fenómeno musical desde a adolescência - Franco gravou o seu primeiro single, «Bolingo Na Ngai Beatrice», com apenas 15 anos -, em 1956 fundou o OK Jazz (mais tarde rebaptizado TPOK Jazz), que rapidamente se tornou o grupo mais importante do Congo e com o qual tocou até à sua morte. Era um ídolo no seu país (e noutros países de África) e o seu funeral foi acompanhado por dezenas de milhares de pessoas.


Cromo XLVIII.3 - DJ Click


Membro do colectivo electro-jazz-world UHT, director da editora No Fridge, DJ e remisturador apaixonado por inúmeras músicas do mundo - e como ele as conhece bem! -, o francês DJ Click é um dos melhores, talvez mesmo o melhor, exemplo de como se podem transportar muitas músicas tradicionais para um futuro em que a música de judeus e muçulmanos, de ciganos espanhóis e do leste da Europa, de negros, de brancos e de mestiços de várias origens conseguem conviver, cruzar-se e obrigar toda a gente a dançar numa nave espacial utópica e cheia de músicas novas. E em que músicas novas como o dub, o electro ou o drum'n'bass e músicas antigas como o gnawa, o klezmer ou a música cigana dos Balcãs têm o mesmo espaço e importância. Com DJ Click já se cruzaram (em remisturas ou colaborações) nomes como Mitsoura, Gnawa Njoum Experience, Transglobal Underground, Rachid Taha, Leontina Vaduva, Burhan Öçal, Recycler, Tziganiada ou Estelle Goldfarb. (1)


Cromo XLVIII.4 - Pentangle


Um dos mais importantes grupos da folk britânica de sempre, os Pentangle nasceram em 1967, em Londres, à volta de Bert Jansch e John Renbourn - dois guitarristas geniais que já tinham um passado comum na folk -, uma cantora apaixonada pela tradição, Jacqui McShee, e dois músicos de jazz, Danny Thompson (baixo) e Terry Cox (bateria). E o resultado desse encontro foi explosivo: canções que iam à folk, aos blues, ao psicadelismo, ao jazz, ao rock progressivo ou à música barroca; canções que se encaixavam perfeitamente na música do seu tempo mas que também deixavam - pelo grau de abertura que demonstravam - muitas pistas para o futuro. Os Pentangle separaram-se em 1973 e ressurgiram nos anos 80, tendo passado inúmeros outros músicos pelas suas várias formações. E em 2007 os cinco membros fundadores voltaram a reunir-se para receber o Prémio Carreira dos Folk Awards atribuídos pela BBC Radio 2 e, no ano seguinte, fizeram uma digressão de enorme sucesso pelas Ilhas Britânicas. Audição aconselhada: os álbuns «The Pentangle», «Sweet Child», «Basket of Light» e «Solomon's Seal».

(1) - Texto adaptado de uma prosa anterior minha acerca do álbum «Flavour», de DJ Click.

18 Março, 2009

Dazkarieh - «Hemisférios» Apresentado Hoje à Noite


Os Dazkarieh são, cada vez mais, uma das mais importantes bandas folk (e usa-se aqui a palavra folk apenas por facilidade de designação) portuguesas. O seu novo álbum, «Hemisfèrios», é um duplo que apresenta no primeiro CD vários temas originais e, no segundo, versões de tradicionais portugueses reinventados pela pulsão eléctrica do grupo. Hoje, quarta-feira, à noite, o álbum é apresentado num concerto no Cinema S.Jorge, em Lisboa. O comunicado oficial:

«Os Dazkarieh comemoram 10 anos com “Hemisférios”, disco duplo que é o 4º álbum de originais da banda e o seu trabalho mais ambicioso até à data, que será apresentado dia 18 de Março no Cinema S. Jorge, pelas 21h30m.

“Hemisférios” que será mais uma vez editado pela HEPTA, surge agora como uma revisão do caminho percorrido nos últimos 10 anos. Tendo inicialmente vivido em exclusivo dos seus originais, o grupo avançou em 2006 para a revisão de tradicionais portugueses que representam hoje em dia praticamente metade do seu repertório ao vivo. Surgiu assim a ideia, em jeito de comemoração, de fazer um disco duplo, em que num dos lados estariam as composições originais, uma imagem de marca, e no outro as recriações de tradicionais portugueses, de regiões ainda não trabalhadas pelo grupo.

Nos últimos 3 anos a banda fez concertos um pouco por todo o mundo, em salas e festivais de Espanha, Andorra, Bélgica, Alemanha, Polónia, República Checa, Suíça, Áustria, Estónia, Canadá, México e Cabo Verde.

2009 marcará ainda mais essa vertente internacional com uma grande digressão Alemã (com 21 concertos marcados até à data e onde tocarão em Berlim pela primeira vez) e espectáculos em países como a Malásia, Singapura, Croácia, Itália, Estónia e Áustria.

Complicado será agora definir em que género musical se inserem. A procura de um rótulo deixará insatisfeitos uns e outros porque não será fácil definir um som que ecoa a espaços tradicional e etéreo, resvalando muitas vezes para um rock poderoso condimentado com fortes ritmos que no fundo são apenas tocados em instrumentos acústicos de forma não tradicional.

Mais importante será pensar que após 10 anos, os Dazkarieh criaram o seu som, a sua abordagem única à música portuguesa, de raiz ou não, isso pouco importa quando estamos perante um dos mais internacionais e criativos grupos portugueses».

13 Março, 2009

Cromos Raízes e Antenas XLVII


Este blog continua hoje a publicação da série «Cromos Raízes e Antenas», constituída por pequenas fichas sobre artistas, grupos, personagens (míticas ou reais), géneros, instrumentos musicais, editoras discográficas, divulgadores, filmes... Tudo isto sem ordem cronológica nem alfabética nem enciclopédica nem com hierarquia de importância nem sujeita a qualquer tipo de actualidade. É vagamente aleatória, randomizada, livre, à vontade do freguês (ou dos fregueses: os leitores deste blog estão todos convidados a enviar sugestões ou, melhor ainda!, as fichas completas de cromos para o espaço de comentários ou para o e-mail pires.ant@gmail.com - a «gerência» agradece; assim como agradece que venham daí acrescentos e correcções às várias entradas). As «carteirinhas» de cromos incluem sempre quatro exemplares, numerados e... coleccionáveis ;)

Cromo XLVII.1 - Billy Bragg


Não são raros os exemplos de punks britânicos que se viraram depois para a folk ou para a «world» - os Pogues, os Chumbawamba e até Joe Strummer (dos Clash) são alguns desses exemplos, entre muitos outros... -, mas Billy Bragg é, sem dúvida, um dos maiores expoentes dessa tendência. Billy Bragg (Stephen William Bragg, nascido a 20 de Dezembro de 1957, nos subúrbios de Londres, Inglaterra) começa a sua carreira em 1977, na banda punk Riff Raff, com a qual não obtém sucesso. Mas em 1981 inicia uma profícua trajectória musical a solo em que os seus extraordinários dotes de cantautor (inspirado pela folk britânica e norte-americana mas sem nunca esquecer o seu passado punk) e o seu activismo político anti-fascista e anti-racista também o levaram a colaborações memoráveis com músicos dos R.E.M., Johnny Marr (The Smiths), Michelle Shocked, Kirsty MacColl ou, mais recentemente, o projecto The Imagined Village. É uma referência incontornável.


Cromo XLVII.2 - Cornershop

~
A cantora Sinéad O'Connor teve o seu pico de projecção mediática quando queimou uma fotografia do Papa João Paulo II. E o grupo indo-britânico Cornershop - uma referência às «lojas de esquina» dos imigrantes indianos e paquistaneses em Inglaterra - deram visibilidade à sua música quando queimaram uma foto de Morrissey, depois deste cantor ter assumido ideias racistas (inclusive nas letras de algumas canções). Surgidos em Leicester, Inglaterra, em 1992 - e ainda hoje em actividade -, os Cornershop, desde sempre liderados por Tjinder Singh e Ben Ayres, caracterizam-se por uma fusão consistente de canções infecciosamente pop, algumas electrónicas e referências discretas à música indiana (instrumentos como a sitar, harmonium, dholaki, tamboura e tablas fazem parte do seu «kit» habitual). O seu tema «Brimful of Asha» (de 1997; uma homenagem a Asha Bhosle) e a respectiva remistura de Fatboy Slim vão ficar para sempre na história da world music.


Cromo XLVII.3 - Naftule Brandwein


Ouve-se, agora, Woody Allen a tocar jazz no seu clarinete e sente-se, sem a menor dúvida, que aquele clarinete deve tudo à música klezmer. Ou ouvia-se, antes, o clarinetista Benny Goodman ou o início do «Rhapsody In Blue», de Gershwin, e sentia-se que as bases destas músicas estavam nas suas raízes judaicas. Actualmente não há banda de klezmer que não tenha um clarinete. E, em todas elas, são nítidas as influências do maior clarinetista klezmer de todos os tempos: o lendário Naftule Brandwein. Tendo nascido em Przemyslany (no actual território da Ucrânia), em 1884, no seio de uma família de músicos judeus, emigrou para os Estados Unidos em 1908. Conhecido como «O Rei da Música Judaica», gravou variadíssimos discos de 78 rpm durante os anos 20. E embora a sua carreira tenha decaído desde essa altura e até à sua morte, em 1963, a sua música foi depois recuperada, amada e emulada por todas as novas vagas de músicos klezmer.


Cromo XLVII.4 - Krakabs


As krakabs (ou quaquabou, chkacheks, krakebs e garbag) apresentam-se, ao lado do gimbri (ou guembri, um baixo acústico rectangular), como o instrumento mais emblemático da música gnawa, sendo utilizado por grupos como os Nass Marrakech, Gnawa Impulse ou na banda acompanhante da grande Hasna El-Becharia, entre muitos outros. Também conhecidas como castanholas de metal, as krakabs são o instrumento de percussão fundamental para a criação (e sustentação) dos ritmos transe-hipnóticos do gnawa, género - e também a designação da comunidade sufi que o pratica - do sul de Marrocos, criado pelos descendentes dos escravos da África Ocidental levados para o lado norte do Sahara pelos árabes. Fazendo parte da família dos idiofones, as krakabs são crótalos feitos de ferro, em forma de 8, e o seu som tenta imitar o galope de um cavalo.

12 Março, 2009

Speed Caravan, Dele Sosimi, Chicha Libre e Kasai Allstars no FMM


E - depois do jamaicano Lee «Scratch» Perry e dos italianos Circo Abusivo - mais quatro nomes juntam-se ao rol de artistas alinhados para o próximo FMM de Sines: o myspace dos Speed Caravan (música do norte de África electrificada,com alaúdes em distorção e versões dos... Chemical Brothers e dos Cure) e de um dos mestres do afro-beat Dele Sosimi (com a sua Dele Sosimi Afrobeat Orchestra) já adiantam datas destes dois para Sines. Por sua vez, um comunicado da Crammed Discs assinala a presença dos latino-americanos infectados pelo psicadelismo e pelo surf rock Chicha Libre (na foto) em vários grandes festivais europeus deste Verão, incluindo Sines. E o camarada João Gonçalves, no Grandes Sons, informa que os congoleses Kasai Allstars - que estavam previstos para o ano passado e não apareceram devido a problemas com os vistos - também estão confirmados na edição do FMM deste ano, que decorre mais cedo que o habitual (entre 17 e 25 de Julho, mais dia menos dia).

10 Março, 2009

O Que é «Pirabar»? (Ou... Este é Mais Um OVNI do Tiago Pereira)


FOLK-LORE 3- Calizio from Tiago Pereira on Vimeo.
O vídeo-magazine «Folk-Lore» tem agora mais um tomo, este, o terceiro. E se os outros já eram estranhos - como estranhos são muitos dos trabalhos cinematográficos de Tiago Pereira -, este ainda consegue ser (um bocadinho) mais. Mas o melhor é vê-lo, sem legendas, mas com a atenção necessária para se perceber como é que em calizio - o calão ainda usado por algumas pessoas na Serra do Caramulo - se diz «festa», «prisão» ou «sexo».

09 Março, 2009

Lee «Scratch» Perry (e Circo Abusivo) no FMM de Sines!


O meu camarada Vítor Junqueira, no seu Juramento Sem Bandeira, avançou há dias com o nome dos italianos Circo Abusivo como a primeira confirmação do FMM de Sines deste ano. E hoje, o site do festival avança com outro nome: o do mítico Lee «Scratch» Perry, inventor do dub, produtor de mil artistas jamaicanos e outros, pirómano encartado, coleccionador de tralhas-velhas-e-novas-e-brilhantes e há muitos meses protagonista de um dos meus Cromos Raízes e Antenas, aqui. O comunicado do FMM, a propósito de Lee «Scratch» Perry:

«O jamaicano Lee “Scratch” Perry, um dos mais importantes criadores da história do reggae, actua no Festival Músicas do Mundo (FMM) de Sines no dia 25 de Julho de 2009, no Castelo.

Incluído na lista dos 100 maiores artistas de todos os tempos publicada pela revista Rolling Stone em 2004, o contributo do seu trabalho como produtor, autor e intérprete de canções para o desenvolvimento e popularidade do reggae em todo o mundo não tem comparação com qualquer outra figura viva da música jamaicana.

Produtor de nomes míticos como Bob Marley & The Wailers, Max Romeo e The Clash, Lee “Scratch” Perry é considerado um dos primeiros “produtores-artistas” da edição musical moderna, ocupando nesta qualidade um lugar na história da música popular ao nível de pioneiros como George Martin, Phil Spector e Brian Wilson.

Determinante no nascimento do ritmo lento que ajudou a conferir autonomia estilística ao reggae em relação ao pulsar mais rápido do seu género ascendente, o ska, as experiências de Perry na mesa de mistura são também hoje consideradas consensualmente como fundamentais para que tomasse forma outra criação de génio da música da Jamaica, o “dub”.

Autor de dezenas de discos desde o final dos anos 50, merecem menção especial entre a sua discografia os álbuns históricos dos anos 70, como “Super Ape” (1976) e “Roast Fish, Collie Weed, and Cornbread” (1978), e a compilação “Arkology” (1997), através da qual muitos dos ouvintes da nova geração tomaram conhecimento do seu legado.

“Jamaican E.T.”, vencedor do Grammy para melhor álbum de reggae em 2003, e “Repentance”, nomeado para o mesmo prémio em 2009, são dois dos grandes triunfos da sua produção em disco na última década e a prova de que, mesmo com 73 anos completos quando se apresentar em Sines, a sua vitalidade criativa permanece intocada.

Depois de Black Uhuru com Sly & Robbie, em 2001, e The Skatalites, em 2003, Lee “Scratch” Perry é o quarto nome da história viva do reggae a pisar os palcos de Sines desde a criação do Festival Músicas do Mundo em 1999.

Realizado todos os meses de Julho, em vários espaços da cidade e do concelho de Sines, o FMM é o maior evento nacional no seu género, tendo já acolhido um total de 164 projectos musicais, vistos por mais de 325 mil espectadores, ao longo de dez anos.

Data provisória do FMM 2009: 17-25 de Julho 2009».

06 Março, 2009

VGM - Muita World Music em Saldos!


A melhor loja de world music (e também de jazz e música erudita) de Lisboa, a VGM - que fica na Rua Viriato, nº 12, em Picoas - tem agora, e até dia 28 deste mês, mais de 150 títulos em saldos. Discos lançados até 31 de Outubro de 2008 por editoras como a World Circuit, Crammed Discs, World MusicNetwork, Demon Music Group, Sterns, Asphalt Tango, Dreyfuss Music, Network Medien, ROIR, Ponderosa, Park, Topic, Alia Vox, Essay Recordings, Chesky, Arion, Knitting Factory, Nocturne, Sundance, Mr.Bongo, Materiali Sonori, MusicandWords, Felmay, Picwick, Oriente, BMC, Cypres, Effendi, Magda, Voices Me e Weatherbox, entre outras, têm descontos entre os 25 e os 60 por cento. É de aproveitar, portanto!

04 Março, 2009

Auto-Promoção - Música Balcânica no Regueirão dos Anjos


Em parceria com Toni Polo (aka DJ Cucurucho), este escriba regressa às lides de DJ, dia 20 de Março, no Regueirão dos Anjos, em Lisboa... e ambos com muita música balcânica - e de territórios estilísticos e geográficos adjacentes - para mostrar. E, também com Toni Polo, estarei no magnífico espaço da Fábrica do Braço de Prata, dias 5, 12, 19 e 26 de Setembro e dia 3 de Outubro. Mais novidades, um dia destes...

02 Março, 2009

Assobio - E Depois dos Chuchurumel...


Os Chuchurumel terminaram. Mas há vida depois do fim do grupo: enquanto Julieta Santos continua com os Diabo a Sete, a outra metade dos Chuchurumel, César Prata (na foto), está a iniciar um novo projecto que segue as pisadas - sábias e seguras - dos Chuchurumel. Chama-se Assobio, grupo assim apresentado:

«ASSOBIO é sopro; um sopro musical. E sopro é vida.; a vida que passa pela cultura popular e pela sua transmissão constantemente renovada. ASSOBIO é o nome do novo projecto musical de César Prata. Após o fim de Chuchurumel, o seu anterior grupo, ASSOBIO marca a continuidade do seu trabalho com a tradição musical portuguesa, ou seja, o cruzamento da tradição com linguagens musicais dos nossos tempos. ASSOBIO é um desafio, uma constante procura de sonoridades, um caminho para a música portuguesa. ASSOBIO faz-se também com a voz carismática de Vanda Rodrigues, uma cantora surpreendentemente singular, uma voz para a música portuguesa. ASSOBIO é nome de disco e de espectáculo. ASSOBIO é uma co-produção do Teatro Municipal da Guarda e de César Prata e estreará no próximo dia 15 de Maio, no Teatro Municipal da Guarda. O espectáculo de estreia assinalará também a apresentação do CD ASSOBIO, uma edição do Teatro Municipal da Guarda. Depois... Depois vamos andar a assobiar... Por aí!

Quem assobia:
César Prata: laptop, guitarra sintetizada, ewi, guitalele, viola braguesa, ocarina, flautas, ponteira, percussões. Vanda Rodrigues: voz e percussões».

No myspace do Assobio, aqui, podem ouvir-se dois temas do álbum que aí vem: o romance «Dom Varão» e a «Cantiga da Ceifa».

27 Fevereiro, 2009

Cacharolete de Discos - Seun Kuti, Nitin Sawhney e Maria João & Mário Laginha


Depois de uma ausência prolongada - uma pneumoniazita que já está a passar -, o R&A regressa hoje para recuperar algumas críticas publicadas há algum tempo originalmente na «Time Out Lisboa». Desta vez, ao álbum de estreia de Seun Kuti (o filho mais novo de Fela Kuti), ao surpreendente novo disco de Nitin Sawhney (na foto) e ao disco de regresso ao jazz da dupla Maria João/Mario Laginha.



SEUN KUTI + FELA'S EGYPT 80
«MANY THINGS»
Tôt ou Tard

Transportar o nome – e a herança – de um dos nomes maiores da música nunca é fácil. Não o foi para os filhos de gente como John Lennon ou Bob Marley, de Frank Zappa ou de Charles Mingus (apesar de alguns deles terem construído uma carreira bastante decente em nome próprio). No caso de haver vários filhos a competirem no mesmo território a questão ainda se torna mais complicada, como é o caso de Seun e do seu irmão Femi, ambos filhos de uma das figuras mais importantes da música africana, o inventor do afro-beat Fela Kuti. Porque para além de competirem com a memória e o peso do nome do pai , ainda têm que «competir» entre si, para ver qual deles pode continuar a carregar a bandeira da família e/ou eventualmente a levá-la mais longe e a hasteá-la mais alto. Neste exemplo específico, a herança é encarada de maneiras diferentes pelos dois manos em compita: Femi (o mais velho), com uma carreira mais longa e já com o seu nome bem firmado no circuito da world music, é o que diverge mais da linha firmada pelo pai: nele, o afro-beat é a base, sim, mas nele incorpora sem problemas outras linguagens como o reggae, o hip-hop, o jazz, o R&B, até canções no seu sentido mais clássico. Já Seun (o mais novo), não se atreve a divergir e neste seu álbum de estreia, «Many Things», aquilo que se ouve é afro-beat puro e duro, sem grandes (nem pequenos) desvios aos ensinamentos paternos. O lado positivo é que os fãs de Fela podem ver aqui uma continuação lógica do trabalho do mestre – e Seun faz questão de ser acompanhado, para que não haja dúvidas, por muitos músicos que tocaram com o pai, os Egypt 80, e que a ligação seja imediatamente reconhecida. O lado negativo é que já ouvimos esta música antes, há 30 anos atrás, e não há aqui, mesmo!, grandes (nem pequenos) acrescentos. (***)


NITIN SAWHNEY
«LONDON UNDERSOUND»
Cooking Vinyl/Edel

Um dos nomes maiores da cena musical indo-britânica, Nitin Sawhney está de volta com um álbum (o oitavo, e o primeiro desde «Philtre», saído em 2005) surpreendente. Um álbum sério, maduro, mais pop e muito menos dançável do que é habitual. Tendo como mote os atentados de extremistas islâmicos ao metropolitano londrino a 7 de Julho de 2005, dos quais resultaram 52 vítimas e 700 feridos (daí o trocadilho do título do álbum, «London Undersound», com o London Underground), o disco é uma elegia aos mortos e a uma parte da cidade de Londres que «também morreu nesse dia». E o álbum é uma surpresa! Começa com dois temas pop («Days of Fire», com a participação de Natty, e «October Daze», com Tina Grace) e um terceiro («Bring It Home», com Imogen Heap) já com uma pulsão dançável mais imediatamente reconhecível de Nitin Sawhney. E depois entra... Paul McCartney, mas com uma voz quase irreconhecível, envelhecida, cansada mas cheia de alma na faixa «My Soul» – um tema com alusões a «A Day in the Life», dos Beatles (tema que encerra o álbum «Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band»), e uma certa atmosfera indiana. Numa outra canção há uma pulsão brasileira, a lembrar que este álbum também foi inspirado pela morte do brasileiro Jean Charles de Menezes às mãos da polícia inglesa, que o confundiu com um terrorista. E a seguir há rumba catalã e tablas indianas em «Shadowland», tema de colaboração com os Ojos de Brujo. E, à medida que o álbum avança, a presença da música indiana sente-se cada vez mais, com o canto tradicional konokol, a voz que parece saída de um filme de Bollywood de Reena Bhardwaj, ou a maravilhosa sitar de Anoushka Shankar no tema que encerra o disco. (*****)

MARIA JOÃO & MÁRIO LAGINHA
«CHOCOLATE»
Universal Music Portugal

Há comemorações e... comemorações. Há comemorações chatas, institucionais, preguiçosas, previsíveis e, logo, inúteis. E há comemorações vivas, felizes, brilhantes, inesperadas e, logo, inesquecíveis. E, na música, são cada vez mais raras as comemorações - sejam elas quais forem - que se enquadram na segunda categoria. Mas «Chocolate», o novo álbum de Maria João e Mário Laginha, entra de caras e directamente nesse segundo grupo. Porque é um disco que comemora 25 anos de trabalho e criação em conjunto - duas décadas e meia depois do pioneiro álbum do Quinteto de Maria João - mas, muito mais do que isso, é um álbum com um som novo, fresquíssimo, espelho mais que perfeito daquilo que os dois fizeram - e já fizeram tanto! - antes... e de tudo aquilo que ainda poderemos esperar deles, para um depois qualquer. Entre vários clássicos de sempre do jazz e derivados («Goodbye Pork Pie Hat», «I've Grown Accustomed to His Face», «I'm Old Fashioned», «When You Wish Upon a Star»...) e alguns originais compostos pelo duo, o álbum viaja, de forma perfeita, por vários géneros de jazz - alguns mais clássicos, outros mais free ou mais experimentais ou mais contemporâneos... -, e deixando sempre brilhar a voz de Maria João (nas palavras, nos sussurros, no scat, numa mais ampla e aberta gama de frequências que a faz chegar a inesperados e absolutamente bem-vindos registos graves), o piano excelentíssimo - e qual «grilo falante» em diálogo com a voz de Maria João - de Mário Laginha, o saxofone voador (seja ele gaivota, seja ele moscardo) de Julian Arguelles, as percussões mágicas de Helge Norbakken, e os seguríssimos cimentos que são o contrabaixo de Bernardo Moreira e a bateria de Alexandre Frazão. Mais que uma comemoração, «Chocolate» é uma... celebração. (*****)

17 Fevereiro, 2009

Helder Moutinho - Os Fados Que Ele Nos Traz


A propósito de um dos melhores álbuns de fado editados nos últimos anos em Portugal, «Que Fado É Este Que Trago?», de Helder Moutinho, aqui recupero a crítica ao disco e a entrevista com o cantor, compositor e letrista que foram originalmente publicadas na revista «Time Out Lisboa» há alguns meses.


HELDER MOUTINHO
«QUE FADO É ESTE QUE TRAGO?»
HM Música/Farol

Manager, agente, editor, Helder Moutinho é - acima disso tudo - um grande fadista, dos maiores que o fado nos deu na última década. De voz contida, grave, por vezes a fazer lembrar crooners como Bing Crosby, Frank Sinatra ou Johnny Hartman… E um autor de excelência, compositor de músicas e, mais ainda, um poeta que escreve para a sua própria voz - neste novo álbum, «Que Fado É Este Que Trago?», oito dos quinze temas têm letra de Helder Moutinho - e para a voz de muitos outros e outras fadistas. Como se isto tudo não bastasse, Helder Moutinho é ainda um estudioso e um pensador do fado, do fado antigo e dos fados que se poderão fazer no futuro, não sendo portanto de espantar que este seu terceiro álbum seja uma reflexão - inteligente - sobre a essência do fado e quais os caminhos que percorreu e irá percorrer. E uma reflexão que não se limita, nunca, à teoria, mas que apresenta exemplos práticos - e musicalmente e liricamente extraordinários, muitos deles - de como se pode renovar o fado tradicional (exemplos: «Perdi-me nos Olhos Teus», em que Helder Moutinho encaixa na perfeição um poema seu no Fado Mouraria, e «A Cor dos Olhos», em que a utilização de acordeão e percussões faz o fado conviver naturalmente com o fandango), de como a ponte entre o fado tradicional e muito do novo fado foi feito através do fado-canção (exemplo: o belíssimo «Esta Voz», com letra de Helder Moutinho e música do guitarrista Ricardo Parreira, que parece uma homenagem a Carlos do Carmo e à poesia de Ary dos Santos) ou como pode haver boa pop - pop mesmo! - no fado («À Espera de Uma Paixão», novamente com letra de Moutinho e com música de Yami). (*****)


SOB O FOCO
HELDER MOUTINHO

Homem de sete ofícios - mas sempre com o fado como fio que os une a todos -, Helder Moutinho acaba de editar um novo álbum, «Que Fado É Este Que Trago?», uma pergunta que tem várias respostas mas que se resumem numa só: o seu enorme amor ao fado, ao antigo das vielas de Alfama ou da Madragoa, ou aos outros, outros fados, que aí virão ou que, nele, já convivem com a tradição. Porque o fado até pode ser «maldito» sem deixar de ser possível trocar as voltas ao destino.

A primeira pergunta, inevitável, é: afinal, que fado é este que trazes?

Se eu próprio faço essa pergunta, é porque também não sei muito bem. É o meu fado, o fado em que eu acredito. E é todo o fado, desde o tradicional até aos chamados fados-canção e aos originais, que ainda não sabemos muito bem se são fados e que, obviamente, ainda não são clássicos porque são novos, embora um dia possam vir a ser considerados como tal se forem aceites pelo grande público e até pela comunidade fadista. Sei que sou fadista, não caí aqui de pára-quedas, mas no fundo não sei lá muito bem qual é o meu fado.

Neste álbum, criaste ou recriaste fados ao jeito tradicional, embora com letras ou músicas novas…

Sim. O «Labirinto ou Não foi Nada» tem letra de David Mourão-Ferreira mas a música é minha, uma música que eu compus com a estrutura de um fado tradicional, sem refrão. E chamei-lhe Fado Labirinto porque muitas das músicas de fados antigos onde podem caber várias letras diferentes assumem o nome da letra original - por exemplo, o Fado Cravo, do Alfredo Marceneiro, chama-se assim porque a letra original falava de um cravo.

O tema que dá nome ao disco, «Que Fado É Este Que Trago?», levanta uma questão curiosa: a música é do Yami, que é angolano. E há quem diga que o fado nasceu em Angola, viajando depois para o Brasil e do Brasil para cá…

Pois, mas este fado não tem nada a ver com isso. O Yami tem uma particularidade interessante: ele nasceu em Angola, filho de mãe angolana, mas o pai é minhoto. Mas, apesar de na sua maneira de tocar ele ter muitas raízes africanas, ele veio para Portugal muito novo e está muito integrado no meio do fado. Ele toca baixo com outros fadistas e comigo sempre. Em relação à origem do fado, acho que ele nasce a partir de uma série de outros estilos musicais que se encontram numa cidade portuária, Lisboa. E essas influências vêm de Angola, do Brasil - para onde nós também levámos muitas músicas -, Índia, Moçambique… e é bom não esquecer os 700 anos em que os mouros cá estiveram. E o fado é a convergência dessas melodias todas.

Neste álbum - à semelhança do que já acontecia no teu espectáculo «Maldito Fado» - há alguns instrumentos exteriores ao formato do fado: o acordeão e as percussões.

Sim, e o «Maldito Fado» - que esteve para ser este meu novo álbum, e gravado ao vivo - teve bastante influência na génese deste disco de estúdio. Os outros instrumentos… não são uma novidade - a Amália e o Carlos do Carmo fizeram-no - mas foi uma experiência que decidi fazer, porque são instrumentos vindos de outros géneros musicais. Como se fossem outras perguntas que eu faço.

16 Fevereiro, 2009

Mercedes Peón - Concerto em Sines (Não, Ainda Não É o FMM)


A cantora, gaiteira e pandeireteira galega Mercedes Peón - uma das mais importantes figuras da renovação da música tradicional da Galiza - dá um concerto em Sines, na Av. Vasco da Gama - mesmo junto à praia -, a 24 de Abril, nas comemorações do 25 de Abril desta cidade alentejana. Aqui em baixo segue o texto de apresentação do concerto em Sines, já a deixar água na boca para o próximo FMM:

«Uma das grandes figuras da folk europeia, nomeada para os prémios de "world music" da BBC Radio 3 e merecedora de distinções por revistas como a Folkworld ou a Songlines, Mercedes Peón representa o melhor da música galega no século XXI: um conhecimento profundo da tradição e a mais contemporânea imaginação. Com raízes na cidade A Corunha, esta intérprete e compositora nascida em 1967 enche o palco com a sua voz, dança, gaita-de-foles e pandeireta. Três discos gravados ("Iusé", em 2000, "Ajrú", em 2003, e "Sihá", em 2007) e participação em mais de 300 festivais em todo o mundo, dão-lhe repertório e experiência para dar aquele que se adivinha vir a ser um dos concertos do ano em Sines».

12 Fevereiro, 2009

3 Marias - O Novo Tango da Invicta!


Todas elas e também ele - Cristina Bacelar (guitarra e voz), Fátima Santos (acordeão), Sara Barbosa (contrabaixo) e Zagalo (percussão) - são já conhecidos de outros projectos musicais do Porto, mas agora estão todos reunidos num novo grupo, 3 Marias (e, acrescente-se, um «Manolo»), que tem o seu álbum de estreia com edição marcada para Março, com produção de Quico Serrano (Salada de Frutas/Bandemónio/Frei Fado d'El Rei, Plaza...). No seu myspace, as 3 Marias apresentam assim o projecto: «Sendo o Tango uma mistura de vários ritmos, de diferentes tendências dentro deste género musical, este novo projecto do Porto opta pelo tango canção, onde a letra tem a mesma relevância que a parte instrumental, aliás característica deste estilo musical. As canções são cantadas em espanhol em português ou até mesmo outros idiomas. Assim, sente-se neste trabalho as influências de recursos clássicos do próprio tango misturados com o flamenco, boleros e outros imaginários musicais. A guitarra, a voz, o acordeão, o contrabaixo ou percussão, são os instrumentos que acompanham este trabalho de fusão. O grupo é constituído por Cristina Bacelar (guitarra e voz), Fátima Santos (acordeão), Sara Barbosa (contrabaixo) e Zagalo (Percussão). Estes elementos surgem de outros projectos musicais, tais como Frei Fado d'el Rei, Musa ao Espelho e Mu». E, nas próximas semanas, o grupo vai apresentar-se em concerto no Auditório de Espinho (21 de Fevereiro), Encontros Alcultur, Lagos (6 de Março), Auditório Municipal de Lagoa (7 de Março), Teatro Constantin Nery, em Matosinhos (8 de Março) e Café Lusitano, Porto (11 de Março).

11 Fevereiro, 2009

Morreu Cachaito - O Bater do Coração do Buena Vista Social Club


Orlando «Cachaito» López, o contrabaixista do Buena Vista Social Club, faleceu esta semana devido a problemas cardíacos - ele que era tido como o «pulsar do coração» do colectivo e de muitos discos a solo dos seus colegas do Buena Vista. Em homenagem à sua vida e à sua arte, a Megamúsica - distribuidora dos discos da World Circuit em Portugal - enviou-nos o texto que se pode ler em baixo e um link para o pequeno filme que se pode ver em cima: um ensaio de Cachaito com Miguel «Angá» Díaz, o percussionista do Buena Vista Social Club (também ele já falecido; em 2006).

«É com imenso pesar que comunicamos a morte de Cachaito López, vítima de paragem cardiaca aos 76 anos. Orlando Cachaito Lopez de seu nome completo, era baixista do projecto Buena Vista Social Club incluindo este último duplo cd ao vivo no Carnegie Hall editado no passado mês de Novembro. Cachaito López era considerado o(bater do) coração do BVSC e o único totalista, tocando em todos os CDs/LPs "Buena Vista Social Club presents... Omara Portuondo, Ibrahim Ferrer, Ruben Gonzalez, Guajiro Mirabal etc. Ultimamente integrava a Orquestra Buena Vista Social Club, a qual tinha aberto uma digressão europeia, para Abril e Maio, estando previsto 2 datas em Portugal. Para além de todos os discos BVSC em que participou, Cachaito tem um disco de originais, de título genérico "Cachaito", de 2001, em que o artista cruza o "son cubano" com a música electrónica, num trabalho, por alguns considerado experimental, mas verdadeiramente aclamado por todos. Eis a nossa homenagem neste "footage" enviado pela World Circuit».

06 Fevereiro, 2009

Cacharolete de Discos - Boom Pam, Diego El Cigala e «Dancehall - The Rise of Jamaican Dancehall Culture»


Recuperando algumas críticas a discos originalmente publicadas na «Time Out Lisboa», aqui ficam os textos a propósito dos novos álbuns dos israelitas Boom Pam (na foto, de Yanay Nir) e do espanhol Diego El Cigala e a crítica à fantástica colectânea «Dancehall - The Rise of Jamaican Dancehall Culture».


BOOM PAM
«PUERTO RICAN NIGHTS»
Essay Recordings/Megamúsica

Ao segundo álbum, os israelitas, de Tel-Aviv, Boom Pam têm a sua fórmula única e original ainda mais bem apurada do que no seu, homónimo, disco de estreia, editado em 2006. A fórmula «instrumental» continua a mesma: Uzi Feinerman (guitarras eléctricas e, ocasionalmente, banjo, harmónica e voz), Yuval “Tuby” Zolotov (nas gordas linhas de baixo dadas por uma… tuba), Uri Brauner Kinrot (guitarras eléctricas e voz) e Dudu Kohav (bateria e percussões). Mas a fórmula «musical» vai agora ainda mais longe, juntando à sua original mistura de klezmer judaico, rebemtika grega, música cigana dos Balcãs, pitadas de especiarias árabes e turcas e, sempre!, o surf rock - e é bom não esquecer que o surf rock foi inventado por Dick Dale, guitarrista com raízes familiares na baía mediterrânica do Médio Oriente, daí aquele som que remetia para a Grécia, a Turquia, o Líbano mas que invadiu depois o rock'n'roll, dos Beach Boys aos Shadows, do Conjunto Mistério às bandas-sonoras dos filmes de Tarantino… -, outras sonoridades: o country & western (num divertidíssimo tema, «Shayeret Harohvim», cantado em hebraico por Maor Cohen mas coberto pelo esparguete enniomorriconiano), a música ranchera mexicana em «Ay Carmela» (em duas versões, uma instrumental, a outra cantada por Italo Gonzalez) e o ska e o dancehall jamaicanos adaptados ao eixo klezmer/Balcãs com a ajuda do fabuloso MC Tomer Yusef, dos conterrâneos Balkan Beat Box, seus irmãos na busca de uma klezmerização global). E, finalmente, os Boom Pam gravaram, no segundo álbum, o tema de rock'n'roll grego… «Boom Pam», que lhes deu a inspiração original, e que é sempre um dos momentos de maior festa dos seus concertos. (*****)


DIEGO EL CIGALA
«DOS LÁGRIMAS»
Cigala Music

A renovação do fado a que se tem assistido nos últimos anos em Portugal é muito semelhante ao que aconteceu, mas no caso espanhol com um avanço de muitos anos, com a reinvenção do flamenco. De Paco de Lucia a Niña Pastori, de Martirio aos Ketama ou, mais recentemente, dos Ojos de Brujo a Concha Buika, dos Son de La Frontera a Chambao, muitos - muitíssimos! - são os exemplos de cruzamentos do flamenco com muitos outros géneros musicais, insuflando-lhe assim uma nova vida e um novo sentido. Desde há uma década na linha da frente dessa mesma renovação, o cantor madrileno Diego El Cigala - cujos primeios álbuns de sucesso tiveram o dedo, na produção, de Javier Limón, o mesmo que tem produzido os últimos álbuns de Buika e o último de Mariza - chegou ao estrelato internacional com a sua aproximação muito própria do flamenco com a música latino-americana: o seu disco em parceria com o pianista cubano Bebo Valdés, «Lágrimas Negras» (produzido pelo realizador de cinema Fernando Trueba e editado em 2003) foi um sucesso estrondoso de vendas e de crítica. E, não por acaso, o novo álbum de Diego El Cigala, «Dos Lágrimas», continua de forma brilhante o seu namoro de flamenco com a música latino-americana - estão por lá, entre outros grandes clássicos, o tema «Dos Gardenias», numa versão arrepiante, os tambores afro-latinos em «Dos Cruces», o tango argentino em «Caruso»… E por aqui tocam músicos como o mítico percussionista cubano Tata Guines (falecido depois da gravação do disco, aos 77 anos) ou o grande pianista, também cubano, Guillermo Rubalcaba, para além de outras participações como o acordeonista francês Richard Galliano ou o vocalista da Vieja Trova Santiaguera, Reinaldo Creagh. Esta edição, de luxo, inclui ainda um livreto com uma extensa entrevista a Diego, curiosidades, as letras dos temas e muitas fotos. (*****)


VÁRIOS
«DANCEHALL - THE RISE OF JAMAICAN DANCEHALL CULTURE»
Soul Jazz Records

A contribuição - valiosíssima! - da Soul Jazz Records para o conhecimento e compreensão da música jamaicana das últimas décadas conhece agora um novo e inestimável capítulo: uma colectânea fabulosa que reúne mais de trinta temas que deram forma ao dancehall, género jamaicano que inicialmente pede emprestada a forma do reggae - e de outras músicas jamaicanas como o ska, o dub ou o rocksteady - mas o transforma em algo de mais carnal, mais visceral, mais violento, por oposição aos temas de intervenção política ou à cultura rastafari que o reggae enformava, e numa cena mais de DJs e de toasters do que de bandas e cantores. Não por acaso, com o correr dos tempos, o dancehall viria a tornar-se um irmão próximo do gangsta rap norte-americano e contribuiria, tal como este, para o aparecimento do reggaeton latino-americano, o kwaito sul-africano, o baile funk brasileiro ou o kuduro angolano. Mas, no princípio, o dancehall deu-nos autênticas pérolas musicais que em nada ficam a dever às melhores do reggae ou às dos tempos áureos do ska. E nesta colectânea estão cá quase todas, assinadas por nomes seminais como Yellowman, Eek a Mouse, Chaka Demus & Pliers, Ini Kamoze, Junior Murvin, General Echo, Gregory Isaacs ou Clint Eastwood (pois, não é o actor). E, acima delas todas, pelo menos na minha opinião pessoalíssima, três diamantes que qualquer pista de dança antiga ou actual, não pode desprezar: os temas «Chop Chop», de Cutty Ranks, «Trash and Ready», de Super Cat, e «Deaf Ears», de Early B, todos eles eivados de uma modernidade surpreendente. A evolução do dancehall para o ragga assistiria depois à emergência de estrelas internacionais como Shabba Ranks, Buju Banton ou Capleton, mas isso já é outra história, que decerto a Soul Jazz um dia irá contar. (*****)